Ao contrário de Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, é capaz de cunhar frases e fazer comparações que ficam na memória das pessoas. Ele demonstrou isso na convenção do PSD de Gilberto Kassab, que o lançou candidato à Presidência da República. Em tempos de “farmar aura” — ou seja, acumular estilo, carisma e presença diante dos outros —, até que ele se sai razoavelmente bem; só falta melhorar a linguagem corporal.
“Quem rouba com a mão esquerda ou quem rouba com a mão direita é ladrão”, disse Caiado. Ele faz questão de se apresentar como um “galo de terreiro” que só briga “pelo que interessa”, enquanto Flávio seria um “frango de granja” que, à primeira dificuldade, “chama o papai” e lê “uma carta dele como quem come uma raçãozinha ou toma um antibiótico”.
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Por ora, Flávio é o candidato do “sem, sem, sem”: sem um vice para completar sua chapa; sem apoio de partidos, a não ser o PL, reduto da sua família; e sem palanques fortes em pelo menos sete estados — entre eles, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas finge apoiá-lo, mas não convence. A qualquer momento, a distância entre eles poderá ser explicitada por meio de algum fato que se torne público.
A convenção do PSD foi marcada pela ausência de nomes de peso do partido, como o ex-prefeito e candidato ao governo do Rio, Eduardo Paes, que apoia a candidatura de Lula; a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, que se mantém próxima a Lula; e o governador de Minas, Mateus Simões, que apoia Zema. Por outro lado, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, que tentou se candidatar à Presidência pelo Democracia Cristã, foi visto ao lado de Caiado.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Ricardo Noblat.




