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Preso, presidente da Câmara de Sumaré usava carro oficial "por fora"

Por Marcus Pontes
Polícia Federal/Reprodução.

Apontado pela Polícia Federal (PF) como financiador de um traficante, o presidente da Câmara Municipal de Sumaré e candidato a deputado federal Hélio Pereira da Silva (Cidadania) usava, segundo as investigações, um veículo oficial do Legislativo para receber e guardar dinheiro em espécie de investigados no esquema de financiamento, logística e venda de drogas. A polícia apura se os valores recebidos eram utilizados para subsidiar atividades político-eleitorais.

Hélio Silva está preso temporariamente desde a manhã dessa quarta-feira (9/9) após a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) deflagrar a Operação Archimagus, para identificar esquema relacionado ao financiamento para a compra de drogas, logística de armazenamento e venda de entorpecentes em pontos ligados ao crime organizado no município de Sumaré.

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Documentos obtidos pelo Metrópoles mostram que a Hélio Silva foi apelidado pelo grupo investigado como “Mister M”. A PF, em conjunto com o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e as polícias Civil e Militar, identificou que o político era quem financiava a compra de drogas para Maikon Baptista da Costa, outro preso por envolvimento no esquema.

As investigações apontam, ainda, que Hélio Silva usava um sítio particular, no município de Jacutinga, no estado de Minas Gerais, para guardar drogas e, depois, permitir a fácil logística para distribuição no município de Sumaré. A Ficco também apurou que, entre janeiro e agosto deste ano, Hélio Silva promoveu encontros com pessoas ligadas ao tráfico.

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Conforme as investigações, um dos encontros registrados mostrava Hélio utilizando o veículo oficial do Legislativo para receber, em mãos, dinheiro em espécie de um dos investigados, identificado como Jurailton Rosa dos Santos. As entregas eram feitas em sacolas.

Outro episódio do encontro entre os dois data do dia 16 de junho. Na ocasião, segundo as investigações, o político recebeu sacolas “cujo conteúdo apresentava, segundo os agentes responsáveis pelas diligências, características visuais compatíveis com numerário em espécie”.

Policiais ligados a investigação dizem que as sacolas foram colocadas no porta-malas de veículo Toyotta Corolla, de cor preta, que pertence à Câmara de Sumaré. O veículo foi periciado nessa quarta-feira (9/9), mas não chegou a ser apreendido.

Imóveis e buscas

A investigação aponta ainda que imóveis vinculados ao candidato a deputado federal eram utilizados para armazenar armas de fogo, entre elas um fuzil e pistolas.

Além das duas prisões temporárias, a Justiça expediu 10 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.

A maioria dos endereços é atribuída a Hélio Silva, entre eles uma casa em um condomínio de alto padrão em Paulínia, uma empresa e um sítio apontados como de propriedade do candidato, além do gabinete dele na Câmara de Sumaré.

O Metrópoles procurou a assessoria de Hélio Silva, que não retornou ao contato. O espaço segue aberto para manifestação.

A Câmara Municipal de Sumaré, em nota, reforçou que a investigação tem caráter pessoal contra Hélio Silva e, até o momento, não há qualquer informação que relacione o caso às atividades institucionais do Poder Legislativo. “Por fim, ressalta que o vereador, assim como qualquer cidadão, está amparado pelo princípio constitucional da presunção de inocência”, diz o texto.

A defesa jurídica pessoal do vereador está realizando o levantamento das informações e dos fatos relacionados à investigação, para que os esclarecimentos necessários sejam apresentados no momento adequado.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Marcus Pontes.