O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a se manifestar publicamente sobre a possível venda da Warner Bros. Discovery, dona de HBO, CNN e do estúdio de cinema Warner Bros., para Netflix ou Paramount.
Em reunião com empresários, nesta quinta-feira (11/12), na Casa Branca, Trump atacou a CNN e pediu que a emissora jornalística seja incluída na transação ou vendida “separadamente”.
“Não acho que essas pessoas deveriam continuar lá. Acho que a CNN deveria ser vendida junto com todo o resto”, completou o republicano.
Em entrevista a jornalistas, no último domingo (7/12), Trump já havia prometido que se envolveria diretamente no assunto. Na ocasião, ele afirmou que a transação, que ainda depende da aprovação de órgãos regulatórios, pode vir a ser “um problema” para o mercado.
“Estarei envolvido nessa decisão. Isso precisa passar por todo um processo e veremos o que acontece”, disse o republicano à imprensa. “Mas é uma grande fatia de mercado. Pode ser um problema.”
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Trump sobre compra da Warner pela Netflix: “Pode ser um problema”
Ainda segundo Trump, a Netflix já tem “uma participação de mercado muito grande e, quando eles tiverem a Warner Bros., essa participação sobe muito”.
Recentemente, o presidente dos EUA esteve reunido com o co-presidente executivo da Netflix, Ted Sarandos.
De acordo com a plataforma Polymarket, especializada em apostas, as chances de a Netflix concluir a compra da Warner até o fim de 2026 eram de 23% após as declarações de Trump. Antes da fala do líder norte-americano, o percentual chegou a 60%.
Netflix anunciou o desfecho do negócio
A Netflix levou a melhor na disputa e concordou em adquirir os estúdios de TV e cinema e a divisão de streaming da Warner por valores que variam entre US$ 72 bilhões (cerca de R$ 381,2 milhões) e US$ 83 bilhões (R$ 438 bilhões).
A proposta da Netflix foi de algo entre US$ 28 e US$ 30 por ação, quase todo o valor em dinheiro, além de uma multa de US$ 5 bilhões caso o acordo seja barrado pelos órgãos reguladores. Esse pacote acabou superando ofertas de grupos como Paramount Skydance e Comcast, que queriam apenas partes da companhia.
O acordo dará à Netflix o controle de um dos ativos mais antigos e valiosos de Hollywood. A plataforma aumentará significativamente sua capacidade de produção de conteúdo e terá acesso ao vasto acervo de filmes do estúdio e a franquias icônicas, como Harry Potter e Senhor dos Anéis.
A compra da Warner pela Netflix vem causando preocupação em setores do mercado. Os investidores questionam a capacidade da rede de streaming de administrar uma empresa tão grande.
Além disso, o negócio também deve enfrentar obstáculos na legislação antitruste tanto nos EUA quanto na Europa. A transação dá à Netflix a propriedade de um concorrente que conta com a HBO Max e possui quase 130 milhões de assinantes.
Paramount entra no jogo com genro de Trump
A oferta apresentada pela Paramount Skydance para comprar a Warner Bros. Discovery movimentou o noticiário empresarial nos EUA nas últimas horas e pode mudar o curso das negociações entre a Warner e a Netflix.
Segundo informações do The New York Times, a nova investida da Paramount sobre a Warner incluiu uma série de investidores que vêm dando suporte à oferta. Um deles é a empresa de private equity Affinity Partners, que chamou atenção pelo fato de ter sido fundada pelo investidor e empresário Jared Kushner – genro do presidente dos EUA, Donald Trump.
De acordo com a Warner, a oferta de US$ 108,4 bilhões feita pela Paramount será analisada nas próximas semanas. Em até dez dias úteis, a empresa informará sobre a recomendação do Conselho de Administração aos acionistas.
Se houver uma reviravolta na transação e a Warner decidir fechar com a Paramount, a gigante do entretenimento terá de pagar à Netflix uma multa rescisória de quase US$ 3 bilhões.
A Affinity Partners é uma empresa de investimentos fundada por Jared Kushner que está focada em investir em empresas norte-americanas e israelenses.
A companhia recebe grande parte de seu capital de fundos soberanos do Oriente Médio, como o da Arábia Saudita, com o objetivo de criar os chamados “corredores de investimento”, principalmente entre Arábia Saudita e Israel.
Private Equity é uma modalidade de investimento alternativo que envolve a compra de participação em empresas privadas (não listadas em bolsa) com alto potencial de crescimento – por meio de injeção de capital e participação na gestão.
O objetivo dessa modalidade é transformar empresas promissoras em negócios maiores e mais valiosos, que podem, eventualmente, ir para a bolsa no futuro, gerando retornos elevados para os investidores.
De acordo com a Paramount, o empresário Larry Ellison, fundador da Oracle e pai do CEO da empresa, David Ellison, teria se comprometido a garantir cerca de US$ 40 bilhões para viabilizar a oferta – por meio da empresa RedBird Capital Partners. A companhia, por sua vez, reuniu diversos investidores, como a empresa de Kushner, para repassar parte do investimento.
Até o momento, não se sabe quanto a empresa do genro de Trump ofereceu como investimento. A Paramount também não se manifestou.




