A mostra Utopias em construção: Brasília nas dobras do tempo dá início a uma temporada de fortalecimento da identidade cultural dos brasilienses ao celebrar a história da capital e recordar como a cidade foi erguida “do zero”. Instalada no Museu Nacional da República, a exposição é uma realização do Metrópoles Arte, braço cultural do portal, em parceria com o Arquivo Público do Distrito Federal (ArPDF). A iniciativa reúne documentos históricos, fotos, projetos, obras de arte e experiências imersivas.
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Organizado em três etapas — área monumental, segmentos radiais e núcleo documental —, o ambiente convida o público a acompanhar a criação, o povoamento e a evolução de Brasília por meio dos anos.
Mergulhe na história
As peças escolhidas incluem a caderneta da Missão Cruls de 1892 e papéis de Lucio Costa, que contam a história do quadradinho e conversam com as mudanças da cidade. Além dos croquis do arquiteto, plantas de Oscar Niemeyer, painéis de Athos Bulcão e fotografias de Thomaz Farkas, Marcel Gautherot e Mário Fontenelle dividem espaço com obras contemporâneas de artistas como Christus Nóbrega e o Coletivo Transverso.
Ao Metrópoles, o historiador Elias Manoel da Silva e o arquivista Hélio Júnior destacam que a mostra quer aproximar as novas gerações da trajetória de construção de Brasília. Isso porque, segundo eles, o avanço dos anos provoca o risco de o surgimento da capital se transformar em um mero fato esquecido nos livros didáticos.
“Ao apresentarmos, por exemplo, registros como os da série Foto na hora: Lembrança de Brasília, de Joaquim Paiva, ou as tensões sociais documentadas nas fotos da UnB nos anos 1960, nós retiramos a construção da capital do campo da mitologia oficial e a trazemos para o campo da vivência humana. Mostramos que Brasília foi feita por migrantes, trabalhadores, estudantes e artistas cujas vidas e conflitos moldaram a cidade que hoje habitamos”, explicam.
Para o jovem cidadão que não vivenciou o 21 de abril de 1960, ela funciona como ponte de reconhecimento.
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do Metrópoles Vida & Estilo
“Utopias em construção permite que o brasiliense entenda que a sua cidade não é apenas um monumento estático, mas um organismo vivo, fruto de um processo coletivo de invenção, de resistência, de criatividade e, também, porque não, de lutas e conflitos”, prosseguem.
Memória viva
Depois que a temporada no Museu acabar, a expectativa é que parte significativa do acervo apresentado seja incorporada à reserva técnica do ArPDF. Com isso, a exposição poderá ser remontada futuramente no Centro de Exposições da instituição, ampliando o acesso do público ao conteúdo.
O espaço, embora menor do que o Museu Nacional, recebe regularmente visitas guiadas de estudantes, universitários e grupos sociais. De acordo os especialistas, essa iniciativa faz parte de uma das principais missões de um arquivo público: promover a difusão do patrimônio documental e aproximar a população da própria história.
Serviço
Exposição Utopias em construção: Brasília nas dobras do tempo
Museu Nacional da República (SCTS Lote 2 – Plano Piloto, Brasília – DF, ao lado da Rodoviária)
Entrada gratuita
Visitação de terça a domingo, das 9h às 18h30
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Rebeca Oliveira.




