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PT aposta em candidaturas jovens para ampliar presença no Congresso

Por Daniela Santos
Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Divulgação

O Partido dos Trabalhadores (PT) aposta em candidaturas jovens para renovar a bancada na Câmara dos Deputados, atualmente dominada por nomes de direita e centro-direita.

A estratégia faz parte do objetivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ampliar o apoio no Congresso Nacional, em busca de viabilizar a governabilidade em um eventual quarto mandato. Procura também estimular o surgimento de novas lideranças dentro da sigla.

Recentemente, nomes da nova geração do partido lançaram o movimento Congresso do Povo, que reúne candidaturas de diferentes regiões do país em torno de 13 compromissos políticos. Entre eles, o fim da escala 6×1, combate à violência contra a mulher e mudanças no modelo das emendas parlamentares.

A mobilização é composta por candidatos jovens que disputam pela primeira vez uma vaga à Câmara federal — parte deles, já possui mandatos na esfera estadual.

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do Metrópoles

Ao Metrópoles, a idealizadora do movimento, a vereadora de São Paulo Luna Zarattini (PT), afirmou que o projeto surgiu como um contraponto à composição atual do Congresso que, na avaliação dela “virou as costas para o povo”.

“A ideia de criar esse movimento é a gente poder dar voz a diversos lutadores e lutadoras que já vêm fazendo um trabalho nas suas cidades, nos seus estados. Que já vêm fazendo uma ação de combatividade para que a gente possa ocupar o Congresso Nacional e transformar ele num ‘Congresso do povo’, um Congresso que reflita os temas e anseios da população”, ressaltou.

Segundo a vereadora, atualmente, o PT tem 37 candidaturas jovens à Câmara. O partido trabalha para eleger o maior número de representates. Zarattini destaca o perfil diverso dos postulantes, que reúne mulheres, pessoas LGBTQIA+, negros e lideranças do campo e outros movimentos sociais.

“A juventude da classe trabalhadora ocupa, hoje, diversos espaços, desde escolas, universidades, à luta do campo, das cidades, da mobilidade. Então, são lideranças que transitam entre diversas pautas e que vêm diversos perfis, mas que têm uma luta só que é a renovação política do Congresso Nacional e levar essas pautas populares adiante”, pontua a vereadora.

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Luna Zarattini

Richard Lourenço/Câmara Municipal de SP2 de 63 de 6

Presidente Lula e a vereadora de SP Luna Zarattini

Ricardo Stuckert4 de 6

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, posa para retrato com a camisa da Seleção Brasileira

Ricardo Stuckert / PR5 de 6

Presidente Lula

Ricardo Stuckert6 de 6

Disputa na Câmara

  • Nas últimas eleições, a Federação PT-PCdoB-PV elegeu 81 deputados, a segunda maior bancada na Câmara.
  • O partido que mais elegeu parlamentares na Casa Baixa foi o PL, com 99.
  • Neste ano, estarão em disputa 513 vagas para a Câmara dos Deputados.
  • A aposta do PT é que candidaturas mais jovens podem rejuvenescer a bancada e puxar votos.
  • Entre as lideranças cotadas para representar o partido estão a vereadora de São Paulo Luna Zarattini e o vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff, sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff.

Segundo a secretária de Juventude do PT, Julia Köpf, o processo de renovação da legenda não começou hoje. Desde 2020, a sigla mantém o Programa Representa, voltado à formação política, o apoio institucional e de recursos para novas lideranças.

Ela ressalta a importância de ter quadros históricos ainda na disputa eleitoral — como a deputada Benedita da Silva (PT-RJ), que aos 84 anos concorrerá a uma vaga no Senado — mas destaca a necessidade de impulsionar novos nomes.

“É muito bom fazer parte de um partido que tem uma história bonita e forte igual ao PT, mas a gente também quer um partido que tenha futuro. E hoje, essa nova geração que vai chegar, para a bancada federal e para as assembleias legislativas, vem com tudo, vem com bastante formação política, vem sabendo dessa história e pronto para defender o PT nos próximos anos”, disse, ao Metrópoles.

Ela projeta a eleição de 10 a 15 nomes jovens para a Câmara no próximo pleito. Segundo Köpf, a estratégia também se estende às assembleias legislativas nos estados.

“O PT precisa ser ponta de lança, apresentar essa renovação à esquerda com pautas importantes, que façam sentido. Então, o fim da escala 6×1, a tarifa zero. A gente tem se comprometido com eleger uma bancada que se renova na política, na prática e que tem muito compromisso com o povo brasileiro, com o eleitorado”, frisou.

Renovação

Recentemente, o presidente Lula explicitou a necessidade de renovação no partido ao admitir que tem dificuldade em eleger um sucessor. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., em 30/7, ele afirmou que só disputará a presidência novamente por falta de alternativas competitivas o suficiente para enfrentar a extrema direita.

“Eu preparo tanta gente. Eu lancei a primeira presidenta da história desse país. Depois lancei o Haddad em 2018. Tem momentos na política e no futebol que você não tem a quantidade de craques que você queria ter”, disse o petista.

“Meu desejo, se eu pudesse, era descansar com minha namorada, minha Janjinha. Mas eu não vou deixar a extrema direita voltar”, completou.

Dirigentes petistas apostam em nomes como o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad e o ex-ministro da Educação, Camilo Santana, como herdeiros políticos do petista e que podem ser trabalhados para 2030.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Daniela Santos.