O governo federal encaminhará ao Congresso Nacional um projeto de lei que prevê o aumento das penas para crimes de receptação de celulares, dispositivos eletrônicos, cabos, fios e outros itens roubados. A proposta, elaborada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem como objetivo endurecer as punições para aqueles que lucram com produtos provenientes de atividades criminosas.
Segundo o texto, também estarão sujeitos a punição aqueles que adquirirem, transportarem, ocultarem, desmontarem, remontarem, venderem ou utilizarem, para benefício próprio ou de terceiros, qualquer bem relacionado a esses crimes.
As mudanças propostas elevam as penas mínimas e máximas para crimes de receptação em contexto comercial ou industrial, especificamente envolvendo celulares, cabos e equipamentos de telecomunicações:
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Pena mínima: de 3 anos para 4 ou até 4 anos e 6 meses de reclusão (aumento de até 50%);
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Pena máxima: de 8 anos para 10 anos e 6 meses (aumento de 30%), podendo chegar a 12 anos (aumento de 50%).
As punições serão ainda mais rigorosas quando os itens roubados forem:
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Celulares e dispositivos que armazenam dados pessoais;
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Cabos e equipamentos de energia e telecomunicações;
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Mercadorias em transporte ou envio postal;
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Medicamentos, combustíveis, fertilizantes, minérios, cigarros, armas ou veículos.
Outra mudança prevista no projeto trata da receptação entre familiares. Atualmente, quem adquire produtos roubados de parentes pode não ser punido, mas a nova legislação pretende eliminar essa lacuna.
Além disso, a comercialização ilegal de sinal de TV paga será enquadrada como receptação qualificada, visando combater a pirataria e a concorrência desleal. Atualmente, essa prática não pode ser tipificada como furto de energia elétrica, justificando a necessidade de um enquadramento específico.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) tem intensificado a fiscalização de equipamentos piratas. Desde 2023, mais de 1,6 milhão de dispositivos irregulares foram retirados do mercado, com valor estimado em R$ 253 milhões.
Caso aprovado, o projeto endurecerá o combate ao comércio ilegal e fortalecerá a repressão contra organizações criminosas que lucram com bens furtados e roubados.




