O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão foi tomada após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), que concordou com a abertura da investigação.
A apuração teve origem em uma notícia-crime apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que solicita a investigação de possíveis irregularidades envolvendo recursos destinados à produção cinematográfica e supostas ligações com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Segundo o parlamentar, a investigação deve esclarecer a origem dos recursos utilizados para financiar o longa-metragem e eventuais conexões entre os repasses financeiros, a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
O pedido foi encaminhado por André Mendonça à Procuradoria-Geral da República em 30 de junho. Após manifestação favorável da PGR, o ministro autorizou a instauração do inquérito, que tramita sob sigilo nível 3, modalidade utilizada para preservar diligências investigativas, proteger informações sensíveis e garantir a eficácia das apurações.
Investigação envolve recursos destinados ao filme
As investigações também analisam recursos supostamente destinados pelo empresário Daniel Vorcaro para financiar a produção de Dark Horse.
Conforme informações divulgadas anteriormente, aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido destinados ao projeto cinematográfico. A produção teria sido apresentada ao empresário por Flávio Bolsonaro, que, segundo reportagens, buscava apoio financeiro para a realização do filme.
Conversas divulgadas pelo portal Intercept Brasil mostram diálogos atribuídos a Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro tratando do andamento da produção e de questões relacionadas aos pagamentos do projeto.
Entre os materiais divulgados está um áudio atribuído ao senador, no qual haveria preocupação com atrasos no financiamento da produção.
Pedido partiu de deputado federal
Na representação apresentada ao STF, Lindbergh Farias sustenta que existem elementos suficientes para apurar eventual prática de irregularidades relacionadas ao financiamento da obra audiovisual.
Segundo o parlamentar, a investigação deve esclarecer se houve utilização de recursos de origem ilícita ou eventual favorecimento envolvendo pessoas investigadas na Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
Até o momento, a autorização do Supremo refere-se apenas à abertura do inquérito policial. A medida não representa conclusão sobre eventual responsabilidade criminal dos investigados, cabendo à Polícia Federal reunir provas e elaborar relatório que será posteriormente analisado pela Procuradoria-Geral da República.
Por Samoel Andrade





