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“Por que fez isso, meu amor?”: coronel diz falar com PM Gisele em orações

Por Alfredo Henrique
Reprodução/Redes Sociais/TJSP

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa, a soldado da PM Gisele Alves Santana, afirmou durante interrogatório que conversa com ela em suas orações desde que foi preso, em 18 de março.

Geraldo Leite disse se considerar católico, mas contou que passou a frequentar cultos evangélicos realizados no Presídio Militar Romão Gomes, na zona leste da capital paulista. Em seguida, declarou acreditar em espíritos.

“Eu converso com a minha esposa em oração”, destacou.

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Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas depois o coronel foi preso e é investigado por feminicídio

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Mensagens trocadas pelo oficial indicam que o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, monitorava conversas de Gisele Alves

Reprodução

A fala obtida em primeira mão pela coluna consta de interrogatório prestado pelo oficial, como indiciado, em um Inquérito Policial Militar (IPM) da Corregedoria da PM. Geraldo estava acompanhado de advogado e decidiu responder às perguntas.

“Tirou infância da sua filha”

Ao explicar as supostas conversas, Geraldo repetiu a versão de que Gisele tirou a própria vida.

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“Eu falo pra ela: por que você fez isso, meu amor?”, declarou.

Na sequência, afirmou dizer à mulher que ela havia levado “metade” de seu coração — a outra metade, segundo ele, teria sido levada pela morte de sua mãe, em dezembro — e que Gisele também teria tirado a infância da própria filha.

“Você tirou a infância da sua filha, que é apaixonada por você, que é grudada em você”, afirmou Geraldo.

O coronel também declarou que sonha diariamente com a esposa dentro do presídio e se emocionou ao negar a acusação.

“Eu não matei a minha esposa, eu sonho todo dia com ela aqui”, disse. Em seguida, afirmou que encontrar Gisele baleada teria sido “a cena mais traumática” de seus 35 anos de carreira policial.

Versão contestada pela perícia

As falas fazem parte da estratégia de Geraldo de sustentar que Gisele se suicidou. No mesmo interrogatório, ele jurou estar com a “consciência tranquila com Deus” e negou ter atirado, agredido a esposa ou alterado a cena na qual ela foi encontrada mortalmente ferida.

A versão, contudo, é contrariada pelos elementos reunidos na investigação. Antes de iniciar o interrogatório no IPM, foi lido para Geraldo que a apuração apontava que ele teria alterado o local e simulado um suicídio para ocultar um feminicídio.

Mais recentemente, um laudo complementar da Polícia Científica voltou a afirmar que a hipótese de suicídio apresenta incompatibilidades materiais e que a hipótese de intervenção de uma segunda pessoa resistiu ao confronto com os vestígios.

Cara a cara com a Justiça

Geraldo deveria ser interrogado pela Justiça comum nesta terça-feira (8/9), mas o ato foi adiado pela terceira vez, como informado em primeira mão pela coluna.

Em decisão de sexta-feira (4/9), a juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro remarcou o interrogatório para 5 de outubro, às 13h.

O novo adiamento ocorreu após a defesa pedir diligências complementares antes da oitiva. A magistrada determinou que a perita Amanda Rodrigues Marinone esclareça quem realizou uma gravação mencionada durante audiência e requisitou ao Instituto de Criminalística uma “nova (e derradeira) complementação” aos quesitos da defesa, no prazo de 20 dias


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Alfredo Henrique.