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WhatsApp de motorista de Haddad relata detalhes de ação da PM: "Fui se

Por Ramiro Brites
Divulgação/Fernando Haddad

O episódio ocorreu na noite da última terça-feira (11/8). A um advogado, o motorista mandou a primeira mensagem relatando o caso às 22h41.

“Não quero deixar vocês preocupados e nem quero esticar esse assunto até o chefe. Mas fui seguido por uma viatura da PM”, disse.

A mensagem foi enviada cerca de uma hora depois que o motorista deixou Haddad em sua residência, no Planalto Paulista, zona sul de São Paulo, após o petista participar de uma aula magna na Faculdade de Direito da USP. O profissional avisa ao advogado às 21h48: “em casa, tudo certo”.

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Motorista entrou em contato com advogado após estacionar o carro na terça-feira

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“Ficaram me seguindo”, relatou profissional no WhatsApp

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Motorista diz ter se sentido intimidado: “Mano, que medo”

Imagens de uma câmera de segurança mostram Haddad sendo deixado em casa, logo depois que uma viatura da PM passa pela frente da residência.

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do Metrópoles

Nas mensagens, obtidas com exclusividade pelo Metrópoles, o motorista conta que os policiais teriam colocado “uma lanterna no carro para ver quem estava dentro”. “Até aí o chefe estava junto”, diz ele, se referindo ao candidato do PT.

Ainda de acordo com o relato, ao deixar a casa do petista, o profissional notou que uma viatura estava parada no acostamento da avenida 23 de maio. Na sequência, o motorista afirma que foi seguido até parar em um posto de gasolina nas proximidades.

“Eles pararam e não paravam de me olhar. Aí percebi que o papo era comigo”, afirmou.

O homem segue relatando ao advogado que, para despistar, entrou no estacionamento de um hotel e ficou no local esperando a viatura ir embora. A interlocutores, o motorista relatou que ficou circulando por ruas internas por cerca de 40 minutos antes de estacionar no local.

Ao longo do relato feito pelo WhatsApp, o motorista diz que percebeu “o dia todo que as viaturas olhavam diferente para o carro”. “Mas achei que era neura minha”, afirma.

Às 22h46, o profissional diz: “vou até eles perguntar o que está pegando”. Quinze minutos depois, ele manda uma nova mensagem dizendo que estava no hotel esperando os policiais saírem. “Mano, que medo”, escreveu às 23h03.

O motorista teria ido até os policiais para perguntar sobre o acompanhamento. Ainda de acordo com o profissional, os agentes carregavam fuzis dentro da viatura e teriam dito para o motorista “vazar” após o questionamento.

SSP mostra novas imagens

Imagens de outra câmera de segurança divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) na noite dessa sexta-feira (14/8) mostram o carro do motorista de Haddad estacionando em frente ao hotel na rua Joinville às 21h58, segundo o registro do equipamento de um condomínio residencial.

Às 22h24, é possível ver uma viatura passando lentamente pelo carro, sem parar. Dois minutos depois, o veículo do motorista deixa o local. Neste momento da cronologia dos acontecimentos, há uma divergência de versões.

Os horários das mensagens, que teriam sido enviadas enquanto os fatos ocorriam, não são os mesmos exibidos pela câmera de segurança. A SSP afirma que a viatura não parou. Já o profissional da equipe de Haddad diz que a polícia estacionou alguns metros à frente.

O motorista relata que, antes de deixar o local, teria descido do carro e perguntado aos policiais o que estava acontecendo. Segundo ele, os policiais estavam fora da viatura e deram palavras de ordem o enxotando. Ele voltou ao carro, e foi embora. As imagens divulgadas pela SSP não mostram isso.

Após a divulgação das novas imagens, o Metrópoles entrou em contato com o motorista do candidato, que sustentou a versão.

Anteriormente, na noite de quinta-feira (13/8), a SSP havia emitido uma nota dizendo que as imagens cerca de 40 câmeras privadas de residências e estabelecimentos comerciais ao longo do percurso indicado pelo motorista foram verificadas. Depois da análise, a pasta afirmou não ter identificado “nenhum indício de abordagem ou procedimento irregular por parte dos policiais nem interação das equipes com o candidato ou membros da sua equipe”.

