
A segurança na cidade de Assis Brasil, cidade do interior do Acre que faz fronteira com o Peru, foi reforçada para impedir a venda ilegal de combustível para peruanos que buscam abastecimento no lado brasileiro. Nesse sábado (4), equipes da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Estado (Sejusp) se reuniram com representantes da prefeitura para debater o reforço do policiamento e de assistência.
“Permanecem na fila esperando a próxima remessa, mas já acabou. Essa próxima remessa é para agora à tarde, depois das 16h”, explicou o vice-prefeito de Assis Brasil, Reginaldo Martins.
Os viajantes são, em maioria, da cidade de Iñapari, que faz fronteira com o município acreano, e começaram a recorrer ao Acre no dia 23 de janeiro, por conta da falta de produtos no Peru em meio à crise política e confrontos entre manifestantes e a polícia. Na mesma semana, o prefeito Jerry Correia chegou a afirmar que a situação estava normalizada.
O vice-prefeito confirmou também que os estrangeiros têm buscados os supermercados e comércios da cidade para comprar comida e outros produtos de uso pessoal. Porém, afirmou que ainda não há relatos de desabastecimento do comércio.
“Eles compram, mas a população ainda não está reclamando de desabastecimento. O comércio tem tido a preocupação de manter o estoque e não está comprometido o abastecimento”, reafirmou.
Segurança reforçada
O secretário adjunto de Segurança Pública, coronel Evandro Bezerra, que esteve na fronteira nesse sábado, explicou que equipes do Grupo Especial de Fronteira e das polícias Rodoviária Federal (PRF-AC) e Militar (PM-AC) permanecem no posto de combustíveis auxiliando motoristas acreanos e peruanos.
“As equipes do Gefron, PRF e PM fazem ponto de permanência e patrulhamento para evitar qualquer problema. Teve um problema de acidente com uma criança [esses dias], que foi causado por um brasileiro, não foi uma contenda. É uma questão humanitária que os peruanos têm buscado recurso no ponto mais próximo, que é Assis Brasil. Não tem restrição na entrada deles”, reforçou.
O coronel destacou também que foi ajustado com o dono do posto para que uma das bombas de combustível fique exclusivamente para o abastecimento de veículos de emergência. “Os policiais estão no local, tem as equipes de inteligência também e estamos lá para fazer o atendimento caso haja algum problema. As filas são sequenciais porque buscam o combustível, cabe a gente manter a ordem no local e nas proximidades”, garantiu.
Bezerra acrescentou que foi identificado que algumas pessoas estariam tentando vender combustível de forma ilegal para os peruanos e as equipes da PRF-AC estão fazendo a fiscalização na BR para evitar a ação. “Até agora não houve prisão. Ontem [sábado, 4] a PRF tinha orientado várias pessoas, que possivelmente estavam se deslocando com o tambores para fazer a suposta venda, mas que ainda não tinham sido flagradas e foram orientadas sobre essa prática”, concluiu.
Crise política
O Peru vive uma crise política desde o ano pasado. As manifestações começaram depois que o Congresso derrubou o presidente Pedro Castillo, no dia 7 de dezembro. Castillo foi preso e condenado a uma pena inicial de 18 meses.
Ainda quando era presidente, ele era investigado em diversos processos. Castillo, então, tentou dissolver o Congresso. Sem apoio do exército, do Judiciário e do Legislativo, ele foi derrubado e preso horas depois.
A vice-presidente, Dina Boluarte, assumiu o cargo.
Por g1/Ac



