Nele, a apuração é por prevaricação e envolve uma operação do Departamento Estadual de Repressão aos Narcotráficos (Denarc), em 2023, na qual o agente de 2ª classe — atualmente lotado no 78º DP (Jardins) — aparece em vídeo durante uma negociação envolvendo uma mala com dinheiro (assista abaixo).
A coluna obteve as imagens que deram origem aos questionamentos. Nos registros, Schult aparece com uma mochila, recheada de maços de dinheiro, usado na negociação que antecedeu a prisão de três homens pela suspeita de tráfico de drogas (veja galeria abaixo).
Os próprios policiais reconheceram à Corregedoria a existência da quantia, mas sustentam que as notas eram “dinheiro cinematográfico”, utilizado para simular a compra de drogas e possibilitar o flagrante.
Versões diferentes
A operação ocorreu em 14 de setembro de 2023, em Mogi Mirim, que fica a cerca de 160 km de distância da capital paulista. No registro policial feito à época, obtido pela coluna, Schult relatou que permaneceu de forma velada em um bar após uma denúncia sobre negociação de drogas.
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do Metrópoles
Segundo a versão oficial, ele acompanhou três suspeitos até uma casa e, na abordagem, policiais encontraram dez tijolos de cocaína, além de uma balança. Schult figurou no flagrante como condutor da ocorrência.
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Agente à ápoca do Denarc entra e sai de bar com mochila chei de dinheiro
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Policial civil também é investigado por sequestro de suposto traficante
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À Corregedoria, ele afirmou em depoimento que notas eram cenográficas
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Durante o processo criminal, porém, a defesa de um dos presos apresentou vídeos e alegou irregularidades na abordagem. A Justiça encaminhou o material à Corregedoria para providências.
Após uma apuração preliminar, o órgão decidiu abrir, em maio deste ano, inquérito para investigar Schult e o policial Patrik José Nunes de Souza Filho por eventual crime funcional. O procedimento está registrado como investigação por prevaricação (quando funcionário público usa o cargo para benefício próprio).
A defesa de ambos não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.
“Dinheiro cinematográfico”
Ouvido pela Corregedoria, Patrik reconheceu Schult nas imagens e afirmou que o dinheiro visto no vídeo era cenográfico e havia sido usado para simular a compra da cocaína.
A defesa de um dos presos apresenta outra versão, na qual sustenta que a quantia teria sido mostrada como parte da negociação de uma chácara e não de drogas.
Schult disse ainda que um informante, identificado apenas como “Alemão”, fez-se passar por comprador para ludibriar os suspeitos posteriormente presos. A defesa, por sua vez, identifica o homem como um “ganso”, termo usado para se referir a colaboradores informais de policiais, geralmente em casos suspeitos.
A defesa também afirma que esse homem teria efetuado um disparo para o alto durante a ação. Schult negou que qualquer tiro tenha sido dado. O inquérito segue em andamento para apurar eventuais irregularidades na operação.
Suspeita de sequestro
Atualmente lotado no 78º DP (Jardins), Rafael Schult também é investigado pela Corregedoria por outro episódio, ocorrido na quarta-feira (12/8), em Artur Alvim, na zona leste paulistana.
Como revelou o Metrópoles, imagens mostram o policial e outros dois homens armados rendendo, algemando e levando um suposto traficante, que permanece desaparecido.
A prisão temporária do agente foi solicitada no âmbito dessa investigação.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Alfredo Henrique.