“Após a checagem visual, a identificação e o percurso das viaturas foram confirmados pelo sistema de geolocalização dos veículos. A apuração prossegue e, caso sejam identificados indícios de irregularidades, o procedimento poderá ser convertido em inquérito”, diz a nota da SSP.

Em nova nota enviada ao Metrópoles na noite dessa sexta-feira, a pasta afirmou que a presença de viaturas em determinada região, por si só, não caracteriza acompanhamento ou perseguição. A pasta também informou que o número de câmeras analisadas havia subido para 70.

Repórteres abordados

O Metrópoles foi, na tarde de sexta-feira (14/8), ao local onde o motorista ficou estacionado na noite de terça.

Enquanto pedia para olhar imagens das câmeras de segurança dos estabelecimentos comerciais do entorno da vaga em que o funcionário de Haddad estava parado, a coluna foi abordada por um homem e uma mulher que, sem se identificar, questionaram se a reportagem estava procurando por gravações.

Em um primeiro momento, ao ser indagada, a dupla não respondeu sobre o motivo de estar questionando os repórteres, mas admitiu estar ali também à procura de imagens sobre o ocorrido. Após insistência, o homem respondeu: “nós somos policiais”.

Ao ser questionado sobre o fato de a própria SSP ter informado na noite anterior que a polícia já havia analisado imagens de cerca de 40 câmeras, o homem que se disse policial afirmou que o objetivo era identificar imagens de “todos os ângulos” do fato.

O homem vestia uma camisa preta e uma calça jeans, sem identificação de qualquer corporação. A mulher estava de calça e camisa pretas, sem nenhum logotipo.

A reportagem passou por cinco estabelecimentos comerciais e escutou uma resposta padrão de que as imagens só seriam disponibilizadas com mandado judicial.

Funcionários de dois comércios, porém, contaram que viram as imagens e que elas registram a presença de uma viatura na noite de terça-feira. Os trabalhadores também relataram terem sido abordados, desde quarta-feira (12/8), por pessoas que se diziam da polícia à procura de gravações e que não apresentaram nenhum documento judicial para ter acesso aos vídeos.

Segundo um relato, uma das pessoas que procurou a gravação dispunha de um distintivo da polícia, embora não estivesse uniformizada.

Às 21h02 de sexta-feira (14/8), por meio de mensagem no WhatsApp, a SSP enviou nota, dizendo que irá “verificar as circunstâncias mencionadas e a identificação das pessoas citadas”.

Entenda o caso

  • Na última quarta-feira (12/8), Haddad relatou que o motorista do carro em que ele estava foi abordado por policiais militares (PMs) com fuzis após o político ser deixado em casa, na noite de terça-feira (11/8).
  • Durante uma entrevista a jornalistas após sabatina na sede da Ordem dos Advogados do Brasil – São Paulo (OAB-SP), o ex-ministro da Fazenda contou que voltava de uma aula magna na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) com seu motorista e, ao chegar à sua residência, uma viatura da Polícia Militar “jogou luz no carro”.
  • Na sequência, Haddad desceu do veículo, entrou em casa, e o funcionário seguiu viagem.
  • Mais à frente, contudo, o motorista continuou sendo seguido pelos policiais e estacionou o carro em frente a um hotel. Ele entrou no estabelecimento e, ao perceber que a viatura permaneceu no local, foi questionar os agentes sobre o motivo da perseguição.
  • Segundo o relato do petista, policiais carregavam fuzis dentro da viatura e teriam dito para o motorista ir embora após o questionamento. De acordo com Hélio Silveira, advogado de Haddad, o motorista relatou que a “abordagem toda teria durado cerca de 40 minutos”.
  • “O meu carro, depois que me deixou em casa, foi acompanhado por essa viatura da polícia durante muito tempo, de uma forma um pouco ostensiva e intimidadora. Quero crer que possa ter havido alguma confusão. Mas o meu motorista ficou muito assustado pela maneira como isso aconteceu”, relatou o ex-ministro.

Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Ramiro Brites.