Geral

Primeiro-ministro do Canadá pede que EUA “leve a sério” guerra comercial

Por Manuela de Moura
Anna Moneymaker/Getty Images

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, alfinetou o governo de Donald Trump, nesta segunda-feira (1º/9), ao cobrar uma postura mais séria de Washington diante da escalada das tensões comerciais entre os dois países.

Carney criticou, especialmente, a postura adotada por autoridades dos Estados Unidos durante a disputa. Segundo o primeiro-ministro, representantes de Washington deveriam abandonar provocações e tratar as negociações comerciais com maior seriedade.

“Quando os americanos pararem de fazer memes, de criticar os outros, de tentar bancar os durões e começarem a levar essas discussões a sério, aí sim poderemos ter essas discussões”, afirmou Carney.

3 imagens1 de 3Evan Vucci/AP2 de 3

Primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney

Jordan Pettitt – WPA Pool/Getty Images3 de 3

Donald Trump, presidente dos EUA, e Mark Carney, Primeiro-ministro do Canadá, em maio de 2025

Anna Moneymaker/Getty Images

O comentário ocorre pouco mais de uma semana após o fracasso das negociações comerciais entre os dois países. Desde então, os EUA aplicaram tarifas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses.

Em resposta, o Canadá anunciou tarifas retaliatórias sobre, aproximadamente, US$ 20 bilhões em mercadorias americanas. As medidas estão previstas para entrar em vigor em 8 de setembro.

Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles

EUA descarta novas negociações

  • O principal negociador comercial de Trump, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que não existem atualmente negociações comerciais em andamento com o Canadá.
  • Em entrevista ao Politico, Greer também questionou o interesse do governo canadense em alcançar um novo acordo e afirmou que Ottawa estaria mais exposta aos efeitos de uma guerra comercial do que Washington.
  • O representante ainda atribuiu parte do impasse às exigências apresentadas pelo Canadá durante as negociações. 
  • Greer também afirmou que houve divergências sobre o próprio escopo das conversas.
  • Para ele, não estava claro se o conflito havia sido provocado principalmente por questões políticas ou econômicas.

A nova rodada de tarifas amplia uma crise comercial que vem deteriorando a relação entre os dois países. O Canadá é um dos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos e mantém uma extensa integração econômica com o mercado estadunidense.

Carney também já havia criticado a postura dos negociadores dos EUA em relação à identidade linguística do Canadá. Segundo o primeiro-ministro, representantes americanos teriam tratado o uso do francês no país como um obstáculo nas negociações.

Carney rebateu a avaliação e afirmou que a língua é um direito garantido em Quebec.

Além das disputas comerciais, declarações de Trump sobre o Canadá também contribuíram para aumentar as tensões. O republicano voltou a defender a ideia de que os canadenses se beneficiariam de uma eventual integração aos Estados Unidos e acusou o país de impor tarifas elevadas sobre produtos agrícolas americanos.

A crise ganhou ainda um componente simbólico na semana passada, quando Trump assinou uma ordem executiva determinando que o governo americano passasse a chamar o Lago Ontário de “Lago América”. 


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Manuela de Moura.