
Os europeus estão beges com um luxo produzido em um seringal do Acre, o sapato de borracha em modelos super atuais, incrivelmente coloridos. O mundo da moda cogita levar essa peça do vestuário até para as passarelas pela graça e beleza. A nota desarmonizada dessa história contada pelo Acrenews, achada no município de Brasileia, distante cerca de 240km de Rio Branco, na fronteira com a Bolívia, é que o produto originário do leite extraído da seringueira é praticamente desconhecido no Acre. “É até conhecido, mas nunca gerou empolgação por aqui como gerou, por exemplo, entre italianos”, diz o secretário de Planejamento da prefeitura local, Emerson Leão, um dos poucos a garantir apoio a família produtora.
Mais está bom, se eles não querem mostrar os segredos da produção. O que interessa é que o negócio está gerando lucro, principalmente pelo interesse dos europeus e, obviamente, os negócios fechados. “Ele é muito comprado em Milão”, diz o Manoel. Para o público ele e a mulher revelam a parte mais simples do processo, o corte e colheita do leite. Nesse caso quem sai cedo de casa para a extração do produto é o Manoel. Ele tratou duas estradas do antigo seringal, cuidou das madeiras com os aprimoramentos que todo seringueiro sabe que precisa ter e trabalha com cem árvores. Resultado: 15 litros de leite por dia. No laboratório, ao invés das pré-históricas defumaceiras, o processo é rápido e realizado por meio de misturas químicas. A borracha produzida no dia assegura uma produção de pelo menos oito pares de sapatos.

O casal Manoel e Anita começa a colher, também, os louros da persistência naquilo que nem uma boa parte dos acreanos acredita, com o perdão do trocadilho. Eles estão faturando com o negócio e criando os quatro filhos com bem menos dificuldade quando promoviam pequenas produções agrícolas, a badalada agricultura familiar. Dentro da colocação eles tem celular e outros produtos de tecnologia. “A gente só precisa ter coragem de apostar nas coisas”, diz a “Anita”, para revelar seu orgulho pelo sucesso, opinião compartilhada pelo marido, confirmada por mimica em função da timidez, notada, também, pelo silêncio dele durante todo o nosso papo.
Para os acreanos interessados em conhecer os sapatos finos, coloridos e macios feitos a partir do leite de seringa, a ideia é procurar o secretário Emerson Leão no telefone (68) 99972-7345. Ele é a peça fundamental, segundo o casal, em relação a apoio na hora da parte burocrática. Emerson, inclusive, vai procurar a Secretaria de Turismo para chamar a atenção pra esse empreendimento no coração da selva do Acre. “O Governo precisa estar nisso”, diz ele.




