O Estado do Rio de Janeiro solicitará o apoio do Exército e da Polícia Federal para retomar territórios controlados por organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas. A medida será discutida com representantes do governo Lula e apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) até 15 de outubro.
O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor dos Santos, informou que as operações conjuntas poderão ocorrer ainda em 2025.
A proposta de retomada será enviada ao Supremo em cumprimento à decisão da Corte na chamada “ADPF das Favelas”. Em abril, o STF determinou que o governo do Rio elabore um plano amplo de reocupação das comunidades dominadas por grupos armados, como parte de um conjunto de medidas para reduzir a letalidade policial no Rio de Janeiro.
O secretário afirmou que a atuação do Estado nas comunidades não se dará apenas por meio de operações policiais. “O poder público não pode se fazer presente na comunidade só com polícia. O Estado tem que se fazer presente de forma plena. E, quando falo ‘Estado’, falo município, estado e União”, disse Victor dos Santos.



O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, Victor dos Santos, quer apoio do Exército

Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro
Divulgação/Governo do Rio de Janeiro
O presidente Lula (PT) com o governador do Rio, Claudio Castro (PL)
GovRJ
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
De acordo com ele, o plano está sendo elaborado por um grupo de trabalho que reúne diversas câmaras temáticas. Entre os eixos destacados, estão segurança e justiça, inclusão social e estímulo à economia local.
“Existe um comércio explorado por essas organizações criminosas: internet, gás, energia elétrica. O tráfico aprendeu com a milícia no passado e, hoje, não é só a droga que se vende. A luta é pelo território, que é sinônimo de receita”, declarou Victor dos Santos.
GLO é “opção logística”
O uso das Forças Armadas e de mecanismos como a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) está sendo avaliado como possibilidade logística, conforme explicou o secretário. A proposta, segundo ele, é integrar todas as forças em ações coordenadas. “As forças [de segurança] têm de estar integradas e coordenadas para a retomada do território para a população de bem que mora ali”, declarou.
Apesar da menção ao Exército, o governo estadual ainda conversará com a União sobre o emprego das Forças Armadas.
“Temos que ter uma estrutura ou uma operação que mostre que está bem planejada para que eles [municípios e União] participem. É como a minuta de um contrato, um pacto pela ordem para livrar as comunidades da criminalidade.”
Leia também
-
Quem é a mulher que chamou Michelle Bolsonaro de ex-garota de programa
-
O destino do impeachment de Dino protocolado por Nikolas no Senado
-
“STF invade o espaço de outros poderes”, diz André Mendonça
-
Michelle aciona Justiça após ser chamada de “ex-garota de programa”
O secretário afirmou que o plano será construído de forma a não ser afetado pelas disputas eleitorais em 2026. O governador Cláudio Castro (PL) e o presidente Lula (PT) são filiados a partidos antagônicos. Já o prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes, é integrante do PSD.
“A governança é compartilhada. Independentemente de partidos políticos, os três eixos vão estar envolvidos na governança”, disse. Ele informou que o documento trará cronograma, metas e indicadores de desempenho para acompanhamento dos resultados.
Victor dos Santos ressaltou, ainda, que a Polícia Federal tem estreitado as relações com as forças de segurança do Rio de Janeiro para combater o tráfico e a milícia.







