Geral

Quem são os brasileiros que se intitulam reis dos bolões da Mega-Sena

Por Lorena Pacheco
Getty Images

Diante das probabilidades bem maiores de ganhar na loteria participando de bolões, algumas figuras têm ganhado notoriedade Brasil afora por organizar apostas vencedoras. Chamados de reis e rainhas dos bolões, essas pessoas vão desde ex-participante do Big Brother Brasil (BBB) a empresário e até policial militar.

Eles organizam grupos para fazer apostas, em especial nas loterias mais desejadas (como Mega da Virada, Quina de São João e Lotofácil da Independência, que apresentam premiações milionárias). Cada qual tem suas táticas e estratégias. No currículo, exibem os sucessos alcançados para se gabaritarem atrair sócios para novos concursos.

Duas coisas são certas no mundo das apostas em loterias: a primeira é a máxima de que “só ganha quem joga”, verdade incontestável que atua como um gatilho que impulsiona a apostar. E a segunda é que jogar em mais dezenas aumenta as chances de ganhar, e os números não mentem. Confira:

  • Segundo a Caixa, com uma aposta simples (de seis números) a chance de uma pessoa ganhar é de uma em 50.063.860. Com sete dezenas, a chance melhora para uma em 7.151.980. Com oito, a chance melhora para uma em 1.787.995. E assim por diante. 
  • Mas, assim como as chances de faturar aumentam, aumentam também os custos das apostas: seis dezenas custam R$ 6; sete dezenas, R$ 42; oito dezenas, R$ 168. Ou seja, o preço sobe de forma não linear, mas sim exponencialmente, até o número máximo de 15 dezenas para um único volante estipulado pela Caixa: custo de R$ 30.030,00, que equivale a uma chance em 10.003.

Dessa maneira, apostar em muitas dezenas sozinho acaba sendo financeiramente impossível para a maioria das pessoas, e juntar um grupo para pagar o alto custo de uma aposta maior, dividindo tanto o valor investido quanto o prêmio final, caso vençam, é bem mais viável.

Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles

Por isso os bolões fazem tanto sucesso, apesar de não serem garantia de prêmio, eles aumentam a esperança em ser sorteado. E, alguns nomes, vêm ganhando maior notoriedade devido à quantidade de prêmios que acumulam. Confira, abaixo, algumas figuras mais conhecidas:

Paulinha Leite

Ex-BBB Paulinha Leite

Direto do BBB para a agência mais próxima da Caixa Econômica para retirar mais um prêmio. Essa parece ser a rotina de Paula Cristina de Souza Leite, que ficou famosa por ter participado da 11ª edição do reality global e depois por ganhar diversas vezes na loteria.

Já no confinamento, Paulinha se destacou por ganhar vários prêmios, como um apartamento na Barra da Tijuca (RJ), um carro e três motocicletas — como se não bastasse, no dia seguinte ao sair do programa, ela comprou uma raspadinha de loteria e faturou mais R$ 10 mil. A partir daí foi uma atrás da outra.

Mas a sorte da roraimense de 39 anos, que atualmente é casada com um norte-americano e mãe de gêmeos, veio desde a infância. Quando tinha 10 anos, marcou uma cartela para a mãe em um bolão da família, que acabou sendo premiado.

Por conta própria, pouco antes de entrar no BBB, Paulinha faturou R$ 274 mil também em um bolão da família. As dezenas que ela escolheu acertaram a quina da Mega da Virada.

Ela hoje gerencia uma empresa especializada em organização de bolões, chamada Unindo Sonhos. Estima-se que, com a empresa, Paulinha já tenha ganhado mais de 60 vezes na loteria, em premiações como quadras, quinas, Lotofácil (modalidade que mais ganhou) e Mega-Sena.

Para se ter uma ideia, Paulinha já ganhou por seis anos seguidos o prêmio da Lotofácil da Independência, junto a outras pessoas do bolão. A última aposta que ganhou foi na Mega da Virada de 2025, quando acertou duas vezes na quina. Ela fez um jogo de 20 números, a maior aposta possível, o que custou R$ 232.560.

Ver essa foto no Instagram

Um post compartilhado por Unindo Sonhos I Bolões de Loteria 🍀 (@unindosonhoss)

Mas nem tudo são trevos de quatro folhas na vida da premiada. Desde 2022, a própria Caixa processa Paulinha alegando exploração ilegal dos serviços de loteria em comercialização de bolões on-line. Ela sustenta ser apenas uma intermediadora que adquire apostas em lotéricas oficiais, sem explorar um serviço próprio de sorteios.

Após perder na primeira instância, e ex-BBB conseguiu que a 11ª Turma do TRF da 1ª Região liberasse o funcionamento provisório da empresa de bolões, mas sem usar as marcas da Caixa e deixando claro aos clientes que não tem vínculo oficial com o banco.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todasVer todas as newsletters

Alessandro Montenegro

Rei do Bolão exibe bilhete premiado da Lotofácil

Apenas dois dias após ganhar pela segunda vez na Mega-Sena neste ano, o empresário cearense Alessandro Montenegro, conhecido como “Rei do Bolão”, ganhou na Lotofácil e teve definitivamente os holofotes do Brasil voltados para ele e sua lotérica, a Aldeota, que fica em Fortaleza. 

É a 10ª vez só em 2026 que Alessandro participa de um bolão e conquista o prêmio principal.

A Loteria Aldeota, porém, foi fundada em 2005 e a primeira aposta premiada a sair pelo estabelecimento foi apenas 15 anos depois, em 2020, quando um bolão ganhou R$ 105 milhões na Mega (o prêmio total foi dividido entre 35 apostadores, resultando em aproximadamente R$ 3 milhões para cada cota).

