O Acre está entre os estados brasileiros com menor disponibilidade de profissionais de psicologia na rede pública de saúde. Dados de levantamento realizado pela CNN Brasil com base no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) apontam que há aproximadamente um psicólogo no SUS do Acre para cada 4.559 habitantes.
O número coloca o estado na quarta pior posição do Brasil nesse indicador, atrás apenas do Pará, Amazonas e Distrito Federal. O cenário chama atenção principalmente diante do crescimento da procura por atendimento em saúde mental no país.
Acre está entre os estados com menor oferta de psicólogos
A proporção registrada no Acre evidencia uma desigualdade na distribuição de profissionais de psicologia dentro da rede pública brasileira.
Entre os dez estados com as piores proporções de psicólogos por habitantes no SUS, oito estão localizados nas regiões Norte e Nordeste.
O Pará apresenta o pior índice, com um psicólogo para cada 5.769 habitantes. Na sequência aparecem o Amazonas, com um profissional para 5.724 pessoas, e o Distrito Federal, com um para 5.167 habitantes.
O Acre aparece logo depois, com um psicólogo da rede pública para aproximadamente 4.559 moradores.
Na sequência do ranking estão Maranhão, com um profissional para 4.476 habitantes; Ceará, com um para 4.055; Bahia, com um para 4.030; Rondônia, com um para 3.991; Mato Grosso, com um para 3.817; e Roraima, com um para 3.731 habitantes.
Diferença entre profissionais registrados e atuação no SUS
O levantamento também mostra uma diferença significativa entre o número de psicólogos registrados nos conselhos profissionais e aqueles que efetivamente estão disponíveis na rede pública de saúde.
O Conselho Federal de Psicologia contabiliza mais de 600 mil profissionais inscritos no país. Entretanto, apenas uma parcela trabalha diretamente no SUS.
Segundo a conselheira federal do CFP Ana Carolina Freire, cerca de 70% dos psicólogos atuam na área clínica, sendo que muitos conciliam consultórios particulares com vínculos em políticas públicas.
A diferença fica evidente quando são analisados alguns dos estados com menor oferta proporcional no SUS.
No Pará, por exemplo, existem 9.235 psicólogos ativos registrados. Isso representa aproximadamente um profissional para cada 943 habitantes. No SUS, porém, a proporção cai para um psicólogo para cada 5.769 moradores.
No Amazonas, são 6.812 profissionais registrados, equivalentes a um para cada 634 habitantes. Na rede pública, a relação é de aproximadamente um para cada 5.724 pessoas.
No Maranhão, são 7.408 psicólogos ativos, ou um para cada 947 habitantes, enquanto o SUS conta com um profissional para cada 4.476 moradores.
Acre fica atrás de estados do Sul e Sudeste
A desigualdade regional também aparece quando o Acre é comparado a estados das regiões Sul e Sudeste.
Enquanto o estado acreano registra um psicólogo do SUS para cada 4.559 habitantes, Santa Catarina apresenta uma proporção de um profissional para cada 2.482 pessoas.
Em Minas Gerais, a relação é de aproximadamente um psicólogo para cada 2.557 habitantes. Já no Rio Grande do Sul, há cerca de um profissional para cada 2.646 moradores.
Os números mostram que a disponibilidade de profissionais na rede pública varia significativamente entre as regiões brasileiras.
Atendimento em saúde mental mais que dobra em dez anos
Ao mesmo tempo em que a oferta de profissionais permanece desigual, a procura por atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) cresceu de maneira expressiva.
Dados do Ministério da Saúde indicam que o número de atendimentos realizados pelos CAPS em todo o Brasil passou de 13,8 milhões em 2015 para 28,4 milhões em 2025.
O crescimento foi de aproximadamente 106% em uma década.
Na região Norte, a expansão também foi significativa. Os atendimentos passaram de 467,9 mil em 2015 para 1,64 milhão em 2025.
No Nordeste, o número subiu de 3,63 milhões para 7,4 milhões no mesmo período, aumento de aproximadamente 104%.
Os dados reforçam o crescimento da demanda por serviços públicos relacionados à saúde mental e colocam pressão sobre a necessidade de ampliar a estrutura e os profissionais disponíveis.
Ministério da Saúde amplia rede de atenção psicossocial
O Ministério da Saúde informou que vem ampliando a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) em todo o país.
Entre 2023 e julho de 2026, foram habilitados 867 novos serviços, elevando para 6.488 o número de pontos de atenção da rede nacional.
Segundo o ministério, existem ainda cerca de 6,2 mil equipes multiprofissionais atuando no SUS, reunindo profissionais como psicólogos e psiquiatras.
A expansão busca aumentar a capacidade de atendimento da rede pública, mas os dados sobre a distribuição de psicólogos mostram que ainda existem diferenças importantes entre os estados.
Desafio é ampliar o acesso à saúde mental no Acre
Para o Acre, os números colocam a ampliação do atendimento psicológico como um dos desafios da saúde pública.
A relação de um profissional para cada 4.559 habitantes não significa que cada morador tenha acesso individual a um psicólogo, mas serve como indicador da disponibilidade de profissionais vinculados ao SUS em relação à população.
Em um cenário de crescimento da demanda por serviços de saúde mental, a distribuição regional dos profissionais, a estrutura disponível e a capacidade de atendimento das unidades públicas tornam-se pontos fundamentais para ampliar o acesso da população.




