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Tráfico veste "luxo": bando usava marca da Chanel para embalar drogas

Por Carlos Carone
Reprodução

A busca por ostentação e sofisticação no crime organizado ganhou contornos surreais revelados na manhã desta quarta-feira (5/8). Durante as investigações da quarta fase da Operação Gift, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) descobriu que uma complexa organização criminosa utilizava a icônica marca da grife de alta-costura francesa Chanel para estampas e embalagens dos tabletes de drogas. O artifício visava atestar a “qualidade” do produto ilícito e criar uma marca registrada no mercado clandestino.

A ofensiva mobiliza cerca de 150 policiais civis do Paraná e de Santa Catarina para o cumprimento de 93 mandados judiciais, incluindo 21 prisões preventivas e 37 de busca e apreensão. Além do selo de luxo parisiense, o grupo mantinha o hábito de embalar os entorpecentes em papel de presente — peculiaridade que deu nome à operação.

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As investigações começaram após a interceptação de um carregamento de 65 quilos de maconha em Itapejara d’Oeste. Ao longo de um ano, a PCPR mapeou a logística do grupo, que trazia drogas da fronteira em Foz do Iguaçu para abastecer o Sudoeste do Paraná e o Oeste catarinense.

Selo de alta costura

“A assinatura da grife francesa nas embalagens era uma tentativa de conferir status ao produto e identificar o fornecedor no mercado do tráfico”, revelou a equipe de investigação. Para além do marketing criminoso com a grife famosa, a quadrilha misturava substâncias como cafeína e o suplemento BCAA à cocaína para adulterar e aumentar o volume comercializado. Por conta disso, uma farmácia em Pato Branco e seu proprietário foram alvos de mandados de busca.

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Sob a liderança de um homem de 38 anos, a organização tinha caráter estritamente familiar. Parentes atuavam diretamente na logística financeira, ocultação de patrimônio e transporte de valores.

Balanço da operação

  • Movimentação bancária: Cerca de R$ 30 milhões rastreados.
  • Apreensões acumuladas: Mais de 140 kg de drogas e R$ 70 mil em espécie.
  • Prisões: 27 integrantes detidos ao longo das fases.

Conforme a delegada Franciela Alberton, a fase atual foca na descapitalização total do grupo. Além dos bloqueios de contas bancárias de 26 investigados, a justiça determinou o sequestro de imóveis e veículos de luxo adquiridos com o dinheiro do tráfico.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Carlos Carone.