A cidade de São Paulo teve recorde de motociclistas mortos no trânsito entre janeiro e julho. Foram 286 óbitos, o maior número para os sete primeiros meses do ano desde o início da série histórica, em 2015, representando praticamente a metade (49,7%) das fatalidades em decorrência de acidentes na capital paulista, segundo o Infosiga.
A participação de motociclistas sobre o total de mortos cresceu, proporcionalmente, mais do que o total de motos em relação à frota paulistana. É possível inferir que o “boom” das motocicletas na última década é relevante nessa conta, mas não justifica, por si só, o recorde no número de mortos.
William Cardoso/Metrópoles2 de 6
Motos na Marginal Pinheiros, em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles3 de 6
Motos na Marginal Pinheiros, em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles4 de 6
Acidente de moto na Avenida Rebouças, em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles5 de 6
Acidente de moto na Avenida Rebouças, em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles6 de 6
Acidente de moto na Avenida Rebouças, em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a participação das motos em relação à frota de veículos cresceu 18,7% entre 2015 e 2025 da capital paulista. No primeiro ano da série histórica do Infosiga, eram quase 867 mil motocicletas (11,4% da frota). No ano passado, as motos já somavam mais de 1,35 milhão (13,5% da frota).
Em comparação com 2015, a participação dos motociclistas sobre o número de mortos no trânsito paulistano cresceu 43% nos sete primeiros meses de 2025 (de 32% para 46%). O mesmo comparativo em relação a 2026 mostra aumento de 53%.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles SP
Veja os números
Entre as 286 mortes registradas nos sete primeiros deste ano pelo Infosiga, duas foram decorrentes de acidentes em 2025. Um deles aconteceu em 22 de dezembro e o outro no Natal, com os óbitos ocorrendo em janeiro.
Fenômeno que tem dominado as grandes cidades nos últimos anos, o serviço de delivery por aplicativos incentiva comportamentos de risco por parte de motociclistas, como o Metrópoles mostrou na reportagem “Mete Marcha”.
Perfil
O Metrópoles traz também um perfil de quem são os motociclistas mortos no trânsito paulistano entre janeiro e julho deste ano. Veja os principais pontos:
- 89% dos mortos eram homens
- 48% tinham de 18 a 29 anos de idade
- 34,3% morreram na própria via, antes da transferência para hospital
- 90% dos mortos conduziam a moto
- 70% das pessoas mortas na garupa eram mulheres
- 71,3% morreram no próprio dia do acidente
Sobre a profissão das vítimas, os dados são insuficientes para uma análise detalhada. Apenas 109 (38%) mortos tiveram a ocupação discriminada na planilha do Infosiga. Entre essas, 32 (29%) foram identificados como sendo motoboys ou entregadores.
O que diz a Prefeitura de São Paulo
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) afirma que realiza ações contínuas para ampliar a segurança de todos os usuários do sistema viário.
Segundo a CET, entre as principais iniciativas está a Faixa Azul. Atualmente são 233,3 kms em 46 vias, beneficiando diariamente 500 mil motociclistas.
Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP
Frequência de envio: Diário
Ver todasVer todas as newsletters
Além das vias com sinalização especial para motociclistas, a CET diz que investiu na implantação das Frentes Seguras em mais de mil bolsões de espera (boxes) nos semáforos, campanhas educativas e cursos no Centro de Treinamento e Educação de Trânsito (CETET).
A Prefeitura de São Paulo também afirma que reforçou o monitoramento e a fiscalização do trânsito, que é realizada em conjunto com a Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana (GCM).
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por William Cardoso.




