Exclusivo Rock in Rio: quando chuva, filas e banheiros unissex complicam o básico
O perrengue deixou de ser parte do festival e passou a ocupar espaço demais dentro dele
Todo mundo que saiu de casa no dia 6 de setembro sabia que São Pedro já tinha dado a sua cartada. A chuva, praticamente ininterrupta ao longo do dia, não dava muita margem para ilusões. Saímos munidos de capa, bota, galocha, casaco impermeável e tudo aquilo que pudesse nos proteger ou, pelo menos, nos fazer acreditar que estávamos preparados.
Chuva faz parte. Quem frequenta festivais sabe que algum perrengue é inevitável. Acompanho o Rock in Rio desde 2015 e sei que filas, cansaço e imprevistos fazem parte. Mas, dessa vez, foi diferente. O problema não foi a chuva em si, mas a forma como ela afetou toda a operação. Brinquedos comprometidos por questões de segurança e filas intermináveis fizeram com que até o básico comer e fazer xixi se tornasse praticamente impraticável.
Veja as fotos
Banheiro feminino e unissex no Rock In RioFoto: Reprodução Banheiro feminino e unissex no Rock In RioFoto: Reprodução Banheiro unissex no Rock In Rio 2026Foto: Reprodução Rock In Rio 2026Foto: Rebecca Maria / Agência O Globo Rock In Rio 2026Foto: Pedro Coutinho/Veja Rio
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Os banheiros, de maneira geral, enfrentaram o problema das filas. Cheguei a ver aproximadamente 200 metros de fila para uma necessidade básica. E, nesse cenário, a configuração do TODS+ For All, uma das opções de banheiro unissex do festival, me pareceu dificultar ainda mais o fluxo. Antes que alguém distorça: não é uma crítica à inclusão. É uma questão de operação. Homens que poderiam utilizar rapidamente um mictório passam a disputar as mesmas cabines e, em um festival com milhares de pessoas, segundos a mais por atendimento viram minutos de espera. O TODS+ não foi o único responsável pelas filas, longe disso, mas, na minha experiência, pareceu contribuir para tornar o fluxo ainda mais lento.
E não foi só para fazer xixi. Comer também virou uma prova de resistência. Filas enormes, espera interminável e a sensação de que você precisava escolher entre perder boa parte do show ou simplesmente desistir de se alimentar. Vi gente recorrendo às laterais dos banheiros e ao gramado para resolver uma necessidade básica que a estrutura deveria dar conta de atender. Em determinado momento, a pergunta deixou de ser “qual show eu quero ver?” e passou a ser: “qual fila eu consigo enfrentar hoje?”
Esta foi minha sexta edição do Rock in Rio — 2015, 2017, 2019, 2022, 2024 e 2026 — e, sem dúvida, a pior experiência que tive. Não pela chuva, mas porque o perrengue deixou de ser parte do festival e passou a ocupar espaço demais dentro dele. Fui preparada para enfrentar os desígnios de São Pedro. Só não esperava precisar enfrentar o próprio Rock in Rio.
A chuva passou. A lama vai secar. Mas a sensação de que, dessa vez, o perrengue foi maior que a experiência… essa vai ficar.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Alexia Alcantarino.




