A sobretaxa de 25% sobre as importações brasileiras, anunciada na madrugada de quarta-feira (15/7) pelos Estados Unidos, faz parte de um extenso jogo econômico promovido pelo Governo de Donald Trump desde março de 2025.
A medida se soma a uma série de ações adotadas por Washington, que alteraram as regras do comércio internacional e atingem setores estratégicos da economia brasileira.
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do Metrópoles
A retração foi impulsionada, principalmente, pela redução de 8,7% nas exportações de bens industriais, com destaque para produtos semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e produtos semimanufaturados de outras ligas de aço.
Apesar do recuo, os Estados Unidos permanecem como o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira, segmento responsável pela produção de bens manufaturados com maior valor agregado.
Entre os maiores exportadores brasileiros para o mercado norte-americano, São Paulo – responsável por 17,1% das vendas ao país – registrou queda de 4,3% no semestre. Também houve retração em Minas Gerais (-18,9%), Espírito Santo (-19,2%), Rio Grande do Sul (-22,6%), Santa Catarina (-32,9%), Paraná (-32,9%) e Bahia (-14%).
Os dados também mostram que a região Norte foi uma das mais afetadas pelas medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos. Seis dos sete estados da região registraram retração nas vendas ao mercado norte-americano.
As maiores quedas foram registradas no Acre (-62,8%), Tocantins (-52,1%), Rondônia (-49,1%) e Amapá (-41,2%). O Pará, principal exportador da região para os Estados Unidos, teve retração de 31,4%, enquanto o Amazonas registrou queda mais moderada, de 2,6%.
Dependência
Além da redução nas exportações, os números revelam a elevada dependência em relação ao mercado norte-americano.
Em Sergipe, mais da metade (52,3%) de tudo o que o estado exportou no primeiro semestre teve como destino os Estados Unidos. No Ceará, esse percentual chegou a 33,4%; no Espírito Santo, a 27,5%; e, em São Paulo, a 17,1%.
Para essas unidades da Federação, a nova sobretaxa de 25% tende a ampliar os impactos sobre as exportações. Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, a medida reduz a competitividade da indústria brasileira em um dos seus principais mercados.
“O cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram”, afirmou Alban.
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A nova tarifa, que entra em vigor já nesta quarta-feira (22/7), alcança cerca de 4 mil produtos brasileiros e afeta setores como madeira, produtos químicos, minerais não metálicos, alimentos, papel e celulose, além de máquinas e equipamentos.
Produtos que serão impactados pela sobretaxa:
- Produtos industriais e máquinas: maquinário agrícola, equipamentos de mineração, ferramentas de jardinagem e componentes de borracha para veículos.
- Bens de consumo: calçados, vestuário e papel.
Commodities e alimentos: etanol, açúcar orgânico e molduras de madeira. - Celulose de dissolução: celulose de dissolução de alta pureza, que foi removida da lista de isenções proposta anteriormente.
- Produtos químicos de uso geral: certas substâncias químicas (como celulose e fosfoaminolipídeos) só estão isentas quando destinadas a aplicações farmacêuticas; o uso dessas mesmas substâncias em outras indústrias será taxado.
Apesar da nova cobrança, a medida mantém uma ampla lista de exceções. Ao todo, mais de 2 mil códigos tarifários ficaram de fora da sobretaxa.
Entre os principais produtos isentos estão café, carne bovina, mel orgânico, açaí, laranja, ferro-gusa, hidróxido de alumínio, aeronaves e peças aeronáuticas, terras raras, sucata de aço e determinados produtos energéticos.
Reação brasileira
Após o anúncio da sobretaxa, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que vai acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, que o autoriza o Brasil a retaliar ou aplicar sobretaxas equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais unilaterais aos produtos brasileiros.
Em nota, o Palácio do Planalto ainda lamentou a decisão do governo norte-americano e afirmou que a medida representa um retrocesso na relação comercial entre os dois países.
O governo Trump, por sua vez, ameaçou o Brasil com mais consequências, caso o país decida reagir com reciprocidade à medida econômica. No mesmo documento que especifica a sobretaxa de 25%, o país afirma que poderá considerar que o atual nível de tarifação não é suficiente a depender da reação do Brasil.
“Ações do Brasil que aumentem o ônus ou a restrição ao comércio dos EUA — como aumentos de tarifas sobre produtos dos Estados Unidos, em vez de abordar as preocupações dos EUA com as práticas desleais constatadas na investigação — podem indicar que a ação dos EUA neste nível não é suficiente para obter a eliminação dos atos, políticas e práticas do Brasil”, afirma o texto.
Durante a coletiva de imprensa nessa quinta-feira (16/7), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também garantiu que o governo federal prepara um pacote de apoio aos setores mais afetados pela medida.
Entre as alternativas em estudo estão a ampliação dos instrumentos do Plano Brasil Soberano, linhas de crédito para empresas exportadoras e o reforço das ações de promoção comercial para diversificar mercados e reduzir a dependência das vendas aos Estados Unidos.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Madu Toledo.




