Verônica Costa pede revisão criminal e diz que ex fazia “roleta-russa” contra ela
Novo pedido usa como base boletim de ocorrência registrao em 2010 que relata que marido fazia roleta-russa contra a vereadora e teria retirado dinheiro de sua campanha
Segundo o documento, ela afirmou que era agredida física e psicologicamente, além de sofrer ameaças com arma de fogo. Em um dos episódios, o marido chegou a fazer, supostamente, uma “roleta-russa” apontando a arma para sua cabeça. O registro também relata uma suposta retirada de dinheiro destinado à campanha eleitoral.
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Verônica Costa, a “Mãe Loira”, é considerada foragidaCâmara de Vereadores do Rio de Janeiro Verônica Costa é considerada foragida da JustiçaReprodução / YouTube Veronica Costa é presaReprodução / Instagram: @portalg1 Veronica CostaReprodução / Instagram: @portalg1 Veronica Costa é presaReprodução / Instagram: @portalg1 Leo Dias
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Na ocasião, a vereadora procurou uma delegacia e solicitou uma medida protetiva de urgência. O pedido, segundo os documentos apresentados pela nova defesa, foi negado. Segundo a defesa, meses depois, ela teria sido, supostamente, agredida e roubada pelo ex-marido outra vez o que teria provocado a reação de amigos e familiares que sequestraram e torturaram Márcio Costa, dando origem a pena de prisão.
A defesa ainda afirma que não considera a reação física dos familiares uma forma adequada ou legítima de resolução do conflito, mas sustenta que o episódio deve ser contextualizado a partir da situação encontrada por eles e das condições de proteção disponíveis à mulher naquele período.
Para a defesa, essa evolução precisa ser considerada na análise histórica do caso: “É muito diferente olhar para uma mulher que procurou a polícia em 2010 com os instrumentos de proteção que temos em 2026. Hoje, uma mulher que relata agressões, violência patrimonial e ameaças com arma encontra uma legislação mais detalhada e mecanismos de proteção que foram fortalecidos ao longo de 16 anos. Não podemos analisar o que aconteceu em 2010 como se toda a estrutura existente hoje estivesse disponível naquela época”, afirmou a advogada.
A nova defesa sustenta que os documentos anteriores ao episódio precisam ser analisados para compreender o contexto em que os fatos ocorreram. Para a advogada Maíra Fernandes, a condenação desconsiderou elementos relacionados ao histórico de violência doméstica relatado pela vereadora.
“O processo precisa ser analisado a partir de toda a história, e não apenas do episódio final. Meses antes, ela havia procurado o Estado, registrado as agressões e solicitado proteção. A medida protetiva não foi concedida e ela retornou ao ambiente em que dizia sofrer violência. Para esse cenário, apenas dois desfechos eram possíveis: ou Veronica seria vítima de feminicídio ou reagiria à violência de Marcio para se salvar”, explica a advogada.
Entenda a condenação de Verônica Costa
A Justiça do Rio de Janeiro determinou a prisão da empresária e ex-vereadora Verônica Costa, conhecida como Mãe Loira do Funk, após o processo em que ela foi condenada por tortura contra o ex-marido, Márcio Costa, chegar ao trânsito em julgado. Com o esgotamento das possibilidades de recurso, a ordem de prisão foi expedida.
Na quarta-feira (23/09), a Polícia Civil tentou cumprir o mandado na casa de Verônica, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, mas ela não foi localizada. Com isso, passou a ser considerada foragida pela Justiça. No dia seguinte, no entanto, a ex-vereadora foi encontrada em um imóvel em Petrópolis, na região serrana do estado.
A decisão foi tomada pela juíza Daniele Lima Pires Barbosa, da 16ª Vara Criminal, após o processo chegar à fase em que não cabem mais recursos.
Em 2023, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aumentou a pena de Verônica de 5 anos e 10 meses para 10 anos e 8 meses de prisão. A alteração ocorreu após recurso apresentado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. A pena deve ser cumprida inicialmente em regime fechado.
O caso veio à tona em fevereiro de 2011, quando Márcio Costa denunciou à Polícia Civil que havia sido agredido pela então esposa. Segundo o depoimento dele, ele teria sido amarrado e amordaçado na cama do próprio quarto e permanecido sob tortura durante cerca de 20 horas.
Ainda de acordo com o relato apresentado no processo, parentes de Verônica teriam participado das agressões. Márcio afirmou que recebeu spray inseticida no rosto e teve gasolina derramada pelo corpo, além de ter sido ameaçado de ser queimado vivo.
A primeira condenação de Verônica ocorreu em 2019. Em 2023, além do aumento da pena, os desembargadores mantiveram a decisão que determinou a perda do mandato de vereadora.
Na mesma decisão, quatro parentes de Verônica também tiveram as penas aumentadas. Bruno Chaves Ribeiro, irmão da empresária, foi condenado a 10 anos e 8 meses de prisão. Já Tatiane Chaves Ribeiro, irmã de Verônica; Bruno Marcelo Bahia Marques, marido de Tatiane; e Sebastião de Oliveira Evangelista, padrasto da ex-vereadora, receberam penas de 10 anos de reclusão.
Os recursos apresentados pelas defesas dos réus foram rejeitados.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por João Victor.




