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Senado tem o maior número de candidatas em 16 anos, mas homens são o triplo

Senado atualiza regras de custas judiciais e cria fundos ao STJ, MPU e DPU
Igo Estrela/Metrópoles

A disputa pelas 54 vagas do Senado em 2026 tem o maior número de mulheres candidatas dos últimos 16 anos. O avanço, porém, ainda está longe de equilibrar a corrida: dos 318 candidatos, 70 são mulheres e 248 são homens, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) compilados pelo Metrópoles.

As mulheres representam 22% das candidaturas, contra 78% dos homens. Isso significa que há cerca de 3,5 homens na disputa para cada mulher.

Em 2018, última eleição em que também foram disputadas duas cadeiras por unidade da Federação, eram 63 mulheres e 294 homens. Em 2010, quando igualmente estavam em jogo 54 vagas, 36 mulheres concorreram ao Senado, diante de 236 homens.

Em números absolutos, portanto, o total de mulheres na disputa cresceu 94,4% em 16 anos, de 36 para 70.  Na comparação com 2018, a alta foi de 11,1%. Em 2010, as candidatas representavam pouco mais de 13% do total; agora, são 22%.

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do Metrópoles

O desequilíbrio também tem relação com as regras eleitorais. Como o Senado é escolhido pelo sistema majoritário, os partidos não precisam cumprir a cota que determina um mínimo de 30% e um máximo de 70% de candidaturas de cada gênero. A obrigação vale para eleições proporcionais, como as disputas para deputado e vereador.

Em 2025, a bancada feminina conseguiu incluir no projeto do novo Código Eleitoral uma reserva de 20% das cadeiras para mulheres na Câmara dos Deputados, assembleias legislativas e câmaras municipais, além da manutenção do piso de 30% de candidaturas femininas.

O texto passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas não concluiu a tramitação e a reserva não vale para o Senado.

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Esquerda concentra quase metade das candidatas

O desequilíbrio também varia bastante entre os partidos. UP, PSol, PT e PSTU concentram juntas 33 das 70 mulheres que disputam o Senado, ou 47,1% de todas as candidatas do país.

A Unidade Popular lidera em números absolutos, com dez candidatas, seguida pelo PSol, com nove. PT e PSTU têm sete mulheres cada.

Entre as siglas com pelo menos dez candidatos ao Senado, UP e PSol também estão entre as que mais se aproximam da paridade: em levantamento partidário divulgado em agosto, mulheres representavam cerca de 43% das candidaturas da UP e do PSol.

O contraste aparece no PL. A sigla tem quatro mulheres na disputa, apesar de ter lançado 33 candidatos ao Senado, o maior número entre os partidos. Nesse recorte, pouco mais de 12% dos nomes do partido são mulheres. MDB também tem quatro candidatas, enquanto PSB registra o mesmo número em um universo bem menor de dez concorrentes.

Há ainda partidos com candidatos ao Senado, mas nenhuma mulher como cabeça de chapa. É o caso de Avante, Agir, Mobiliza, PRD, PCB, PRTB e PV.

Ranking de candidatas por partido

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Senado terá 54 cadeiras em disputa em 2026; mulheres representam 22% das candidaturas ao cargo

Hugo Barreto/Metrópoles2 de 2

Apesar de lançar 33 candidatos ao Senado, o PL tem apenas quatro mulheres na disputa; na foto, Damares Alves (Republicanos-DF) e Bia Kicis (PL-DF), candidata ao Senado

Mulheres estão em todos os estados, mas presença varia

Todos os 26 estados e o Distrito Federal têm ao menos uma mulher candidata ao Senado em 2026. É a primeira vez, considerando a série acompanhada pelo Senado desde 2014, que isso se dá.

Em números absolutos, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo lideram, com cinco mulheres cada. Logo atrás aparecem Distrito Federal, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro e Rondônia, todos com quatro candidatas.

Rondônia é o estado em que as mulheres ocupam a maior fatia da disputa: são quatro entre dez concorrentes ao Senado, ou 40%. Em Santa Catarina, são cinco mulheres entre 13 candidatos, cerca de 38,5%; no Rio Grande do Norte, cinco entre 14, ou 35,7%.

São Paulo também tem cinco mulheres, mas em um universo maior, de 15 candidatos, o que corresponde a um terço da disputa.

No Distrito Federal, quatro dos 13 nomes são mulheres — Bia Kicis (PL), Erika Kokay (PT), Leila do Vôlei (PDT) e Michelle Bolsonaro (PL) —, cerca de 31%.

No Amapá, três dos nove candidatos são mulheres, também um terço do total. Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul e Roraima também têm três mulheres na disputa.

Na outra ponta, oito estados têm apenas uma candidata ao Senado: Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Sergipe e Tocantins. Em Alagoas, por exemplo, uma única mulher aparece entre sete concorrentes às duas vagas.

Este portal considerou os dados disponíveis no TSE até 9 de setembro de 2026. A base segue em atualização e pode sofrer alterações conforme o julgamento, substituição, renúncia ou alteração de registros de candidatura.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Luciana Saravia.

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