Levantamento divulgado pelo MapBiomas nesta quarta-feira (12/8) aponta que vegetação nativa caiu de 79% para 65% do território brasileiro em 41 anos.
Os dados mostram que, apesar da redução do desmatamento registrada nos anos mais recentes, as mudanças acumuladas desde 1985 alteraram uma parcela expressiva do território.
Neste mesmo período, a área destinada à agropecuária aumentou de 18% para 32% do território nacional.
Dados do desmatamento
- A vegetação nativa caiu de 79% para 65% do território brasileiro em 41 anos; maior parte das áreas que permaneceram sem mudança corresponde a formações naturais;
- Amazônia e Cerrado registraram as maiores perdas acumuladas de vegetação nativa desde 1985;
- 25 estados e DF reduziram a participação da vegetação nativa entre 1985 e 2025;
- Agropecuária ampliou presença de 18% para 32% do território nacional de 1985 a 2025;
- Cruzamento com dados do MapBiomas Atmosfera indica maior impacto nos anos de El Niño em áreas onde predominam agropecuária do que em áreas onde predominam florestas, especialmente na Amazônia.
Uso da terra
Cerca de um terço do Brasil teve ao menos uma mudança de cobertura ou de uso da terra ao longo dos 41 anos analisados.
Na comparação direta entre 1985 e 2025, 241 milhões de hectares apresentam uma classificação diferente, e 56% dessa área corresponde à conversão de vegetação nativa para usos agropecuários.
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do Metrópoles
As maiores perdas absolutas de vegetação nativa ocorreram na Amazônia e no Cerrado, com redução de 53,9 milhões e 51,7 milhões de hectares, respectivamente.
Proporcionalmente, porém, Cerrado e Pampa tiveram as maiores quedas dentro de seus próprios territórios, de 34% e 32%. A Mata Atlântica continua sendo o bioma com a menor proporção de vegetação nativa, com 32% em 2025.
A transformação também aparece na maior parte dos estados. Entre 1985 e 2025, 25 estados e o Distrito Federal reduziram a participação da vegetação nativa.
O Rio de Janeiro foi a única exceção apontada pelo levantamento, com aumento de 1% no período.
Rondônia teve uma das mudanças mais acentuadas: a parcela do estado coberta por vegetação nativa passou de 92% para 59%.
Agricultura
Entre os usos que ganharam espaço, a agricultura passou de 18,6 milhões para 66,5 milhões de hectares. A soja respondeu por boa parte dessa expansão: saltou de 4,5 milhões de hectares em 1985 para 44,2 milhões em 2025.
As pastagens chegaram a 165,6 milhões de hectares e ainda representam mais da metade da área agropecuária brasileira.
A nova coleção também cruza as mudanças no uso da terra com dados de chuva durante três episódios fortes de El Niño — 1997/1998, 2015/2016 e 2023/2024.
Na Amazônia, o último desses eventos teve o maior déficit de precipitação entre os biomas analisados: nas áreas agropecuárias, foram 178 milímetros de chuva abaixo da média climatológica entre setembro e novembro.
Cerrado e norte da Mata Atlântica também registraram agravamento da redução das chuvas entre os episódios analisados.
No Sul, o comportamento foi diferente. Os eventos de El Niño estiveram associados a excesso de chuva, principalmente no Pampa e na porção sul da Mata Atlântica.
Segundo o MapBiomas, a comparação ajuda a mostrar como regiões com diferentes tipos de cobertura e uso da terra respondem de formas distintas aos extremos de precipitação.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Laura Braga.




