Geral

Sobrevivente narra terror após explosão de lancha no Lago: "Tochas humanas"

Por Fernanda Cavalcante
Sobrevivente narra terror após explosão de lancha no Lago: “Tochas humanas”

A explosão da lancha no Lago Paranoá, nesse domingo (20/9), foi tão forte que arremessou uma das passageiras para dentro da água. Enquanto alguns ocupantes eram tomados pelas chamas, outros se jogaram no lago para tentar apagar o fogo, mesmo sem saber nadar. O relato é de Kelly Alves, 38 anos, que estava na embarcação e ficou ferida no acidente.

“Todos viraram tochas humanas. Foi desesperador, todo mundo pegando fogo, todo mundo gritando. O cabelo de todos nós queimou e a gente sentiu muita dor. Por isso, alguns se jogaram na água sem saber nadar”, relatou Kelly.

Segundo Kelly, a lancha ainda não havia sido abastecida quando os passageiros embarcaram. “Na hora que a gente entrou na lancha, eles não tinham abastecido ainda, e esse foi um dos erros, porque o certo é abastecer para depois a gente embarcar, e a gente percebeu que não teve esse cuidado”, afirmou.

Ainda de acordo com a sobrevivente, depois que o motor foi acionado, o sistema da embarcação desligou. Kelly acredita que uma trava de segurança tenha sido acionada, mas, segundo ela, os responsáveis tentaram ligar o motor novamente. “Eu acredito que tinha uma trava de segurança, porque o som desligou, o motor desligou, tudo desligou. Só que eles ignoraram esse negócio, tentaram ligar de novo, forçando o motor, e foi aí que deu a explosão”, contou.

Kelly disse que estava sentada com as amigas sobre a área onde ficava o tanque de combustível, sob um sofá da lancha, quando ocorreu a explosão. Após o acidente, Kelly e os demais passageiros foram resgatados por pessoas que estavam em motos aquáticas. O grupo foi levado para uma área próxima à ponte, onde recebeu atendimento dos bombeiros.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF

Frequência de envio: Diário

Ver todasVer todas as newsletters

Queimaduras

Kelly contou que sofreu queimaduras de segundo grau nos braços e nas pernas e que continuará o tratamento em Goiânia. Segundo ela, duas amigas também receberam alta. Uma delas e outro passageiro tiveram queimaduras consideradas leves no rosto.

Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles DF

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), as vítimas sofreram queimaduras de primeiro, segundo e terceiro graus.

4 imagens1 de 4

Equipes do Corpo de Bombeiros atuaram no resgate dos passageiros após a explosão da lancha no Lago Paranoá, neste domingo (20/9)

Aquivo pessoal2 de 4

A Capitania Fluvial de Brasília estava em uma inspeção naval no lago quando identificou a fumaça e se deslocou para o local do acidente

Aquivo pessoal3 de 4

A embarcação transportava 15 pessoas e era conduzida por um profissional contratado, segundo informações da Marinha

Aquivo pessoal4 de 4

O Instituto de Criminalística realizou perícia na lancha nesta segunda-feira (21/9), como parte da investigação sobre as causas da explosão

Aquivo pessoal

Empresa se manifesta

A Very Náutica, empresa responsável pela lancha, publicou uma nota de solidariedade às vítimas e aos familiares após o acidente. A empresa desejou força aos envolvidos e afirmou estar em oração pela recuperação dos feridos.

“Nossa solidariedade a todas as vítimas do acidente, bem como aos seus familiares e amigos, neste momento tão delicado. Estamos em oração pela recuperação de todos, com a esperança de que fiquem bem e possam superar este momento o mais breve possível.”

As 15 pessoas que estavam na lancha eram de Goiânia (GO) e tinham viajado ao Distrito Federal para passar o fim de semana. Segundo relatos, os passageiros não se conheciam previamente. A embarcação era conduzida por um profissional contratado e habilitado.

Ainda segundo a empresa, a embarcação, fabricada em 2015, estava com a documentação regular e tinha extintor de incêndio e os equipamentos necessários. A testemunha afirmou ainda que a lancha apresentou falhas em sucessivas tentativas de ligar o motor e que percebeu fumaça na região onde eram feitas as tentativas de partida.

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) também investiga o caso. O Instituto de Criminalística realizou exame pericial na embarcação nesta segunda-feira (21/9).


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Fernanda Cavalcante.