Dirigentes do Banco Master estiveram pelo menos seis vezes em gabinetes do Partido Progressista (PP) na Câmara dos Deputados, entre 2021 e 2022. As visitas foram feitas por Augusto Lima, então sócio de Daniel Vorcaro no Master, e pelo advogado André Kruschewsky, que era diretor jurídico do banco.
Isso faz do PP o partido mais visitado por dirigentes do Master na Câmara dos Deputados.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles
O pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, também foi ao gabinete de um deputado do PP: Doutor Luizinho (RJ). A visita ocorreu em fevereiro de 2022, segundo os registros da Câmara.
As informações dizem respeito a registros da portaria da Câmara e foram obtidas pela reportagem por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
Os registros da portaria são autodeclaratórios — ou seja, mencionam onde o visitante informou que iria, sem verificação posterior.
Em junho de 2021, Kruschewsky e Augusto Lima estiveram na liderança do PP por três vezes, segundo os registros. A primeira foi na tarde do dia 10, uma quinta-feira.
Doze dias depois, em 22 de junho, o advogado e o empresário baiano voltaram ao local e informaram que iriam até lá por duas vezes: por volta das 14h e, depois, às 19h. O dia 22 caiu em uma terça-feira.
Em 2022, já com André Fufuca como líder, Kruschewsky e Augusto Lima foram duas vezes ao gabinete da liderança do PP, nas tardes dos dias 5 de maio e 21 de junho.
Os registros da Câmara também mostram que a dupla esteve duas vezes no gabinete da Segunda Vice-Presidência da Casa durante o ano de 2021, quando o cargo era ocupado pelo deputado André de Paula (PSD-PE). As visitas ocorreram nos dias 3 de agosto e 27 de outubro.
Augusto Lima é um empresário baiano de 46 anos que começou sua trajetória como vendedor de abadás. Em junho de 2018, ele comprou os direitos de exploração do Credcesta — um programa de crédito consignado para servidores do Governo da Bahia — de uma empresa pertencente a um investidor espanhol, Ignacio Morales.
O Credcesta ganhou escala em 2019, quando Augusto Lima levou o produto para o então banco Máxima. A instituição, já sob propriedade de Daniel Vorcaro, mudaria de nome para Banco Master em julho de 2021. Ao fechar o negócio, Augusto Lima se tornou sócio e CEO do Master — ele venderia sua participação para Vorcaro em maio de 2024.
Já André Kruschewsky integra uma família de advogados influentes na política baiana. Só entre 2023 e 2024, ele recebeu R$ 22 milhões em salários e honorários do Master.
De acordo com a Polícia Federal, foi ele quem encaminhou para Daniel Vorcaro a chamada “emenda Master”: um projeto que pretendia aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite dos investimentos protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A proposta foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, e atendia aos interesses do Master.
Além dos encontros na Câmara, Cacá Leão também compareceu ao lançamento de uma iniciativa filantrópica de Augusto Lima, o Instituto Terra Firme, em novembro de 2023. A presença dele no evento, realizado no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), foi registrada em fotos pelo site de notícias Alô Alô Bahia.
Diretor do Master visitou gabinete de conselheiro do TCE-BA
Sozinho, sem a presença de Augusto Lima, André Kruschewsky foi três vezes ao gabinete do então deputado federal pelo PSD da Bahia Otto Alencar Filho — hoje, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA). As visitas do diretor jurídico do Master ocorreram nos dias 11 e 25 de agosto de 2021, e depois, em 8 de fevereiro de 2023.
Em abril deste ano, reportagem do jornal O Globo mostrou que uma empresa da qual Otto Alencar Filho é sócio recebeu R$ 12 milhões do Banco Master.
À reportagem, o conselheiro disse que o pagamento era devido por serviços que foram “realizados, (com) faturas pagas e impostos pagos”. Os serviços seriam de “análise e realização de projetos mercadológicos, imobiliários e financeiros”.
À coluna, Otto Alencar Filho também disse que conhece Augusto Lima desde que tinha 18 anos.
“Sou empresário desde 2001, atuando como executivo, empresário e investidor em vários setores há mais de 25 anos. Tenho uma holding que tem ações, cotas e participações em várias empresas de vários setores, e uma dessas empresas prestou serviços para o Banco Master”, disse ele.
Os demais congressistas foram procurados na quinta-feira (20), mas não responderam.
Leia abaixo a íntegra da nota enviada por Otto Alencar Filho
“Prezados(as) jornalistas do Portal Metrópoles, em atenção ao quanto solicitado, venho prestar os seguintes esclarecimentos:
Atuo como executivo e empresário desde janeiro de 2001, há 25 anos e 7 meses, e invisto, por meio da Holding M&A, em empresas dos setores de construção e incorporação, energia renovável, meio ambiente e resíduos sólidos, consultoria mercadológica e financeira, projetos de engenharia, prestação de serviços de mineração, tecnologia da informação e inteligência artificial.
Saliento que todas as empresas ligadas às operações da M&A e seus associados atuam em conformidade com a legislação vigente, observando rigorosamente os critérios legais, as obrigações regulatórias e as melhores práticas de governança em suas respectivas áreas de atuação, sendo que todos os investimentos realizados e os serviços contratados encontram-se devidamente formalizados, contabilizados e com os tributos correspondentes regularmente recolhidos.
Torna-se importante esclarecer, ainda, que não atuo como administrador de nenhuma das empresas associadas, não exercendo, portanto, funções de gestão operacional ou administrativa.
Por fim, solicito que os esclarecimentos ora prestados sejam integralmente considerados na elaboração de eventual matéria jornalística, em observância aos princípios da boa-fé, da precisão da informação, do contraditório e do direito de resposta, assegurados pela Constituição Federal.
Permaneço à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais que se façam necessários.
Atenciosamente,”
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Andre Shalders.




