A tosse pode ser um sinal da ocorrência de várias doenças, incluindo gripes, alergias e infecções respiratórias. No entanto, quando o problema ocorre de forma persistente, especialmente se vier acompanhado de sangue, pode ser indicação clássica de câncer de pulmão.
Dados recentes do Global Cancer Observatory apontam que o câncer de pulmão é o tumor maligno mais incidente no mundo. Estima-se que, por ano, mais de 2 milhões de novos casos sejam diagnosticados.
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No Brasil, o câncer de pulmão é o segundo tipo mais comum entre homens e mulheres, quando se exclui tumores de pele não melanoma. O dado reacende o alerta neste 29 de agosto, data em que é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo.
De acordo com especialistas entrevistados pelo Metrópoles, a tosse aparece em quadros de câncer de pulmão, pois o desenvolvimento do tumor é capaz de irritar as vias respiratórias, causar a obstrução parcial dos brônquios ou desencadear processos inflamatórios.
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do Metrópoles Saúde e Ciência
“Muitas pessoas ignoram esse sintoma porque a tosse é frequente na prática médica e, na maioria das vezes, está relacionada a condições benignas. A minha orientação para quem é tabagista é procurar avaliação médica se o sintoma persistir por mais de três semanas”, afirma o oncologista Gustavo Schvartsman, do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Israelita Albert Einstein.
Ainda segundo Schvartsman, indivíduos sem histórico de tabagismo devem buscar ajuda profissional se a tosse persistir por mais do que oito semanas. “Especialmente se houver piora com o tempo ou vier acompanhada de outros sintomas como sangue no escarro, falta de ar, dor no peito, rouquidão ou perda de peso sem explicação”, indica o médico.
Principais sintomas do câncer de pulmão
Os sinais do câncer de pulmão variam conforme o estágio da doença e, em muitos casos, surgem de forma progressiva. Entre os sintomas mais frequentes, destacam-se:
- Tosse persistente, que não melhora com o tempo;
- Presença de sangue no escarro;
- Rouquidão sem causa aparente;
- Dor no peito, que pode piorar ao respirar fundo ou tossir;
- Falta de ar mesmo em atividades leves;
- Perda de apetite;
- Emagrecimento sem explicação clínica.
“Esses sintomas não significam necessariamente um câncer de pulmão. Diversas outras doenças podem causar manifestações semelhantes. No entanto, quando os sintomas persistem, principalmente em pessoas com fatores de risco, é fundamental procurar avaliação médica”, avalia o oncologista Fernando Vidigal, do Hospital Brasília.
Diagnóstico tardio atrapalha tratamento adequado
O grande problema de tratar a doença são os sintomas inespecíficos e, por vezes, até inexistentes nos quadros iniciais do câncer. Dados do Instituto Oncoguia apontam que 9 em cada 10 pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS) iniciam o tratamento em fases avançadas ou metastáticas.
“Esse cenário reforça uma prioridade importante: avançar no diagnóstico precoce e ampliar a discussão sobre o rastreamento do câncer de pulmão com tomografia computadorizada de baixa dose para pessoas consideradas de alto risco. Detectar antes pode mudar significativamente a trajetória da doença”, ressalta a fundadora e presidente do Instituto Oncoguia, Luciana Holtz.
O que torna a tomografia computadorizada de baixa dose um exame importante é o alcance dele para detectar potenciais áreas de risco no organismo. “Esse exame pode identificar tumores ainda pequenos, antes do aparecimento dos sintomas, aumentando as chances de tratamento curativo”, afirma Vidigal.
Segundo o médico, a realização do teste deve ser feita de forma individualizada e discutida com o profissional que acompanha o caso.
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O câncer de pulmão é o segundo mais comum em homens e mulheres no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), cerca de 13% de todos os casos novos são nos órgãos
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No fim do século 20, o câncer de pulmão se tornou uma das principais causas de morte evitáveis no mundo
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O tabagismo é a principal causa. Cerca de 85% dos casos diagnosticados estão associados ao consumo de derivados de tabaco
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A mortalidade entre fumantes é cerca de 15 vezes maior do que entre pessoas que nunca fumaram, enquanto entre ex-fumantes é cerca de quatro vezes maior
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A exposição à poluição do ar, infecções pulmonares de repetição, doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema pulmonar e bronquite crônica), fatores genéticos e história familiar de câncer de pulmão também favorecem o desenvolvimento desse tipo de câncer
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Outros fatores de risco são: exposição ocupacional a agentes químicos ou físicos, água potável contendo arsênico, altas doses de suplementos de betacaroteno em fumantes e ex-fumantes
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Os sintomas geralmente não ocorrem até que o câncer esteja avançado. Porém, pessoas no estágio inicial da doença já podem apresentar tosse persistente, escarro com sangue, dor no peito, pneumonia recorrente, cansaço extremo, rouquidão persistente, piora da falta de ar, diminuição do apetite e dificuldade em engolir
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O diagnóstico do câncer no pulmão é feito com a avaliação dos sinais e sintomas apresentados, o histórico de saúde familiar e o resultado de exames específicos, como a radiografia do tórax, tomografia computadorizada e biópsia do tecido pulmonar
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Para aqueles com doença localizada no pulmão e nos linfonodos, o tratamento é feito com radioterapia e quimioterapia ao mesmo tempo
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Em pacientes que apresentam metástases a distância, o tratamento é com quimioterapia ou, em casos selecionados, com medicação baseada em terapia-alvo
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A cirurgia, quando possível, consiste na retirada do tumor com uma margem de segurança, além da remoção dos linfonodos próximos ao pulmão e localizados no mediastino. É o tratamento de escolha por proporcionar melhores resultados e controle da doença
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Jorge Agle.




