Exclusivo Rodrigo Fagundes revela que “Quem Ama Cuida” o ajudou a perdoar o pai: “Nunca é tarde”
Ator vê semelhanças entre Otoniel (Tony Ramos) e o pai, já falecido, e conta como trama com Tony Ramos mudou seu olhar sobre o passado
A convivência com Tony Ramos nos bastidores de “Quem Ama Cuida” e a relação de Otoniel com o neto Mau Mau (João Victor Gonçalves) têm provocado reflexões profundas em Rodrigo Fagundes. Intérprete de Nicolau na novela das nove, o ator revelou à coluna que a trama o fez revisitar a relação conturbada que teve com o próprio pai, já falecido, e está ajudando-o em um processo de compreensão e perdão.
Rodrigo conta que passou a reconhecer no comportamento de Otoniel traços que o remetem diretamente ao pai. Na novela, o personagem de Tony Ramos tem dificuldade para lidar com a sexualidade de Mau Mau e já protagonizou momentos duros com o neto. Para o ator, acompanhar de perto essa história trouxe uma nova perspectiva sobre situações dolorosas que viveu dentro de casa.
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Nicolau ajudará Otoniel a desvendar sua mediunidade em “Quem Ama Cuida”
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“Vendo a relação do Otoniel com o Mau Mau, tenho pensado sobre a minha relação com meu pai. Ele tem essa parte da homofobia com o neto, que é uma ignorância, vamos dizer. E isso está me fazendo perdoar e entender mais o meu pai, com quem eu tive uma relação muito conturbada durante a minha vida toda”, contou Rodrigo à coluna.
A relação entre pai e filho chegou a ser marcada por longos períodos de afastamento. Rodrigo revelou que passou até um ano sem falar com o pai e que, recentemente, falou publicamente sobre episódios difíceis de sua infância e sobre como o comportamento dos pais diante de sua maneira de ser deixou marcas.
“Há pouco tempo dei uma entrevista falando meio mal dele, falei o que acontecia, que ele era tóxico, que a minha mãe me batia porque eu gostava de pegar a boneca Emília… Então, quando o Otoniel aparece, eu vejo muito o meu pai quando ele está com o Mau Mau.”
O que mudou, segundo Rodrigo, foi a forma como passou a interpretar determinadas atitudes. Ao acompanhar as camadas que Tony Ramos vem dando a Otoniel, o ator começou a enxergar que comportamentos que provocaram sofrimento também podem ter nascido da falta de informação e da incapacidade de compreender aquilo que era diferente do universo no qual seu pai havia sido criado.
“Agora, compreendendo que ele não é uma pessoa ruim. Ele é uma pessoa ignorante, ignorante no sentido da falta de informação. E isso está sendo muito bonito, esclarecedor para mim”, explicou.
A identificação ganhou ainda mais força justamente agora que Nicolau e Otoniel passam a dividir mais cenas em “Quem Ama Cuida”. Na trama, Nicolau terá importância na jornada do personagem de Tony Ramos para compreender a própria mediunidade. A aproximação dos dois personagens acabou proporcionando também uma convivência maior entre os atores nos bastidores.
E, para Rodrigo, trabalhar tão próximo de Tony tem sido uma experiência à parte. A admiração pelo veterano existia muito antes da parceria na novela, mas ganhou outra dimensão com o contato diário.
“Estar com o Tony na novela e vendo esse personagem dele, o desenrolar, lembrando muito o meu pai… Isso tudo está me fazendo perdoá-lo. Meu pai já faleceu, mas nunca é tarde para perdoar no coração”, afirmou.
Se Otoniel mexe com Rodrigo por questões pessoais, Tony Ramos o impressiona pela relação que mantém com a profissão depois de tantas décadas de carreira. O ator não economiza elogios ao colega e coloca essa parceria entre os grandes presentes que recebeu em “Quem Ama Cuida”.
“Para mim, depois de ter a Tatá (Werneck) omo parceira de cena, o maior presente da novela tem sido trabalhar com Tony Ramos. Ele é um farol para mim! Ele é maravilhoso”, disse.
A relação entre os dois já ultrapassou os encontros diante das câmeras. Tony Ramos fez questão de prestigiar Rodrigo no teatro e assistiu a “O Formigueiro”, espetáculo protagonizado pelo ator. Nos Estúdios Globo, uma conversa entre os dois acabou se estendendo tanto que Rodrigo simplesmente abriu mão da pausa para comer.
“Outro dia eu perdi o meu horário de almoço porque fiquei conversando com ele no camarim. Fiquei 45 minutos conversando só eu e o Tony Ramos. Ele foi ver minha peça, ‘O Formigueiro’, e amou o espetáculo”.
Mais do que a atenção do colega, Rodrigo destaca algo que pôde comprovar apenas agora, trabalhando ao lado de Tony: a paixão que o veterano continua demonstrando pelo trabalho: “Ele tem um amor pelo ofício que eu sempre admirei e, agora, estou vendo ali no dia a dia como é bom estar com ele”.
A parceria acabou, assim, ganhando significados que Rodrigo provavelmente não imaginava quando os caminhos de Nicolau e Otoniel começaram a se cruzar com mais força na história. Na ficção, será Nicolau quem ajudará Otoniel a entender sua mediunidade e a lidar com um universo que durante muito tempo lhe pareceu incompreensível. Fora dela, o movimento acabou sendo quase inverso: através de Otoniel e da convivência com Tony Ramos, Rodrigo encontrou uma nova maneira de olhar para o próprio pai.
Um perdão que chegou depois da morte, mas que, como o próprio ator resumiu, nunca é tarde para acontecer “no coração”.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Carla Bittencourt.




