Uma estudante da Escola Arivan Carneiro Prado, localizada na zona rural de Tarauacá, no interior do Acre, divulgou nesta terça-feira (18) um vídeo nas redes sociais denunciando a suspensão do transporte escolar fluvial que atende os alunos da comunidade.
Segundo a estudante, aproximadamente 55 alunos estão há três semanas sem frequentar as aulas devido à paralisação dos barqueiros responsáveis pelo transporte dos estudantes pelos rios da região.
De acordo com o relato, os transportadores estariam com pagamentos atrasados e, sem o serviço de transporte, os alunos não conseguem chegar até a unidade escolar.
Estudante denuncia três semanas sem aulas
No vídeo divulgado nas redes sociais, a estudante afirma que a situação não seria um episódio isolado e cobra providências da Secretaria de Estado de Educação (SEE).
Segundo ela, os alunos dependem diretamente dos transportadores fluviais para conseguir chegar à escola.
A estudante afirmou que fala em nome dos 55 alunos afetados pela paralisação e destacou que tanto os estudantes quanto os próprios trabalhadores acabam prejudicados pela situação.
“A gente está há três semanas sem comparecer à escola, por conta que os transportadores estão com salário atrasado.”
Ela também explicou que, sem os barqueiros, os alunos não possuem condições de realizar o deslocamento necessário até a escola.
Transporte fluvial é essencial para estudantes da zona rural
Em comunidades rurais e ribeirinhas do Acre, o transporte pelos rios desempenha papel fundamental para garantir o acesso de crianças e adolescentes às escolas.
No caso da Escola Arivan Carneiro Prado, o deslocamento dos estudantes depende do serviço prestado pelos barqueiros contratados para realizar o transporte escolar.
A interrupção desse serviço acaba afetando diretamente a frequência escolar.
Além do prejuízo aos estudantes, a paralisação também pode comprometer o planejamento pedagógico das escolas, principalmente quando a ausência se prolonga por várias semanas.
Aluna cobra regularização dos pagamentos
Durante a gravação, a estudante pediu que a Secretaria de Estado de Educação regularize a situação o mais rapidamente possível.
Ela também ressaltou a importância dos barqueiros para a comunidade e lembrou que os trabalhadores possuem famílias e dependem dos pagamentos para manter suas atividades.
Segundo o relato, o problema seria recorrente e já teria ocorrido outras vezes.
A estudante afirmou ainda que o período prolongado sem aulas começa a prejudicar o aprendizado dos alunos.
Secretaria de Educação afirma que pagamento está previsto para sexta-feira
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado de Educação apresentou uma versão diferente sobre a situação dos pagamentos.
Em nota, a pasta afirmou que existe apenas uma pendência referente ao mês de julho e que o pagamento ainda está dentro do prazo previsto no contrato.
Segundo a SEE, a nota fiscal correspondente ao serviço já foi atestada.
A Secretaria informou também que o pagamento à empresa responsável pelo transporte escolar está programado para ser realizado até sexta-feira (21).
“A SEE informa que a única pendência de repasse refere-se ao mês de julho e ainda se encontra dentro do prazo previsto contratualmente. A nota fiscal correspondente já foi atestada e o pagamento à empresa responsável está previsto para ser efetivado até sexta-feira.”
Alunos continuam aguardando solução
Enquanto a questão administrativa é analisada, os estudantes permanecem sem conseguir frequentar normalmente as aulas.
A situação coloca em evidência um dos principais desafios da educação no interior do Acre: garantir que alunos que vivem em comunidades rurais e ribeirinhas tenham condições efetivas de chegar às escolas.
No caso de Tarauacá, a distância e as características geográficas tornam o transporte fluvial indispensável para parte dos estudantes.
Por isso, qualquer interrupção prolongada do serviço pode provocar impactos significativos na rotina escolar.
Caso também foi denunciado na Assembleia Legislativa
A situação do transporte escolar rural em Tarauacá também foi levada à Assembleia Legislativa do Acre (Aleac).
O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) afirmou nesta terça-feira que recebeu relatos de estudantes, pais e barqueiros sobre a paralisação do transporte escolar em diferentes regiões.
Segundo o parlamentar, estudantes estariam há aproximadamente três semanas sem frequentar as aulas em algumas comunidades rurais.
Magalhães cobrou providências do poder público e questionou a situação dos contratos e dos pagamentos aos prestadores responsáveis pelo transporte.
A denúncia apresentada pelo deputado reforça a preocupação com os impactos da interrupção do serviço sobre o calendário escolar.
Educação rural depende de transporte adequado
A garantia do acesso à educação não termina na existência de uma escola.
Para estudantes que vivem em comunidades isoladas, também são necessários mecanismos que permitam o deslocamento até as unidades de ensino.
No interior amazônico, onde rios e grandes distâncias fazem parte da realidade cotidiana, o transporte fluvial pode ser a principal ligação entre as comunidades e as escolas.
Por isso, a regularidade dos contratos e dos pagamentos dos prestadores é fundamental para evitar que problemas administrativos acabem afetando diretamente os estudantes.
SEE promete pagamento até sexta-feira
Com a previsão apresentada pela Secretaria de Estado de Educação, a expectativa é de que o pagamento à empresa responsável pelo transporte seja efetivado até sexta-feira.
A regularização poderá permitir a retomada do serviço e o retorno dos estudantes às atividades escolares.
Até lá, porém, permanece a preocupação com o tempo perdido pelos alunos e com os possíveis impactos pedagógicos provocados pelas semanas sem aulas.
O caso deverá continuar sendo acompanhado pelas famílias, pela comunidade escolar e pelos órgãos responsáveis pela educação no estado

