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PMs são presos por trocar propina por escolta particular no Rio

Por Letícia Guedes
Fernando Frazão/Agência Brasil

Três policiais militares do Rio de Janeiro (RJ) foram alvo de operação do Ministério Público do Rio nesta quinta-feira (10/9) por suposta cobrança de propina em troca de policiamento privilegiado. Eles foram denunciados pelo crime de corrupção passiva militar.

Dois dos denunciados já estavam presos em razão de outro processo decorrente da mesma investigação. Os mandados contra eles foram cumpridos no Batalhão Especial Prisional (Bep) e no presídio Joaquim Ferreira de Souza. O terceiro policial foi preso em casa, no bairro Parque Rosário, em Nova Iguaçu.

De acordo com o Gaesp, o trio recebeu e negociou pagamentos para oferecer policiamento privilegiado à Clínica Fênix, localizada em Belford Roxo.

Segundo o MPRJ, o estabelecimento integrava uma rede de comerciantes e empresas chamados pelos policiais de “padrinhos”, que pagavam para receber atendimento diferenciado.

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da Coluna Mirelle Pinheiro

Em troca do dinheiro, os militares direcionavam o patrulhamento, priorizavam esses locais nas rotas e compareciam quando acionados, utilizando a estrutura da Polícia Militar para atender a interesses privados.

No caso da clínica, a investigação identificou o pagamento de R$ 50 e tratativas para que o valor chegasse a R$ 100. Mensagens extraídas do celular de um dos denunciados mostram os envolvidos discutindo a diferença entre o valor pago e o que teria sido combinado.

Em uma das conversas, um dos PMs afirma que “na vez dele foi galo”, expressão usada, segundo o Ministério Público, para se referir a R$ 50, e diz ter entendido que o acordo seria de R$ 100. O outro denunciado também relata ter recebido R$ 50.

Estrutura coordenada

As investigações apontaram que um dos policiais intermediava a relação com a clínica, negociava os valores e coordenava o atendimento pelas diferentes equipes. Outro acompanhava as tratativas e os pagamentos.

O terceiro teria realizado patrulhamento direcionado ao estabelecimento, enviado ao grupo de WhatsApp fotos da atuação no local e recebido pessoalmente R$ 50.

Os fatos ocorreram entre setembro e outubro de 2021, quando os três integravam o 39º Batalhão da PM (Belford Roxo). Um deles foi expulso da corporação após o oferecimento da denúncia. A denúncia foi recebida pela Auditoria da Justiça Militar.

A operação

A sexta fase da Operação Patrinus foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaesp/MPRJ) e a Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ). A ação contou com o apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e da Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen).

A Patrinus teve início em maio de 2024, a partir de uma investigação envolvendo policiais militares do 39º BPM, em Belford Roxo.

A análise de celulares apreendidos revelou novos integrantes e outras práticas criminosas, dando origem a sucessivos desdobramentos.

Em agosto de 2025, 10 policiais militares foram presos acusados de achacar comerciantes.

Em maio deste ano, o Gaesp denunciou 11 policiais por receberem propina para prestar segurança a estabelecimentos durante o expediente.

No mês seguinte, quatro PMs foram denunciados por peculato e comércio ilegal de arma de fogo, acusados de vender uma pistola apreendida durante uma ocorrência e dividir o dinheiro.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Letícia Guedes.