
Os dados divulgados pelo Monitor da Violência indicam redução de 7% no número de crimes violentos letais intencionais, categoria que agrega vítimas de homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte. É algo que merece ser celebrado e documentado, especialmente em um ano de eleição para governadores, que são os responsáveis por cerca de 81% dos gastos feitos na segurança pública brasileira. Vale destacar, no entanto, que tais números não incluem as mortes por intervenção policial, que somaram mais de seis mil mortes em 2020, e que exigem uma análise mais detida.
Ainda há muito a fazer, mas a análise da série histórica mostra que, se considerarmos o período a partir de 2018, quando os homicídios passam a cair no Brasil como um todo, a redução dos crimes contra a vida no Acre chega a 58%; em Goiás a 45%; em Sergipe a 43%; no Distrito Federal a 37%; e, por fim, em 29% no Ceará. Ainda que tenham vivido oscilações neste período, como é o caso do Ceará em 2020, quando as forças de segurança entraram em greve, a tendência verificada nos números mostra que boas políticas de segurança precisam de investimento contínuo para lograrem êxito.
Dito de outra forma, os dados do Monitor da Violência mostram o quão importante é a segurança pública ser vista como atividade de Estado e não de um ou outro governo. Não é possível ficar em um eterno pêndulo de priorizar ou não ações integradas e articuladas. Até porque, apesar da boa notícia no contexto nacional, os dados verificados em alguns estados preocupam, especialmente aqueles na região Norte do país, que historicamente tem problemas de coordenação e controle das ilegalidades cometidas na Amazônia.
O maior crescimento dos crimes contra a vida no país ocorreu no estado do Amazonas, onde o aumento chegou a 54,2%, totalizando 1.571 vítimas de crimes violentos letais intencionais apenas em 2021. O estado vive uma sobreposição de crises no campo da segurança pública: por um lado, após um período de relativa estabilidade com o aparente monopólio do Comando Vermelho na região de Manaus, a violência voltou a crescer com lideranças da FDN se aliando a outros grupos criminosos para tentar reconquistar territórios estratégicos para o tráfico de drogas; por outro, o crescimento dos homicídios nas regiões em que avança o desmatamento indicam a profusão de conflitos fundiários e crimes ambientais que tem tomado a região.
Também entre os estados que mais apresentaram crescimento dos crimes violentos letais intencionais estão o Amapá, com crescimento de 19,1%; o Piauí, com aumento de 11%; de Roraima, com incremento de 10,4%; e de Rondônia com 7,1%. A região norte foi a única do país a apresentar crescimento dos assassinatos no período, com crescimento de 10,4%.
Esse crescimento corrobora achados de estudo divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública durante a COP26, em novembro. Segundo esse estudo, na contramão do país, a violência da região Norte, onde está localizada a maioria dos estados da Amazônia Legal, apresenta um crescimento acentuado da violência nas áreas rurais e de floresta, que parece associado às dinâmicas que sobrepõem crimes ambientais e criminalidade organizada. A Amazônia está em chamas e sob julgo da violência e da criminalidade.




