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Vanilina de cigarro eletrônico pode alterar células-tronco de embriões

Por Ravenna Alves
prostooleh/Unsplash

A vanilina, aromatizante comum em cigarros eletrônicos, pode interferir em processos ligados ao início da formação de embriões. A conclusão vem de um estudo publicado nessa quarta-feira (12/8) na revista Human Reproduction, com base em experimentos feitos com células-tronco embrionárias humanas.

Essas células têm a capacidade de se transformar em qualquer tipo de tecido do corpo. Em condições normais, dão origem a três grupos celulares que formam órgãos e sistemas. Nos testes, a exposição à vanilina alterou esse processo.

Os pesquisadores observaram dois efeitos principais. Em concentrações mais altas, a substância levou à morte das células. Em níveis mais baixos, fez com que elas perdessem a capacidade de se transformar em diferentes tipos celulares e passassem a se desenvolver de forma direcionada, o que pode comprometer etapas iniciais da gestação.

“Essas alterações podem impedir o desenvolvimento normal”, afirmou a pesquisadora Prue Talbot, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, que liderou o estudo, em comunicado.

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Interferência em um canal celular

A equipe também investigou como a vanilina provoca essas mudanças. Os resultados indicam que a substância atua por meio de um canal presente na superfície das células, chamado TRPV4.

Quando esse canal foi bloqueado em laboratório, os efeitos da vanilina deixaram de aparecer. Isso sugere que a ligação entre a substância e esse receptor desencadeia uma série de reações dentro das células, incluindo a entrada de cálcio, que altera o funcionamento celular.

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Esse processo levou à perda da chamada pluripotência e à formação predominante de um único tipo de tecido, ligado ao sistema digestivo e respiratório, em vez de um desenvolvimento equilibrado.

Limites do estudo e próximos passos

Os autores destacam que os testes foram feitos em laboratório e não envolvem gestantes. Por isso, não é possível afirmar que o mesmo efeito ocorre no organismo humano.

Ainda assim, os resultados levantam um sinal de atenção sobre a exposição a substâncias presentes em cigarros eletrônicos, especialmente em fases iniciais da gravidez. “Há pouco conhecimento sobre como esses produtos afetam o desenvolvimento embrionário”, disse Talbot.

Os pesquisadores também apontam que a exposição prolongada não foi avaliada e pode trazer efeitos diferentes. Novos estudos são necessários para entender se e como essas alterações se manifestam fora do ambiente experimental.

Enquanto isso, a equipe defende que informações sobre os componentes dos cigarros eletrônicos sejam mais claras e que o uso seja evitado durante a gestação, sobretudo em casos de dificuldade para engravidar ou histórico de perdas gestacionais.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Ravenna Alves.