
A sessão da Câmara de Sena Madureira desta terça-feira expôs, mais uma vez, um problema crônico da política local: a dificuldade de separar divergências pessoais da responsabilidade de legislar para o povo. A rejeição em bloco dos projetos apresentados pelo vereador Maycon Moreira, líder do prefeito Gerlen Diniz na câmara, levanta uma questão que precisa ser discutida com seriedade: os parlamentares realmente analisaram o conteúdo das propostas ou apenas votaram contra para atingir o autor?
E aqui fica uma pergunta inevitável:
no meio dessa disputa interna, alguém parou para pensar na população?
Talvez não.
A Câmara Municipal não é uma arena pessoal. É um espaço de representação coletiva. E a função primordial de um vereador é criar leis que beneficiem a comunidade — independentemente de afinidades, desafetos ou disputas partidárias. Não é preciso gostar de um colega para reconhecer o mérito de uma proposta que atende o interesse público.
O eleitor também precisa refletir:
quantos bons projetos já foram enterrados simplesmente porque carregavam o nome “errado”?
Será que a população percebeu que, ao rejeitar iniciativas que protegiam mulheres, jovens e famílias inteiras, o Legislativo deixou de cumprir sua própria razão de existir?
Quando votam por antipatia, os vereadores não punem apenas o autor da proposta. Eles punem toda a cidade. Punem quem sofre violência e poderia receber apoio. Punem jovens que aguardam políticas públicas. Punem a sociedade que espera maturidade política e recebe, no lugar, pequenos conflitos travestidos de decisões legislativas.
A política precisa de debate, de divergência e até de confronto — isso faz parte do processo democrático. Mas quando a discordância supera o senso de responsabilidade, o Parlamento perde sua função e se transforma num palco de vaidades.
A pergunta que fica é simples e incômoda:
quem realmente pagou o preço dessa retaliação?
Seguramente, não foi o vereador.
Foi o povo.



