O ativista e estudante Samoel Andrade publica carta aberta sobre inclusão e direitos das pessoas com deficiência nesta sexta-feira (21), no início da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla. Na mensagem, ele defende acessibilidade, participação social, autonomia e protagonismo das pessoas com deficiência na construção das políticas públicas.
A publicação foi compartilhada nas redes sociais e em grupos de mensagens e apresenta uma reflexão sobre os desafios enfrentados diariamente por pessoas com deficiência e suas famílias.
Carta é publicada no início da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência
A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla ocorre entre os dias 21 e 28 de agosto e busca ampliar a conscientização sobre os direitos das pessoas com deficiência, combater o preconceito e fortalecer a inclusão social.
Em 2026, a mobilização utiliza o tema “Deficiência não define. Oportunidade transforma. Inclua nossa voz!”, destacando a importância do protagonismo das próprias pessoas com deficiência.
Foi nesse contexto que Samoel decidiu publicar sua carta aberta.
Segundo ele, a ausência de uma programação específica não deveria impedir a discussão sobre inclusão.
“A inclusão precisa ser lembrada mesmo quando não existe um palco, uma solenidade ou uma atividade oficial.”
Samoel relata experiência pessoal com a deficiência
Na carta, Samoel Andrade relata aspectos de sua trajetória pessoal e afirma que nasceu na zona rural de Sena Madureira.
Ele também conta que foi diagnosticado com paralisia cerebral ainda nos primeiros meses de vida e que, ao longo de sua trajetória, teve contato com diferentes barreiras enfrentadas pelas pessoas com deficiência.
Entre os obstáculos citados estão dificuldades de acessibilidade, educação, trabalho, participação social e preconceito.
Para Samoel, uma das principais mudanças necessárias é na maneira como a sociedade enxerga a deficiência.
Segundo ele, muitas vezes a pessoa é definida inicialmente pela deficiência, enquanto sua história, seus sonhos, capacidades e projetos acabam ficando em segundo plano.
“Deficiência não define”, afirma ativista
Um dos pontos centrais da carta é a defesa de que uma deficiência não determina a inteligência, o caráter, os sonhos ou o futuro de uma pessoa.
Samoel argumenta que oportunidades adequadas podem contribuir para que pessoas com deficiência desenvolvam suas capacidades e tenham maior autonomia.
Entre os fatores considerados importantes estão educação de qualidade, trabalho, tecnologia assistiva, acessibilidade, participação social e igualdade de oportunidades.
A mensagem acompanha o conceito defendido pela campanha nacional deste ano, que chama atenção para as barreiras sociais, comunicacionais, estruturais e atitudinais que ainda dificultam a participação plena das pessoas com deficiência.
“Nada sobre nós sem nós”
Outro trecho de destaque da carta é a defesa do princípio “Nada sobre nós sem nós”.
Samoel afirma que pessoas com deficiência precisam participar diretamente dos espaços onde são discutidas e formuladas políticas públicas relacionadas às suas vidas.
Na avaliação apresentada na carta, essa participação deve alcançar áreas como educação, saúde, assistência social, acessibilidade e trabalho.
“Não queremos apenas falar sobre inclusão. Queremos ajudar a construir a inclusão.”
Para o ativista, ouvir diretamente as pessoas que enfrentam as barreiras é fundamental para que as políticas públicas sejam mais eficientes.
Inclusão não pode terminar em 28 de agosto
Samoel também questiona o que acontecerá depois do encerramento da Semana Nacional, em 28 de agosto.
Na avaliação dele, a inclusão não pode ser tratada apenas como uma campanha anual ou uma pauta que ganha visibilidade durante determinados períodos.
Ele defende que a acessibilidade e a inclusão sejam incorporadas permanentemente ao cotidiano das escolas, universidades, hospitais, empresas, repartições públicas, sistemas de transporte, ruas e espaços de participação política.
“A inclusão verdadeira é participação. É oportunidade. É respeito. É autonomia. É cidadania.”
Carta também traz mensagem às famílias
A mensagem publicada por Samoel também é direcionada às famílias de pessoas com deficiência.
Ele reconhece as dificuldades enfrentadas diariamente por mães, pais e responsáveis, incluindo consultas, tratamentos, educação, transporte, burocracia, falta de acessibilidade, preconceito e dificuldades financeiras.
Na carta, o ativista incentiva as famílias a continuarem buscando seus direitos e participando das discussões sobre políticas públicas.
Para ele, a participação familiar é importante para transformar experiências individuais em reivindicações coletivas.
“A pessoa com deficiência também tem voz”
Samoel também deixou uma mensagem diretamente às pessoas com deficiência.
Ele defende que nenhuma pessoa permita que sua deficiência seja utilizada para determinar seus sonhos ou limitar suas possibilidades.
“Você tem história. Você tem capacidade. Você tem sonhos. Você tem direitos. E você tem voz. Use essa voz.”
A mensagem reforça a ideia de protagonismo presente no tema da campanha nacional de 2026.
Ativista cobra participação nas políticas públicas
A carta também apresenta um chamado aos gestores públicos e políticos.
Samoel defende que pessoas com deficiência sejam convidadas a participar diretamente das discussões e decisões relacionadas às políticas públicas destinadas ao segmento.
Segundo a reflexão apresentada, não basta criar programas e ações para pessoas com deficiência sem ouvir quem vivencia diariamente as barreiras existentes.
“A verdadeira inclusão começa quando deixamos de ser apenas beneficiários de políticas públicas e passamos também a ser protagonistas da sua construção.”
A defesa do protagonismo busca ampliar a participação das pessoas com deficiência para além da condição de beneficiárias de programas governamentais.
“A deficiência não escreverá sozinha o nosso destino”
Na conclusão da carta, Samoel afirma que a deficiência faz parte de sua história, mas não deve representar a totalidade de sua identidade.
Ele se apresenta também como estudante, filho, amigo, cidadão e ativista, destacando a intenção de contribuir para a sociedade.
A mensagem final reforça a defesa da inclusão e da participação:
“Deficiência não define.
Oportunidade transforma.
Inclua nossa voz!”
Semana Nacional segue até 28 de agosto
A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla segue até 28 de agosto.
Durante o período, entidades, famílias, profissionais e pessoas com deficiência ampliam o debate sobre inclusão, acessibilidade, combate à discriminação e participação social.
Para Samoel Andrade, porém, a discussão não deve terminar com o encerramento da semana.
A proposta apresentada na carta é que a inclusão seja tratada como uma responsabilidade permanente da sociedade e do poder público, com participação efetiva das próprias pessoas com deficiência na construção das soluções.




