O Projeto Preservação do Acervo Filmográfico do Arquivo Público do DF trabalha desde março de 2025 na recuperação do seu acervo de filmes e parte desta iniciativa poderá ser vista na exposição Utopias em construção, que acontecerá no Museu Nacional da República a partir desta terça-feira (11/4), com entrada franca. A ideia é salvar imagens históricas usando equipamentos 4K para criar formas mais fáceis de acessar a memória da capital federal.
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Entenda
- A exposição Utopias em construção: Brasília nas dobras do tempo é fruto de uma parceria entre o Metrópoles Arte, braço cultural do portal, e o Arquivo Público do Distrito Federal. A mostra tem início nesta terça-feira (11/8) e fica em cartaz até o mês de outubro.
- O Projeto Preservação do Acervo Filmográfico do Arquivo Público do DF ganhou força por meio de uma parceria com o Instituto Latinoamerica e recursos da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF).
- Essa união permitiu montar um laboratório moderno e treinar toda a equipe do arquivo para lidar com os materiais mais frágeis.
- Com filmes antigos realizados em formatos como 35mm, 16mm e Super-8, o grupo de nove profissionais cuida primeiro da limpeza e manutenção física dos rolos. Esse cuidado diário garantirá que a população consiga ver imagens raras de forma segura e com alta qualidade durante a exposição.
Projeto mantém viva a memória do DF
O Arquivo Público do Distrito Federal recupera e transforma em formato digital cerca de 2 mil rolos de filmes antigos da cidade. Os primeiros filmes que já passaram por esse resgate histórico podem ser assistidos pelo público na exposição Utopias em construção.
Antes de irem para a digitalização em alta resolução (4K), as películas originais passam por uma avaliação física rigorosa para não estragarem. Criar a versão digital evita que as pessoas precisem manusear os rolos originais, que são muito frágeis, garantindo que a memória não se apague.
O acervo resgatado conta com filmagens das primeiras obras em 1957, imagens coloridas do presidente Juscelino Kubitschek e o dia a dia dos candangos.
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do Metrópoles Vida & Estilo
O objetivo do trabalho é fazer o diagnóstico de todo o acervo filmográfico e digitalizar os filmes para que esse patrimônio esteja mais facilmente acessível, tanto para pesquisadores quanto para o público em geral.
A avaliação dos filmes e a preparação para a exposição
A primeira etapa do trabalho é avaliar o estado de conservação de cada fita para entender se elas estão inteiras ou danificadas. Essa análise inicial garante que nenhum filme se perca pelo tempo e define as regras de segurança para a digitalização que irá compor a mostra Utopias em construção.
A coordenadora técnica Débora Butruce explica que não existe uma quantidade exata do que vai para os computadores agora, já que o foco é o cuidado com a história. “A definição das prioridades de digitalização levará em consideração, entre outros aspectos, a relevância histórica e cultural dos materiais, bem como seu estado de conservação e as necessidades de preservação e acesso”, detalha a especialista.
A meta da equipe é que essa triagem continue nos próximos anos. Assim, o projeto consegue salvar o máximo de registros importantes sobre a construção da cidade de maneira progressiva.
Além da exposição: projeto salva a memória candanga
O trabalho feito no Arquivo Público não serve apenas para a exposição, mas cria um sistema virtual permanente para o futuro.
Transformar os rolos em arquivos virtuais facilita a vida de quem quer conhecer a história da cidade sem sair de casa. Débora Butruce reforça os ganhos dessa mudança ao afirmar que “a iniciativa contribui simultaneamente para a salvaguarda dos materiais originais, a produção de cópias digitais destinadas à preservação e acesso e a democratização da memória audiovisual do Distrito Federal.”
A meta é transformar Brasília em uma grande referência nessa área. Com a estrutura pronta, o DF poderá ajudar pesquisadores e cineastas de todo o Centro-Oeste a manterem seus próprios patrimônios culturais em bom estado para as futuras gerações.
Parte do resultado desse trabalho poderá ser visto na exposição Utopias em construção, que mostra como a capital nasceu. Um dos grandes destaques é o documentário As primeiras imagens de Brasília, gravado em 1957 pelo produtor Jean Manzon nos primeiros canteiros de obras.
Filmes feitos por pessoas comuns também brilham nas telas, como as raras imagens coloridas do presidente Juscelino Kubitschek chegando à cidade. Há também o registro de um torneio de futebol raiz em 1958 entre os próprios operários das superquadras, filmado pelo funcionário público Manuel Mendes.
Para fechar a exposição, o público pode assistir a Brasília segundo Feldman, um filme de 1979 do diretor Vladimir Carvalho. A obra reúne cenas da época com relatos de candangos e artistas famosos, como Athos Bulcão, revelando o ritmo duro e perigoso das construções no coração do Cerrado.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Daniel Lima.




