
Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), publicados nesta quarta-feira (31), o estado do Acre registrou 3.088 focos de queimadas, um número 16% abaixo do ano passado, que contou com 3.713 incidências no mesmo período. Mas não há motivos para grandes comemorações.
Recorde de Desmatamento
Como se não bastassem as queimadas no período mais seco do ano, a Amazônia também bate recorde de desmatamento, com 8.590 km² derrubados, de acordo com o Deter, do Inpe. Um relatório do MapBiomas também aponta que o desmatamento no Brasil cresceu 20,1% em 2021, com perda de área verde comparável ao Estado do Rio de Janeiro (16,5 mil km²) em todos os biomas.
No Acre, atualmente, a qualidade do ar está 4 vezes abaixo da recomendada como saudável pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Em algumas localidades como Santa Rosa do Purus, por exemplo, o registro saiu bem acima da média: 107 ug/m³, quando o considerado aceitável não pode passar de 25 ug/m³.
Existem motivos
Muito é dito para justificar as tradicionais queimadas no estado entre julho e setembro: cultura local, período muito seco, mas o principal motivo atualmente apontado por especialistas têm sido as brechas legais aprovadas recentemente no Congresso, que coíbem a ação dos órgãos fiscalizadores.
Segundo Queylson Souza de Lima, Engenheiro Florestal e Coordenador Técnico da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e das Políticas Indígenas (SEMAPI), cedido pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre (IMAC) à Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SEMA), as queimadas urbanas estão crescendo desproporcionalmente em relação à maior parte realizada em áreas rurais. Revelou que não são os grandes proprietários rurais os maiores responsáveis, mas sim os pequenos, por falta de mecanização e acompanhamento técnico.
O especialista citou algumas situações que podem ser causadoras dos incêndios registrados neste período em 2022, como o uso de métodos de desmate e queima para produção e principalmente em projetos de assentamentos, mesmo com as missões integradas no combate aos desmatamentos e incêndios. Além do grande número de incêndios urbanos e perimetral as cidades que também contribuem muito para agravamento da situação.



