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Plantação com 40 mil pés de maconha em MG é descoberta e expõe cultivo milionário

Descoberta expõe a dimensão de um esquema investigado há meses e que já resultou em 11 prisões e mais de cinco toneladas de maconha apreendidas.

Henrique Ribeiro Por Henrique Ribeiro

Uma plantação com 40 mil pés de maconha em MG foi descoberta nesta quinta-feira (20) em uma área rural de Cachoeira de Pajeú, no norte do estado. Um homem de 57 anos, natural de Pernambuco, foi preso durante a ação, que revelou mais uma área utilizada para o cultivo da droga em larga escala.

A descoberta é resultado do avanço de uma investigação conduzida pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) em conjunto com a Polícia Federal (PF). A operação teve origem no compartilhamento de informações entre a PF em Juazeiro, na Bahia, e as delegacias de Araçuaí e da Regional de Pedra Azul, em Minas Gerais.

A plantação encontrada em Cachoeira de Pajeú é o quinto ponto identificado pelas autoridades durante a investigação. Além desse local, os policiais já haviam encontrado áreas de cultivo nos municípios de Virgem da Lapa, Francisco Sá, Porteirinha e Unaí.

Segundo as autoridades, a dimensão das áreas descobertas indica que o grupo investigado mantinha uma estrutura organizada para cultivar, beneficiar e comercializar maconha em grande escala.

Investigação começou após descoberta de 30 mil pés

As investigações da Polícia Civil ganharam força em maio, quando uma plantação com aproximadamente 30 mil pés de maconha foi encontrada na zona rural de Virgem da Lapa.

A descoberta ocorreu no dia 26 de maio, durante uma ação conjunta das polícias Civil e Militar. Na ocasião, as equipes realizavam levantamentos relacionados ao sequestro de uma mãe e sua filha, ocorrido em Coronel Murta.

Durante o trabalho policial, os agentes identificaram um imóvel improvisado em uma fazenda. Um homem que estava no local tentou fugir ao perceber a aproximação das equipes, o que levantou suspeitas.

As buscas levaram os policiais até uma área de mata onde havia milhares de pés de maconha. Também foram encontradas barracas utilizadas pelos envolvidos e uma estrutura improvisada para a secagem e preparação da droga.

A partir desse ponto, os investigadores passaram a identificar outras áreas ligadas ao mesmo esquema.

Estrutura tinha energia solar e internet via satélite

De acordo com a Polícia Civil, os locais utilizados para o cultivo chamaram atenção não apenas pela quantidade de plantas, mas também pela estrutura empregada para manter as plantações.

Em uma das áreas investigadas, em Francisco Sá, os policiais encontraram sistema de irrigação, geradores, placas de energia solar, internet via satélite e maquinário utilizado no processamento da maconha.

A estrutura permitia que diferentes etapas da produção fossem realizadas no próprio local.

Além das plantas, os agentes encontraram droga já preparada para comercialização, fertilizantes e outros insumos utilizados no cultivo.

Também foi apreendida uma máquina destinada ao processamento da maconha após a colheita. Segundo a investigação, o equipamento tinha valor estimado em aproximadamente US$ 40 mil.

A polícia avalia que a escolha das áreas rurais não foi aleatória. Entre os fatores que teriam atraído os criminosos estão a fertilidade do solo e a existência de vias de acesso próximas.

Mais de cinco toneladas de drogas foram apreendidas

A investigação já resultou na prisão de 11 pessoas e na apreensão de mais de cinco toneladas de maconha, segundo informações divulgadas pela Polícia Civil.

Somente em uma das ações, realizada em Francisco Sá, foram apreendidas aproximadamente 1,8 tonelada da droga.

Após a apreensão, as equipes fizeram a destruição do material conforme os procedimentos previstos na legislação. A incineração contou com apoio do Corpo de Bombeiros.

A estrutura utilizada no cultivo também foi destruída pelas autoridades.

Para os investigadores, a quantidade de drogas localizada ao longo das diferentes fases da operação demonstra a dimensão da organização responsável pelos cultivos.

Polícia investiga quem financiava as plantações

O delegado Paulo Sobrinho afirmou que a descoberta da nova plantação representa mais uma evidência da dimensão do cultivo realizado pela organização investigada.

Segundo ele, a investigação busca identificar todos os envolvidos na estrutura, incluindo pessoas responsáveis pelo cultivo, financiamento e manutenção das áreas.

O delegado regional de Pedra Azul, Thiago Carvalho, destacou que a atuação conjunta entre Polícia Civil e Polícia Federal continua para chegar aos responsáveis pelo esquema.

A Polícia Civil também informou que a erradicação das plantações faz parte das medidas adotadas para impedir a continuidade do cultivo ilegal.

Operação Primeira Poda ampliou cerco contra grupo

Outro momento importante da investigação ocorreu em 9 de julho, quando a Polícia Civil de Minas Gerais deflagrou a Operação Primeira Poda.

A ofensiva teve como alvo uma organização criminosa suspeita de atuar no cultivo, beneficiamento e comercialização de maconha em larga escala.

Na ocasião, a Justiça autorizou sete mandados de prisão preventiva e mais de oito mandados de busca e apreensão.

Também foram determinadas medidas para atingir o patrimônio dos investigados, incluindo bloqueio de contas bancárias, sequestro e restrição de bens.

Durante a operação, os policiais apreenderam ainda um veículo de alto valor que, conforme a investigação, teria sido adquirido com dinheiro proveniente das atividades criminosas.

Os mandados foram cumpridos em cidades de Minas Gerais, da Bahia e do Mato Grosso.

Entre os municípios estavam Contagem e Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte; Teixeira de Freitas e Itamaraju, na Bahia; e Primavera do Leste, no Mato Grosso.

Cinco áreas de cultivo já foram localizadas

Com a descoberta realizada nesta quinta-feira, a investigação já identificou cinco áreas utilizadas para o cultivo de maconha em Minas Gerais.

Os locais estão espalhados por diferentes municípios e apresentam estruturas que, segundo a polícia, demonstram uma operação organizada e de grande escala.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros integrantes do grupo e esclarecer como funcionava a cadeia de produção e distribuição da droga.

A nova plantação encontrada em Cachoeira de Pajeú deverá ser erradicada pelas equipes policiais.

O homem de 57 anos preso durante a operação permanece à disposição da Justiça. As autoridades também trabalham para identificar outros responsáveis pelo cultivo e pelo financiamento das áreas descobertas.