Em entrevista ao Metrópoles, Alessandro não se diz supersticioso, pelo contrário, para ele a melhor estratégia é apostar em mais números para aumentar as chances de vencer.

“Quando se faz uma aposta simples na Mega-Sena, a probabilidade de ganhar é de uma em 50 milhões. Se o apostador fizer uma cartela de 15 dezenas, semelhante à que fizemos no prêmio de agora, a probabilidade diminui, e muito, de uma em 10 mil”, afirmou.

Ver essa foto no Instagram

Um post compartilhado por Loteria Aldeota | Rei Do Bolão (@loteriaaldeota)

A estratégia, porém, é bem mais dispendiosa. Muito além dos R$ 6 cobrados em uma aposta única de seis números, uma aposta de 15 dezenas custa R$ 30.030. E é justamente aí que entra o bolão. “Você consegue participar de uma aposta com mais dezenas, aumentando as possibilidades, sem precisar arcar sozinho com todo esse valor”, afirma Alessandro.

“Eu sempre digo que sou quem mais acredita nos nossos bolões, e não é à toa que participo deles. A sorte faz parte de qualquer loteria e ninguém controla o resultado de um sorteio, mas existe muito trabalho antes disso. São anos estudando as modalidades, trabalhando com matemática e probabilidade, e buscando montar bolões cada vez mais competitivos”, destaca Alessandro.

Para gerir seu negócio, ele conta com uma equipe de 100 colaboradores que trabalham em um sistema de rodízio para estudar estatísticas, preencher previamente os volantes da Mega-Sena, Lotofácil e Quina e deixá-los prontos para venda.

Outra estratégia adotada é que as combinações de números não mudam a cada concurso; a numeração dos bilhetes permanece sempre a mesma.

“Meus bolões são estudados. Eu tenho um sistema próprio que desenvolvi e, desde 2019, trabalho com determinadas combinações de números que não ficam mudando a cada concurso. Os volantes já ficam preparados e, conforme o prêmio vai acumulando, eu aumento a quantidade de dezenas. Já são anos trabalhando com as mesmas combinações. Não existe uma dezena específica que eu possa dizer que é a minha preferida. O que existe é um estudo das combinações e a decisão de manter aquela numeração ao longo do tempo”, explicou.

Sobre o que faz com os prêmios que ganha como cotista, Alessandro disse que não consegue ficar com o dinheiro parado. “No prêmio de maio, por exemplo, quitei meu financiamento imobiliário, comprei um apartamento para minha mãe e meu pai e também fiz melhorias na empresa. É assim: vamos jogando, vamos ganhando e, na verdade, destinando esses recursos”‘, relatou.

Glacieu Andrade

Sargento Glacieu Andrade

O sargento Glacieu Andrade, da Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO), ganhou notoriedade nacional recentemente, após investir R$ 13,2 milhões em apostas para a Mega da Virada de 2025, faturando 45 quinas e mais de 2 mil quadras.

Apesar do alto investimento do grupo de Cachoeira Dourada, no sul de Goiás, não ter compensado (os cotistas tiveram que dividir cerca de R$ 1 milhão), o bolão ganhou ainda mais fama.

Eles fizeram 57 jogos com 20 números cada (a aposta possível de maior chance de vitória), ao custo individual de R$ 232,5 mil, mas não conseguiram acertar os seis números. Foram milhares de apostadores reunidos e com cotas diferentes de participação: R$ 2.280, R$ 1.956 e R$ 900, a depender do grupo em que eram incluídos.

Na edição anterior, de 2024, ele faturou valor semelhante ao acertar 10 quinas e 222 quadras. No total, o grupo já acertou a quina da Mega da Virada 15 vezes nos últimos seis anos, impulsionado pela estratégia de registrar cartelas de 20 números, o limite máximo de dezenas permitido.

Há 13 anos, Glacieu idealizou o grupo com cerca de 50 cotistas, que eram, em sua maioria, colegas da PM. Com o passar do tempo, os prêmios foram vindo, assim como mais dinheiro para apostas em mais dezenas, e hoje a empreitada conta com mais de 2 mil participantes.

Ao longo de sua trajetória, o grupo acumulou aproximadamente R$ 15 milhões em prêmios somados. Outro prêmio expressivo foi na Lotofácil da Independência, na qual o grupo faturou R$ 4,9 milhões.

Ver essa foto no Instagram

Um post compartilhado por Glaciel Andrade (@sgtglacielandrade)

Para gerenciar apostas de grande porte, o sargento organiza o grupo em diferentes modalidades e subgrupos. Um dos formatos mais conhecidos é o grupo dos “hunters” (caçadores, na tradução do inglês). Glaciel conta ainda com o auxílio de programadores de sistemas, inteligência artificial e modelos estatísticos de fechamento combinatório para otimizar as escolhas das dezenas e aumentar as chances de acerto.

O nome do sargento também já figurou nas páginas policiais dos jornais em maio deste ano, quando a secretária Claudiane Santos Silva denunciou ter sido vítima de agressão física pelo sargento e sua esposa.

Segundo a vítima, ela estava na cidade visitando a família quando parou em um bar para cumprimentar amigos, ocasião em que o sargento teria se aproximado de forma agressiva, puxado-a para um local fora do alcance das câmeras de segurança e desferido socos em seu rosto, enquanto sua esposa também a agredia.

Claudiane atribuiu a violência a divergências políticas do passado, mas Glaciel negou alegando que a mulher teria insultado verbalmente sua família e agredido sua esposa com um tapa no rosto, e que sua companheira apenas revidou a agressão sofrida.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Lorena Pacheco.