A disputa pelas 54 vagas do Senado em 2026 tem o maior número de mulheres candidatas dos últimos 16 anos. O avanço, porém, ainda está longe de equilibrar a corrida: dos 318 candidatos, 70 são mulheres e 248 são homens, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) compilados pelo Metrópoles.
As mulheres representam 22% das candidaturas, contra 78% dos homens. Isso significa que há cerca de 3,5 homens na disputa para cada mulher.
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do Metrópoles
O desequilíbrio também tem relação com as regras eleitorais. Como o Senado é escolhido pelo sistema majoritário, os partidos não precisam cumprir a cota que determina um mínimo de 30% e um máximo de 70% de candidaturas de cada gênero. A obrigação vale para eleições proporcionais, como as disputas para deputado e vereador.
Em 2025, a bancada feminina conseguiu incluir no projeto do novo Código Eleitoral uma reserva de 20% das cadeiras para mulheres na Câmara dos Deputados, assembleias legislativas e câmaras municipais, além da manutenção do piso de 30% de candidaturas femininas.
O texto passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas não concluiu a tramitação e a reserva não vale para o Senado.
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Esquerda concentra quase metade das candidatas
O desequilíbrio também varia bastante entre os partidos. UP, PSol, PT e PSTU concentram juntas 33 das 70 mulheres que disputam o Senado, ou 47,1% de todas as candidatas do país.
A Unidade Popular lidera em números absolutos, com dez candidatas, seguida pelo PSol, com nove. PT e PSTU têm sete mulheres cada.
Entre as siglas com pelo menos dez candidatos ao Senado, UP e PSol também estão entre as que mais se aproximam da paridade: em levantamento partidário divulgado em agosto, mulheres representavam cerca de 43% das candidaturas da UP e do PSol.
O contraste aparece no PL. A sigla tem quatro mulheres na disputa, apesar de ter lançado 33 candidatos ao Senado, o maior número entre os partidos. Nesse recorte, pouco mais de 12% dos nomes do partido são mulheres. MDB também tem quatro candidatas, enquanto PSB registra o mesmo número em um universo bem menor de dez concorrentes.
Há ainda partidos com candidatos ao Senado, mas nenhuma mulher como cabeça de chapa. É o caso de Avante, Agir, Mobiliza, PRD, PCB, PRTB e PV.
Ranking de candidatas por partido
- UP – 10;
- PSol – 9;
- PT – 7;
- PSTU – 7;
- PL – 4;
- MDB – 4;
- PSB – 4;
- PSD – 3;
- Democrata – 3;
- DC – 2;
- Republicanos – 2;
- PP – 2;
- União Brasil – 2;
- PDT – 2;
- Rede – 2;
- Novo – 1;
- PCO – 1;
- PSDB – 1;
- Podemos – 1;
- Missão – 1;
- Cidadania – 1;
- Solidariedade – 1.
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Senado terá 54 cadeiras em disputa em 2026; mulheres representam 22% das candidaturas ao cargo
Hugo Barreto/Metrópoles2 de 2
Apesar de lançar 33 candidatos ao Senado, o PL tem apenas quatro mulheres na disputa; na foto, Damares Alves (Republicanos-DF) e Bia Kicis (PL-DF), candidata ao Senado
Mulheres estão em todos os estados, mas presença varia
Todos os 26 estados e o Distrito Federal têm ao menos uma mulher candidata ao Senado em 2026. É a primeira vez, considerando a série acompanhada pelo Senado desde 2014, que isso se dá.
Em números absolutos, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo lideram, com cinco mulheres cada. Logo atrás aparecem Distrito Federal, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro e Rondônia, todos com quatro candidatas.
Rondônia é o estado em que as mulheres ocupam a maior fatia da disputa: são quatro entre dez concorrentes ao Senado, ou 40%. Em Santa Catarina, são cinco mulheres entre 13 candidatos, cerca de 38,5%; no Rio Grande do Norte, cinco entre 14, ou 35,7%.
São Paulo também tem cinco mulheres, mas em um universo maior, de 15 candidatos, o que corresponde a um terço da disputa.
No Distrito Federal, quatro dos 13 nomes são mulheres — Bia Kicis (PL), Erika Kokay (PT), Leila do Vôlei (PDT) e Michelle Bolsonaro (PL) —, cerca de 31%.
No Amapá, três dos nove candidatos são mulheres, também um terço do total. Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul e Roraima também têm três mulheres na disputa.
Na outra ponta, oito estados têm apenas uma candidata ao Senado: Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Sergipe e Tocantins. Em Alagoas, por exemplo, uma única mulher aparece entre sete concorrentes às duas vagas.
Este portal considerou os dados disponíveis no TSE até 9 de setembro de 2026. A base segue em atualização e pode sofrer alterações conforme o julgamento, substituição, renúncia ou alteração de registros de candidatura.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Luciana Saravia.




