MP-AC questiona Iapen sobre segurança e quem monitorava câmeras de presídio durante fuga em massa

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23 de 2020 do YacoNews

Por Aline Vieira
Após duas fugas registradas em uma semana no Complexo Prisional Francisco d’Oliveira Conde (FOC), em Rio Branco, o Ministério Público do Acre (MP-AC) investiga se houve falha na segurança da unidade e o trabalho dos policiais que estavam nos plantões. Em apenas uma dessas fugas, 26 presos de uma mesma facção escaparam do complexo pulando dois muros.

Sete detentos que participaram da fuga em massa, na segunda-feira (20), já foram recapturados, e 19 seguem foragidos.

A primeira fuga registrada no complexo em 2020 ocorreu no último dia 13, quando quatro presos do pavilhão P do FOC quebraram o alambrado, que fica ao redor do pavilhão, e deixaram a unidade. Nenhum deles foi capturado até o momento.

Em entrevista à Rede Amazônica Acre, o promotor Tales Tranin, da 4ª Promotoria Criminal de Execução Penal e Fiscalização de Presídio e também da Promotoria de Segurança Pública, disse que abriu um procedimento administrativo para investigar as fugas. O MP-AC apura também se houve facilitação de servidores.

Tranin quer esclarecer se havia alguém na sala de monitoramento do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC) de olho nas imagens das câmeras, se os servidores responsáveis pela segurança no perímetro do muro estavam na guarita e se os policiais penais dos pavilhões não ouviram quando os presos quebravam a parede das celas a marretadas e fugiram.

“Já houve aquela fuga no dia 13, que foi feito aquele buraco daquele tamanho em um pavilhão onde não há ventilador, televisão e nenhum barulho interno que podia disfarçar as marretadas que foram dadas nas paredes e ninguém escutou. Então, isso é uma coisa que achamos meio estranho”, reafirmou.

O diretor-presidente do Iapen-AC, Lucas Gomes, disse que o instituto e a Polícia Militar instauraram procedimento administrativo para investigar as fugas.

“A Polícia Civil conduz inquérito também para buscar uma solução para o caso”, resumiu.

Na primeira fuga do ano, sensor de presença foi desligado

O promotor disse também que já foi apurado que durante a primeira fuga, no Pavilhão P, o sensor de presença do complexo não estava funcionando. Quando soube disso, ele revelou que enviou um ofício ao Iapen-AC exigindo uma apuração séria e rígida.

“Depois de uma semana houve essa fuga em massa. Então, cadê a pessoa que estava na guarita? Os policiais penais estavam no pavilhão no momento? Existe no Iapen uma sala onde se monitora as imagens, a pessoa estava olhando na hora?”, questionou.

Ainda segundo Tranin, os esclarecimentos vão começar na segunda (27), quando a Polícia Civil do Acre inicia as oitivas das investigações. Além disso, a corregedoria da Polícia Militar apura a conduta dos policiais que estavam no local.

“Estamos no acompanhamento das investigações da Polícia Civil e do Iapen. Na corregedoria do Iapen as investigações já começaram, com ajuntado de documentos, imagens e as oitivas vão começar a partir de segunda. A corregedoria da PM também já ouviu os militares envolvidos, então, vou solicitar também essas oitivas que já foram realizadas”, acrescentou.

O promotor garantiu que vai apurar tudo de maneira mais rápida possível para dar uma resposta à sociedade. Segundo ele, no máximo em dez dias o Iapen-AC deve concluir as investigações.

“O que não podemos permitir é que isso continue acontecendo dessa forma. Todo processo tem um preço, é todo um aparato que custa dinheiro para depois os presos saírem assim e fazer crimes na ruas e deixar a população aterrorizada como aconteceu na segunda [20]”, concluiu.

Visita íntima suspensa

Após a fuga em massa, a visita íntima que deveria ocorrer na quarta-feira (22) foi suspensa no Complexo Prisional Francisco d’Oliveira Conde (FOC), em Rio Branco.

Em nota, o Iapen afirmou que a suspensão da visita é parte das ações e procedimentos que são feitos nas unidades para evitar novas fugas e garantir a segurança. A visita íntima foi suspensa apenas no FOC, onde ocorreu a fuga. Nas demais unidades prisionais do estado a visita foi mantida.

Crítica Asmac

A Associação dos Magistrados do Acre (Asmac) fez duras críticas à Segurança Pública do Acre. A nota foi uma resposta às declarações da cúpula da Secretaria de Segurança, que teria acusado o Poder Judiciário pela grave crise na segurança.

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