Ex-secretário diz que Rocha transferiu delegados para gerar discórdia na Polícia Civil

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22 Jan de 2020 do YacoNews
Do Noticias da Hora

Áudio obtido com exclusividade pelo Notícias da Hora revela os bastidores da saída de Rêmullo Diniz do comando da Polícia Civil e o que estava por trás da transferência de delegados para a Delegacia da Mulher.

O racha na Polícia Civil do Acre é cada vez mais evidente. A motivação seria a transferência de delegados de suas regionais sem antes ser mantido um diálogo. Um áudio comprova essa tese. Na conversa, o ex-secretário de Polícia Civil Rêmullo Diniz acusa o vice-governador Major Rocha (PSDB) pela interferência direta na Polícia Civil.

A transferência dos delegados Pedro Henrique Resende e Karlesso Nespoli para a Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM/DEPCA) e Sérgio Lopes, que atuava na Delegacia de Combate a Roubos e Extorsões (DCORE), para a Delegacia Geral de Polícia Civil da 3ª Regional (3ª DPCR) foi uma ordem expressa de Rocha.

De acordo com Rêmullo Diniz, Rocha “queria briga aqui dentro” referindo-se à Polícia Civil. Diniz salientou que desde o início bateu de frente com o vice-governador e que sempre se reportava ao governador Gladson Cameli (Progressistas) dos problemas enfrentados pela gestão.

“Ele queria briga aqui dentro. Se provou que eu não abro. Eu sempre discuti isso. Sempre bati de frente. A minha gestão, inclusive, a gente não conversava, eu quase não ia lá com ele. Só conversava com o Gladson. Ele não gosta disso, ele gosta de um cara que o obedeça. Essa conversa de diminuir as especializadas aqui está totalmente na contra mão dessa situação”, completa Diniz.

Interpelado a todo momento pelos colegas delegados a respeito da situação de transferência dos mesmos para a Delegacia da Mulher (DEAM), Rêmullo afirmou que esta foi a desculpa encontrada para ser dada à imprensa no sentido de convencer a opinião pública que havia a necessidade de se reforçar o trabalho da DEAM e não o que estaria por trás de tudo isso, que seria a ordem do vice-governador.

“A verdade é essa. Eu sou homem para falar a verdade. Tudo isso eu sei que foi um jogo, desde o início. É um jogo com os peritos que vão se fu… O discurso do Henrique… é tudo de um jogo planejado. Ele tentou me derrubar três vezes o Gladson me segurou. Ele queria somente uma desculpa. E qual foi a desculpa que ele usou para que eu tivesse que sair? Me diga qual foi a desculpa? A desculpa da briga que eu tinha com vocês que não acabava nunca. Eu tinha briga com vocês quando? A verdade é essa, ele procurou uma desculpa acabou-se”.

E acrescenta: “Sair desse cargo foi um presente. Sério. Eu agradeço de coração” e acrescenta em outro trecho: “eu passei um mês fora. Eu só não abandono pra não ser covarde, agora esse cargo não me fez feliz nenhum dia. Eu não perdi nada”, disse Rêmullo aos colegas.


Em outro ponto da conversa o ex-secretário de Polícia Civil ressalta que foi convidado por Rocha ao deixar a Secretaria a compor a Força Nacional, mas ele negou a proposta alegando “ter princípios”. De acordo com ele se retirar um delegado de Rio Branco, a escala ficaria descoberta. Nesse sentido, optou por ficar no Acre.
A conversa termina de forma aparentemente amistosa. Rêmullo Diniz se coloca à disposição dos colegas delegados, mas revela a trama nos bastidores que levaram à sua saída e a transferência dos delegados para a DEAM.


O outro lado

O Notícias da Hora ouviu o vice-governador Major Rocha a respeito das declarações de Rêmullo Diniz. Rocha afirmou que desconhece a existência da reunião sobre os esclarecimentos de Diniz aos demais delegados. Limitou-se a dizer que a saída de Rêmullo Diniz se deu devido à instabilidade dentro da Civil na gestão do delegado.

“Não sei de nenhuma reunião. Quanto a saída dele a razão foram as instabilidades criadas pelos próprios colegas”, salienta o vice-governador.

Ainda de acordo com Wherles Rocha, ele tem procurado manter-se distante das questões administrativas que envolvem as Polícias. Ele afirmou que confia totalmente na gestão do novo delegado-geral de Polícia Civil para gerir os problemas da pasta.

“No resto não me envolvo em questões administrativas das pastas, o Delegado Henrique tem autonomia plena para gerir as ações da Polícia Civil e conta com meu apoio integral”, disse o Rocha.

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