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Preço da carne dispara no Acre durante seca severa e produto começa a faltar

Consumidores já sentem no bolso aumentos superiores a 28%, enquanto açougues enfrentam dificuldades para manter os estoques.

Camila Souza Por

O preço da carne aumenta no Acre durante a seca severa e já provoca reflexos diretos no bolso dos consumidores e no abastecimento de açougues e supermercados. Em alguns casos, os reajustes acumulados desde o início do ano ultrapassam 28%, enquanto comerciantes relatam dificuldades para receber mercadorias dos frigoríficos.

Levantamento realizado pelo Programa de Educação Tutorial (PET) do curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Acre (Ufac) aponta aumento nos 14 cortes de carne bovina acompanhados mensalmente nos açougues de Rio Branco.

Entre janeiro e a primeira quinzena de agosto, o acém registrou a maior alta, acumulando aumento de 28,3%. O fígado aparece logo em seguida, com elevação de 25,4% no período.

Segundo representantes do setor pecuário, a redução da oferta está ligada ao comportamento tradicional do mercado durante o verão amazônico. Com a chegada da estiagem e a queda na qualidade das pastagens, muitos produtores antecipam a venda dos animais aptos para abate, reduzindo a disponibilidade de bovinos nos meses seguintes.

O impacto já é sentido pelos consumidores. Diante dos preços mais altos, muitas famílias passaram a substituir a carne bovina por alimentos considerados mais acessíveis, como frango, ovos e peixe.

Nos açougues da capital, comerciantes afirmam que a dificuldade para manter os estoques aumentou nas últimas semanas. Além da alta dos preços repassados pelos frigoríficos, alguns estabelecimentos relatam que os pedidos estão sendo entregues parcialmente, o que tem provocado falta de determinados cortes.

Há casos em que a quantidade solicitada pelos comerciantes não é atendida integralmente, dificultando o abastecimento e reduzindo a oferta disponível para os clientes.

Apesar desse cenário, os dados mais recentes do setor mostram que o Acre ultrapassou a marca de 338 mil bovinos abatidos no primeiro semestre de 2026, crescimento de 5,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

A situação ocorre em meio à seca severa que atinge o estado. No início deste mês, o governo do Acre decretou situação de emergência devido à estiagem e ao risco de desabastecimento de água. Dias depois, a Prefeitura de Rio Branco também publicou decreto de emergência em razão dos impactos causados pela seca.

Cortes que mais subiram nos açougues

  • Picanha: de R$ 65,40 para R$ 67,85;
  • Filé: de R$ 66,19 para R$ 67,83;
  • Coxão-mole: de R$ 36,23 para R$ 40,20;
  • Coxão-duro: de R$ 30,50 para R$ 34,64;
  • Fraldinha: de R$ 35,98 para R$ 38,22;
  • Fígado: de R$ 11,15 para R$ 14,60;
  • Pá com osso: de R$ 18,59 para R$ 22,39;
  • Pá sem osso: de R$ 33,36 para R$ 37,54;
  • Alcatra: de R$ 44,35 para R$ 47,23;
  • Patinho: de R$ 34,81 para R$ 38,43;
  • Agulha: de R$ 22,56 para R$ 26,63;
  • Músculo: de R$ 28,19 para R$ 31,25;
  • Contra-filé: de R$ 42,85 para R$ 45,38;
  • Acém: de R$ 29,42 para R$ 32,70.

Com informações do G1 Acre.