Após uma série de polêmicas protagonizadas por criadores de conteúdo no US Open 2026, Wimbledon decidiu endurecer as regras para sua próxima edição. Nos últimos dias, situações ocorridas no torneio americano dominaram as redes sociais e reacenderam um debate sobre o comportamento do público em eventos esportivos. Episódios envolvendo barulho excessivo, circulação durante os jogos e o uso de equipamentos de gravação levaram tenistas como Coco Gauff e Naomi Osaka a pedir que os espectadores respeitassem a tradicional etiqueta do esporte.
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Episódios polêmicos
Uma das situações mais comentadas envolveu a tenista Naomi Osaka, que teve uma de suas partidas interrompida por ações de influenciadores nas arquibancadas. O episódio se somou a outros momentos em que espectadores utilizaram iluminação artificial intensa, como ring lights, para produzir conteúdo e fizeram barulho excessivo durante a disputa dos pontos.
“Acho que é uma questão de educação básica se informar sobre o esporte, especialmente sobre a etiqueta”, declarou a tenista à imprensa norte-americana após o ocorrido. “Pode ser bom ver pessoas popularizando o tênis para seus públicos específicos, mas acho que isso precisa ser muito melhor gerido — especialmente em situações como a do meu jogo de estreia”
Diante do comportamento de parte do público, Osaka e colegas do esporte, como Coco Gauff e Jessica Pegula, se manifestaram publicamente em defesa de regras básicas da etiqueta tradicional do tênis, que exige silêncio e atenção durante os pontos.
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do Metrópoles
“Tem gente lá embaixo tentando competir, e isso é a carreira e o trabalho deles. Parece um pouco desrespeitoso. Acho que talvez tenha passado um pouco do ponto, a sensação que dá, este ano”, afirma Jessica Pegula.
O francês Adrian Mannarino também criticou a postura da organização do US Open, especialmente pela tolerância à circulação de pessoas pelas arquibancadas enquanto a bola estava em jogo. Segundo o tenista, essa permissividade prejudica a concentração dos atletas e o andamento das partidas.
As críticas de Mannarino foram além. O jogador reclamou do barulho constante em diferentes áreas do complexo e do forte cheiro de maconha que, segundo ele, invade algumas quadras externas vindo do vizinho Corona Park. O conjunto desses fatores levou o francês a declarar que o torneio nova-iorquino estaria “virando uma espécie de zoológico”.
O incômodo com o odor também afetou Aryna Sabalenka. Durante a partida de terceira rodada contra Kamilla Rakhimova, em 4 de setembro, a tenista chegou a interromper brevemente o jogo no Louis Armstrong Stadium por causa do forte cheiro de maconha. Sabalenka se manifestou tanto para a arbitragem em quadra quanto posteriormente, durante uma coletiva de imprensa.
Entenda as medidas
De olho nos episódios ocorridos no US Open, Wimbledon planeja adotar medidas mais rígidas para controlar o comportamento do público e a presença de criadores de conteúdo na edição de 2027. Ao contrário do torneio norte-americano, que concedeu cerca de 100 credenciais oficiais a influenciadores digitais, o campeonato britânico não terá uma categoria específica de credenciamento para influenciadores ou criadores de conteúdo. A decisão busca evitar uma presença excessiva de produtores de vídeos nas arquibancadas.
O All England Club também poderá confiscar objetos capazes de interferir no andamento das partidas, incluindo acessórios de iluminação portátil, como as ring lights. As regras oficiais de acesso ao clube já proíbem a entrada de itens que possam ser utilizados para perturbar os jogos.
@katticuspfinch Tennis etiquette is that you don’t even GET UP IN THE MIDDLE OF A POINT but now at @US Open apparently it’s ring lights and photo shoots everywhere in the MIDDLE OF A POINT. Listen, I love bringing new people to the open and I’m all for getting more people into tennis because it’s such a fun sport to watch but if you’re going to disrespect the players, you shouldn’t come to the match. And I LOVE content creators bringing tennis to everyone on social media but if you’re not going to be respectful of the game being played thats NOT OKAY. Yyou can see ring lights from all over the stadium and the umpire and players made it very clear that it’s a HUGE DISTRACTION and it’s now impacting the players ability to play the game we are all here to see. And apparently the us open and USTA are just fine with it because their staff is helping it happen. @influencersinthewild @Tennis Channel #nyccontentcreator #naomiosaka #usopen #tennistiktok #usopentennis ♬ original sound – There I Ruined It
Além disso, Wimbledon está revisando suas políticas de funcionamento, incluindo as normas relacionadas ao uso das redes sociais dentro das instalações. A discussão faz parte da atualização anual das diretrizes do torneio e acompanha as mudanças no comportamento do público e na forma como grandes eventos são consumidos — e registrados — na era digital.
Expectativa e realidade
Mas a discussão também levanta uma questão importante: até que ponto é justo responsabilizar exclusivamente os influenciadores pelo comportamento que gerou a polêmica? Afinal, muitos desses criadores foram convidados oficialmente para participar do US Open e produzir conteúdo sobre o evento. Se o torneio abriu espaço para esse novo tipo de público, caberia apenas aos convidados conhecerem, por conta própria, todas as regras — escritas e não escritas — da tradicional etiqueta do tênis?
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Registros com a quadra aparecendo no fundo são comuns entre o público
@amina.ladymya/Instagram/Reprodução2 de 3
Wimbledon visa evitar disrupções causadas por influenciadores no US Open
@mariechoimannix/Instagram/Reprodução3 de 3
Presença de influenciadores foi criticada por diversos tenistas
@camiromerooller/Instagram/Reprodução
A responsabilidade, nesse caso, parece ser compartilhada. As empresas que contrataram os influenciadores poderiam ter orientado seus convidados sobre o comportamento esperado nas partidas. A produção do evento, por sua vez, também tinha condições de estabelecer diretrizes claras e apresentar previamente as normas que regem a circulação, a produção de conteúdo e o uso de equipamentos dentro do complexo.
A presença de criadores de conteúdo não surgiu espontaneamente nas arquibancadas: ela foi incentivada pelo próprio ecossistema que organiza, patrocina e transforma os grandes eventos esportivos em produtos cada vez mais conectados às redes sociais. Mais do que “proibir influenciadores”, talvez o desafio esteja em entender como integrá-los a espaços tradicionalmente regidos por códigos de conduta específicos.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Bianca Tôrres.




