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Transporte escolar em Tarauacá deixa 55 alunos sem aulas há três semanas

Estudante afirma que 55 alunos estão há três semanas sem frequentar a escola por causa da paralisação dos barqueiros; SEE promete pagamento até sexta-feira.

Samoel Andrade Por Samoel Andrade

Uma estudante da Escola Arivan Carneiro Prado, localizada na zona rural de Tarauacá, no interior do Acre, divulgou nesta terça-feira (18) um vídeo nas redes sociais denunciando a suspensão do transporte escolar fluvial que atende os alunos da comunidade.

Segundo a estudante, aproximadamente 55 alunos estão há três semanas sem frequentar as aulas devido à paralisação dos barqueiros responsáveis pelo transporte dos estudantes pelos rios da região.

De acordo com o relato, os transportadores estariam com pagamentos atrasados e, sem o serviço de transporte, os alunos não conseguem chegar até a unidade escolar.

Estudante denuncia três semanas sem aulas

No vídeo divulgado nas redes sociais, a estudante afirma que a situação não seria um episódio isolado e cobra providências da Secretaria de Estado de Educação (SEE).

Segundo ela, os alunos dependem diretamente dos transportadores fluviais para conseguir chegar à escola.

A estudante afirmou que fala em nome dos 55 alunos afetados pela paralisação e destacou que tanto os estudantes quanto os próprios trabalhadores acabam prejudicados pela situação.

“A gente está há três semanas sem comparecer à escola, por conta que os transportadores estão com salário atrasado.”

Ela também explicou que, sem os barqueiros, os alunos não possuem condições de realizar o deslocamento necessário até a escola.

Transporte fluvial é essencial para estudantes da zona rural

Em comunidades rurais e ribeirinhas do Acre, o transporte pelos rios desempenha papel fundamental para garantir o acesso de crianças e adolescentes às escolas.

No caso da Escola Arivan Carneiro Prado, o deslocamento dos estudantes depende do serviço prestado pelos barqueiros contratados para realizar o transporte escolar.

A interrupção desse serviço acaba afetando diretamente a frequência escolar.

Além do prejuízo aos estudantes, a paralisação também pode comprometer o planejamento pedagógico das escolas, principalmente quando a ausência se prolonga por várias semanas.

Aluna cobra regularização dos pagamentos

Durante a gravação, a estudante pediu que a Secretaria de Estado de Educação regularize a situação o mais rapidamente possível.

Ela também ressaltou a importância dos barqueiros para a comunidade e lembrou que os trabalhadores possuem famílias e dependem dos pagamentos para manter suas atividades.

Segundo o relato, o problema seria recorrente e já teria ocorrido outras vezes.

A estudante afirmou ainda que o período prolongado sem aulas começa a prejudicar o aprendizado dos alunos.

Secretaria de Educação afirma que pagamento está previsto para sexta-feira

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado de Educação apresentou uma versão diferente sobre a situação dos pagamentos.

Em nota, a pasta afirmou que existe apenas uma pendência referente ao mês de julho e que o pagamento ainda está dentro do prazo previsto no contrato.

Segundo a SEE, a nota fiscal correspondente ao serviço já foi atestada.

A Secretaria informou também que o pagamento à empresa responsável pelo transporte escolar está programado para ser realizado até sexta-feira (21).

“A SEE informa que a única pendência de repasse refere-se ao mês de julho e ainda se encontra dentro do prazo previsto contratualmente. A nota fiscal correspondente já foi atestada e o pagamento à empresa responsável está previsto para ser efetivado até sexta-feira.”

Alunos continuam aguardando solução

Enquanto a questão administrativa é analisada, os estudantes permanecem sem conseguir frequentar normalmente as aulas.

A situação coloca em evidência um dos principais desafios da educação no interior do Acre: garantir que alunos que vivem em comunidades rurais e ribeirinhas tenham condições efetivas de chegar às escolas.

No caso de Tarauacá, a distância e as características geográficas tornam o transporte fluvial indispensável para parte dos estudantes.

Por isso, qualquer interrupção prolongada do serviço pode provocar impactos significativos na rotina escolar.

Caso também foi denunciado na Assembleia Legislativa

A situação do transporte escolar rural em Tarauacá também foi levada à Assembleia Legislativa do Acre (Aleac).

O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) afirmou nesta terça-feira que recebeu relatos de estudantes, pais e barqueiros sobre a paralisação do transporte escolar em diferentes regiões.

Segundo o parlamentar, estudantes estariam há aproximadamente três semanas sem frequentar as aulas em algumas comunidades rurais.

Magalhães cobrou providências do poder público e questionou a situação dos contratos e dos pagamentos aos prestadores responsáveis pelo transporte.

A denúncia apresentada pelo deputado reforça a preocupação com os impactos da interrupção do serviço sobre o calendário escolar.

Educação rural depende de transporte adequado

A garantia do acesso à educação não termina na existência de uma escola.

Para estudantes que vivem em comunidades isoladas, também são necessários mecanismos que permitam o deslocamento até as unidades de ensino.

No interior amazônico, onde rios e grandes distâncias fazem parte da realidade cotidiana, o transporte fluvial pode ser a principal ligação entre as comunidades e as escolas.

Por isso, a regularidade dos contratos e dos pagamentos dos prestadores é fundamental para evitar que problemas administrativos acabem afetando diretamente os estudantes.

SEE promete pagamento até sexta-feira

Com a previsão apresentada pela Secretaria de Estado de Educação, a expectativa é de que o pagamento à empresa responsável pelo transporte seja efetivado até sexta-feira.

A regularização poderá permitir a retomada do serviço e o retorno dos estudantes às atividades escolares.

Até lá, porém, permanece a preocupação com o tempo perdido pelos alunos e com os possíveis impactos pedagógicos provocados pelas semanas sem aulas.

O caso deverá continuar sendo acompanhado pelas famílias, pela comunidade escolar e pelos órgãos responsáveis pela educação no estado