Bolsonaro deixa o Acre fora da Rota: Ao custo de R$ 15 Bi, ferrovia será construída ligando Sinop ao porto de Miritituba, no Pará

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27 Fev de 2020 do YacoNews
Por Alemão Monteiro


O governo Brasileiro anuncia a licitação para início da Obra, que ligará a cidade de Sinop no Mato Grosso ao Porto de Miritituba no Pará, ficando o Acre fora desta ligação, como fora prometido pelo presidente Jair Bolsonaro.


Após o tão esperado término do asfaltamento da BR-163, outro sonho do produtor mato-grossense volta à tona: a estrada de ferro EF-170, mais conhecida como Ferrogrão. Ao custo de R$ 15 bilhões – para os 65 anos de operação – a licitação da ferrovia deve ser realizada em outubro, depois de muitos atrasos.

A previsão para a licitação (do Governo Bolsonaro) era o início deste ano, mas, segundo o diretor-executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz, a burocracia acabou atrasando novamente o andamento do projeto.

“O Governo resolveu que vai fazer a concessão até março, depois segue para o TCU e só lá pelo mês de outubro teremos finalmente a licitação”, explicou.


A ferrovia será construída paralela à BR-163, ligando Sinop ao porto de Miritituba, no Pará. O principal empecilho para a obra era a aprovação da MP758/2016, que alterava os limites do Parque Nacional do Jamanxim para que a estrada possa passar pela reserva.

A aprovação no Senado se deu em maio de 2017, e a sanção do presidente em junho daquele ano e, desde então, o setor produtivo aguarda os próximos desdobramos.

O presidente da República, Jair Bolsonaro (Sem Partido), disse em entrevista ao Estadão 1º de novembro do ano passado, que pretende investir os US$ 10 bilhões prometidos ao Brasil pela Arábia Saudita em obras de infraestrutura, especialmente ferrovias, “para mudar nosso modal de transporte”. “Pretendemos, quem sabe, fazer a saída para o Pacífico, partindo do Acre”, afirmou ao Estadão.

Segundo Bolsonaro, o investimento era possível após retomada da confiança no Brasil. “O príncipe herdeiro da Arábia saudita investiu US$ 200 bilhões no mundo. Zero na América do Sul. Por quê? Não vou perguntar para ele. Foi por falta de credibilidade”, comentou.

A extensão total do traçado da Ferrovia Transcontinental Brasil-Peru, também conhecida como Bioceânica, é de 4,9 mil km. O trecho peruano tem extensão de 1,6 mil km e o brasileiro, quase 3,3 mil km. Ela se inicia em Campinorte, no interior de Goiás, passando pelo Mato Grosso, Rondônia e Acre, até chegar à fronteira peruana, cruzando a Amazônia e os Andes até os portos no Oceano Pacífico. Na direção leste, rumo ao Atlântico, pode se ligar às ferrovias Oeste-Leste e Norte-Sul.

Redução drástica nos custos do frete

Se hoje o produtor comemora o asfaltamento da BR-163 e a queda de 26% do valor do frete de Sinop até Miritituba em relação à safra passada, com a chegada da ferrovia esse custo tende a cair pela metade.


“A nossa grande esperança é que a Ferrogrão seja a balizadora dos fretes em Mato Grosso”, comentou Edeon.

Mas, após a conclusão da parte burocrática, ainda levará anos para a Ferrogrão entrar em operação. A previsão, segundo o estudioso, é que por ano sejam construídos 200 quilômetros, ou seja, ao menos cinco anos de obras, na melhor das hipóteses.


A ferrovia terá capacidade para escoar, em média, 35 milhões de toneladas de grãos por ano. O projeto prevê o transporte das cargas de grãos de Sinop a Miritituba, distrito de Itaituba (PA), de onde serão levadas pela hidrovia do rio Tapajós até os portos de Santarém, Barcarena, Itacoatiara e Santana do Amapá.

Até chegar a Miritituba, a ferrovia deverá “subir” pela área de influência da BR-163. O traçado inicial prevê a saída do município de Sinop, mas existe a possibilidade de ampliação até Lucas do Rio Verde, o que aumentaria o traçado em 140 km.

O governo estima ainda que a Ferrogrão pode chegar a 2050 transportando um volume superior a 42 milhões de toneladas. A ferrovia seria uma alternativa para o escoamento da produção de grãos do norte de Mato Grosso para os terminais paraenses, hoje bastante dependente da rodovia BR-163.

Investimento.

Nas contas do governo federal, o investimento inicial era de R$ 12,6 bilhões em uma concessão válida por 65 anos. Mas, com a atualização dos custos, esse montante pode chegar a R$ 15 bilhões.

As principais interessadas são as maiores tradings que operam no Brasil; ADM, Bunge, Cargill, LDC (Louis Dreyfus) e A Maggi. As cinco se uniriam à Estação da Luz Participações (EDLP), especializada em logística. Mas, como se trata de uma concessão, outras empresas podem manifestar interesse em participar da concorrência pública.


Em recesso carnavalesco, ninguém do governo foi encontrado para comentar a matéria. Esperança é que a Ferrogrão seja a balizadora dos fretes em MT, disse Edeon Vaz, do Movimento Pró-Logística.

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