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Quem é Alex Diniz, empresário suplente de Cleitinho no Senado

Por Daniel Galera
redes sociais

Belo Horizonte — Uma eventual eleição de Cleitinho Azevedo (Republicanos) para o governo de Minas Gerais pode provocar uma mudança importante na bancada mineira no Senado. Caso deixe o mandato para assumir o Palácio Tiradentes, a cadeira do senador será ocupada pelo primeiro suplente, o empresário Alex Sandro Coelho Diniz.

Natural de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, Alex Diniz é um dos nomes mais conhecidos do empresariado do Leste de Minas. Sócio da rede de supermercados Coelho Diniz e integrante da família que se tornou acionista de referência do Grupo Pão de Açúcar (GPA), ele também ganhou espaço na política nos últimos anos.

A eventual chegada de Alex ao Senado colocaria no Congresso um empresário que, até pouco tempo, atuava principalmente nos bastidores da política regional. Irmão do deputado federal Hercílio Coelho Diniz (MDB-MG), ele foi escolhido para compor a chapa de Cleitinho nas eleições de 2022, que foi eleito senador com 41,98% dos votos válidos. Alex Diniz passou, então, a ser o primeiro nome na linha de sucessão da chapa.

Do armazém da família ao império dos supermercados

A história empresarial dos Coelho Diniz começou em Governador Valadares. A família construiu os negócios a partir do comércio e, ao longo das décadas, transformou a atividade em uma das principais redes supermercadistas do interior de Minas.

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do Metrópoles

A empresa Supermercado Coelho Diniz foi constituída formalmente em 1992. Atualmente, segundo informações divulgadas pela própria companhia, a rede conta com 22 lojas em sete municípios e possui um centro de distribuição em Governador Valadares.

Com a expansão, os negócios da família também avançaram para outras áreas, incluindo investimentos imobiliários e logísticos. Alex é um dos irmãos que integram a estrutura empresarial da família. Além dele, fazem parte do grupo societário André Luiz, Fábio, Helton e Henrique Coelho Diniz.

A dimensão dos negócios ganhou uma nova escala quando a família passou a ocupar uma posição relevante na estrutura acionária do GPA, uma das maiores companhias de varejo alimentar do país. Em 2025, os irmãos chegaram a deter, em conjunto, cerca de 24,6% do capital do grupo, conquistando espaço relevante no conselho de administração.

O movimento levou o sobrenome Coelho Diniz, tradicional no comércio de Governador Valadares, para o centro das disputas societárias de uma das maiores empresas do varejo brasileiro.

Empresário vira personagem da política mineira

A entrada de Alex Diniz na política ocorreu de maneira mais direta em 2022. Naquele ano, ele aceitou ser o primeiro suplente da chapa de Cleitinho ao Senado. Durante a campanha, o empresário defendeu a geração de empregos e renda no Leste de Minas e afirmou que a presença na chapa poderia ajudar a aproximar as demandas da região do Congresso Nacional.

Em entrevista concedida após a eleição, Diniz disse que decidiu entrar na política por considerar que essa seria uma forma de ampliar sua atuação em causas sociais. A relação com o Republicanos, porém, não durou até o fim do ciclo eleitoral seguinte.

Ele rompeu com a legenda em 2024, em meio às disputas políticas de Governador Valadares. Durante a convenção do Partido Liberal (PL) que oficializou a candidatura do então aliado Coronel Sandro à prefeitura, o empresário protagonizou uma cena simbólica: jogou uma camisa e a carteirinha do Republicanos em uma lata de lixo. O episódio marcou publicamente o rompimento com o antigo partido.

Posteriormente, Alex se filiou ao PL, legenda pela qual passou a circular entre as articulações políticas para as eleições de 2026. O empresário chegou a ser apontado como possível nome para compor uma chapa majoritária em Minas. O movimento ganhou força em meio às conversas envolvendo o vice-governador Mateus Simões e diferentes grupos da direita mineira.

Atrito com prefeito de Governador Valadares

A mudança de partido também ocorreu em meio a uma ruptura política em Governador Valadares. Alex Diniz e o prefeito Coronel Sandro (PL) foram aliados na eleição municipal de 2024. Sandro venceu a disputa pela prefeitura com 52,95% dos votos, mas a relação entre os dois se deteriorou posteriormente.

Alex Diniz e o prefeito Coronel Sandro (PL) foram aliados na eleição municipal de 2024.

O conflito ganhou proporções maiores durante o processo que investigou possíveis irregularidades no contrato de transporte escolar do município. Em depoimento à Comissão Parlamentar Processante da Câmara Municipal, em abril de 2026, Coronel Sandro fez acusações contra Alex.

Segundo relato do prefeito, ele recebeu informações de que o empresário teria procurado um servidor municipal para discutir a substituição da empresa responsável pelo transporte escolar e que haveria uma suposta vantagem financeira envolvida. Diniz alegou que as declarações eram falsas e infundadas e informou que tomaria medidas judiciais contra os envolvidos.

O embate ocorreu justamente enquanto Sandro enfrentava um processo político que poderia resultar na perda do mandato. O prefeito, por sua vez, também fez acusações contra integrantes da Comissão Processante e contestou a condução do procedimento.

Em julho, após a cassação do prefeito pela Câmara Municipal, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu os efeitos da decisão e determinou o retorno de Coronel Sandro ao cargo, apontando possíveis irregularidades no processo conduzido pelo Legislativo municipal.

Se Cleitinho for governador, Alex vai para o Senado

O cenário que pode colocar Alex Diniz no Senado depende diretamente do resultado da eleição para o governo de Minas Gerais. Cleitinho foi eleito senador em 2022 para um mandato de oito anos, com término previsto para 2031. Caso ele seja eleito governador e deixe o Senado para assumir o Executivo estadual, Alex será chamado a ocupar a cadeira.

A eventual mudança também teria impacto político para Governador Valadares. A cidade passaria a ter um representante diretamente ligado ao empresariado local ocupando uma das três cadeiras de Minas Gerais no Senado. Além da relação com a família Coelho Diniz, Alex chegaria ao Congresso com uma trajetória empresarial própria, participação na política regional e trânsito dentro de diferentes grupos da direita mineira.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Daniel Galera.