Belo Horizonte — Uma eventual eleição de Cleitinho Azevedo (Republicanos) para o governo de Minas Gerais pode provocar uma mudança importante na bancada mineira no Senado. Caso deixe o mandato para assumir o Palácio Tiradentes, a cadeira do senador será ocupada pelo primeiro suplente, o empresário Alex Sandro Coelho Diniz.
Natural de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, Alex Diniz é um dos nomes mais conhecidos do empresariado do Leste de Minas. Sócio da rede de supermercados Coelho Diniz e integrante da família que se tornou acionista de referência do Grupo Pão de Açúcar (GPA), ele também ganhou espaço na política nos últimos anos.
Do armazém da família ao império dos supermercados
A história empresarial dos Coelho Diniz começou em Governador Valadares. A família construiu os negócios a partir do comércio e, ao longo das décadas, transformou a atividade em uma das principais redes supermercadistas do interior de Minas.
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do Metrópoles
A empresa Supermercado Coelho Diniz foi constituída formalmente em 1992. Atualmente, segundo informações divulgadas pela própria companhia, a rede conta com 22 lojas em sete municípios e possui um centro de distribuição em Governador Valadares.
Com a expansão, os negócios da família também avançaram para outras áreas, incluindo investimentos imobiliários e logísticos. Alex é um dos irmãos que integram a estrutura empresarial da família. Além dele, fazem parte do grupo societário André Luiz, Fábio, Helton e Henrique Coelho Diniz.
A dimensão dos negócios ganhou uma nova escala quando a família passou a ocupar uma posição relevante na estrutura acionária do GPA, uma das maiores companhias de varejo alimentar do país. Em 2025, os irmãos chegaram a deter, em conjunto, cerca de 24,6% do capital do grupo, conquistando espaço relevante no conselho de administração.
O movimento levou o sobrenome Coelho Diniz, tradicional no comércio de Governador Valadares, para o centro das disputas societárias de uma das maiores empresas do varejo brasileiro.
Empresário vira personagem da política mineira
A entrada de Alex Diniz na política ocorreu de maneira mais direta em 2022. Naquele ano, ele aceitou ser o primeiro suplente da chapa de Cleitinho ao Senado. Durante a campanha, o empresário defendeu a geração de empregos e renda no Leste de Minas e afirmou que a presença na chapa poderia ajudar a aproximar as demandas da região do Congresso Nacional.
Em entrevista concedida após a eleição, Diniz disse que decidiu entrar na política por considerar que essa seria uma forma de ampliar sua atuação em causas sociais. A relação com o Republicanos, porém, não durou até o fim do ciclo eleitoral seguinte.
Ele rompeu com a legenda em 2024, em meio às disputas políticas de Governador Valadares. Durante a convenção do Partido Liberal (PL) que oficializou a candidatura do então aliado Coronel Sandro à prefeitura, o empresário protagonizou uma cena simbólica: jogou uma camisa e a carteirinha do Republicanos em uma lata de lixo. O episódio marcou publicamente o rompimento com o antigo partido.
Posteriormente, Alex se filiou ao PL, legenda pela qual passou a circular entre as articulações políticas para as eleições de 2026. O empresário chegou a ser apontado como possível nome para compor uma chapa majoritária em Minas. O movimento ganhou força em meio às conversas envolvendo o vice-governador Mateus Simões e diferentes grupos da direita mineira.
Atrito com prefeito de Governador Valadares
A mudança de partido também ocorreu em meio a uma ruptura política em Governador Valadares. Alex Diniz e o prefeito Coronel Sandro (PL) foram aliados na eleição municipal de 2024. Sandro venceu a disputa pela prefeitura com 52,95% dos votos, mas a relação entre os dois se deteriorou posteriormente.
O conflito ganhou proporções maiores durante o processo que investigou possíveis irregularidades no contrato de transporte escolar do município. Em depoimento à Comissão Parlamentar Processante da Câmara Municipal, em abril de 2026, Coronel Sandro fez acusações contra Alex.
Segundo relato do prefeito, ele recebeu informações de que o empresário teria procurado um servidor municipal para discutir a substituição da empresa responsável pelo transporte escolar e que haveria uma suposta vantagem financeira envolvida. Diniz alegou que as declarações eram falsas e infundadas e informou que tomaria medidas judiciais contra os envolvidos.
O embate ocorreu justamente enquanto Sandro enfrentava um processo político que poderia resultar na perda do mandato. O prefeito, por sua vez, também fez acusações contra integrantes da Comissão Processante e contestou a condução do procedimento.
Em julho, após a cassação do prefeito pela Câmara Municipal, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu os efeitos da decisão e determinou o retorno de Coronel Sandro ao cargo, apontando possíveis irregularidades no processo conduzido pelo Legislativo municipal.
Se Cleitinho for governador, Alex vai para o Senado
O cenário que pode colocar Alex Diniz no Senado depende diretamente do resultado da eleição para o governo de Minas Gerais. Cleitinho foi eleito senador em 2022 para um mandato de oito anos, com término previsto para 2031. Caso ele seja eleito governador e deixe o Senado para assumir o Executivo estadual, Alex será chamado a ocupar a cadeira.
A eventual mudança também teria impacto político para Governador Valadares. A cidade passaria a ter um representante diretamente ligado ao empresariado local ocupando uma das três cadeiras de Minas Gerais no Senado. Além da relação com a família Coelho Diniz, Alex chegaria ao Congresso com uma trajetória empresarial própria, participação na política regional e trânsito dentro de diferentes grupos da direita mineira.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Daniel Galera.




