Uma nova pesquisa revela que o sistema prisional transfere bilhões em custos para famílias de presos no Brasil. O levantamento estima que familiares gastem aproximadamente R$ 4,33 bilhões por ano com visitas, transporte, alimentação, hospedagem e itens destinados às pessoas encarceradas.
O estudo “A pena sem sentença: famílias, gênero e a expansão silenciosa do poder punitivo” foi elaborado pela Pastoral Carcerária Nacional em parceria com a Assessoria Popular Maria Felipa. A pesquisa ouviu 2.706 pessoas, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 3%.
Visitas podem consumir mais de R$ 1 mil por mês
Os números mostram o peso financeiro que a rotina de visitas pode representar. De acordo com a pesquisa, o custo estimado de uma visita semanal chega a R$ 1.053,90 por mês.
O valor inclui despesas como transporte, alimentação durante o deslocamento, hospedagem em alguns casos e a compra de itens de alimentação, higiene e vestuário.
Já uma visita quinzenal representa um custo estimado de R$ 624,80. O levantamento também calculou gastos para frequências mensais, bimestrais e trimestrais.
Considerando o salário mínimo de 2025, de R$ 1.518, uma rotina de visitas semanais poderia consumir cerca de 69,4% da renda mensal. Para visitas quinzenais, o comprometimento seria de aproximadamente 41,2%.
Itens de higiene e alimentação também pesam no orçamento
Além dos custos para chegar às unidades prisionais, as famílias também gastam com produtos destinados aos parentes encarcerados.
A pesquisa estima que um kit de alimentos, itens de higiene e vestuário suficiente para 15 dias custe, em média, R$ 263,67. Para um período semanal, o valor médio apontado chega a R$ 293,52.
Os pesquisadores argumentam que parte dessas despesas deveria estar relacionada às condições materiais garantidas pelo próprio sistema prisional durante o cumprimento da pena.




