A luta parlamentar que ocorre no Congresso em torno da provação do Marco Legal do Combate ao Crime Organizado é apenas uma faceta da disputa entre governo e oposição pela apropriação da narrativa sobre quem combate melhor o crime organizado ou desorganizado. Os brasileiros já manifestaram em diversas pesquisas de opinião que o maior problema brasileiro na atualidade é a criminalidade. E a administração do PT é percebida com leniente com os meliantes, considerados pessoas perseguidas pelo sistema econômico injusto. Essa curiosa visão da sociedade coloca toda comunidade em risco, porque a dona de casa que vai ao supermercado está ameaçada pela bandidagem. Ninguém gosta disto.
O fenômeno é representado no plano da política pelo surgimento do grupo de governadores de oposição, ou de direita. Eles pretendem aumentar penas e corrigir distorções que a mão leve do PT pretende introduzir no texto da prevenção do crime. Segurança é o ponto fraco do presidente Lula. É seu calcanhar de Aquiles. A vida de Lula já foi melhor. As últimas pesquisas de opinião demonstram que a distância entre ele e os principais candidatos de oposição está se reduzindo. É a fotografia do momento.
Mas o Brasil é parte da América Latina, onde tudo pode acontecer. Lula ficou preso 580 dias, deixou a prisão e retornou à Presidência da República. Temer ficou preso algumas horas, mas experimentou ver o dia atrás das grades. Prisão é um risco permanente para quem se lança na política. Todos os ex-governadores do Rio de Janeiro passaram pela prisão. O normal é cumprir um curto pedaço da pena, depois encontrar o caminho para liberdade. O ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, viu o sol nascer quadrado por vinte dias. Depois saiu e foi jantar em bom restaurante parisiense com sua Carla Bruni. Com Bolsonaro deve se cumprir o mesmo roteiro:um tempo atrás das grades e depois liberdade sob condições. Ele já estará com idade avançada e saúde comprometida. Seu futuro político está nos filhos.
Só para esclarecer – Quem nasce na Amazônia, é amazônida. Quem nasce no estado do Amazonas, é amazonense. Belém fica no estado do Pará, que não é o centro da Amazônia. A cidade foi a capital do estado do Grão Pará e Maranhão, ao tempo em que a colônia do Brasil era dividida em dois estados: o do Grão Pará e o do Brasil. Grão Pará abrangia os atuais estados do Amazonas, Pará, Maranhão e Piauí. Do Rio Grande do Norte para baixo tudo era Brasil.
Segundo o IBGE, a população da Amazônia é de 27 milhões de habitantes. A primeira capital do estado do Amazonas foi Barcelos. Depois a capital foi transferida em outubro de 1669 para Manaus, local onde os rios Negro e Solimões se encontram e fazem o rio Amazonas. No episódio da Independência do Brasil, a população do Grão Pará queria continuar ligada a Portugal, como era até aquela data. Militares enviados pelo Almirante Cochrane ameaçaram bombardear Belém, em agosto de 1823, e obrigaram os locais a aderir à jovem República brasileira. Ou seja, os amazônidas se tornaram brasileiros à força, depois da Independência do Brasil.
André Gustavo Stumpf, jornalista ([email protected])




