Jovem renuncia à herança de R$ 22 bilhões pois “dinheiro não deixa feliz”

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Quem renunciaria à uma herança de mais de 4,2 bilhões de euros (cerca de R$ 22 bilhões) por achar que o dinheiro “não o deixaria feliz”?

Esse é o caso da alemã Marlene Engelhorn, 29 anos, herdeira do império químico Basf, que anunciou que vai renunciar a 90% de sua herança por achar que “não fez nada para receber o dinheiro, sendo pura sorte, acaso do nascimento”.

Sua decisão despertou uma curiosidade global, com a mídia europeia em particular que dedicou muito espaço para a jovem, e com as redes sociais que registraram uma explosão de comentários.

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Jovem renuncia à herança de R$ 22 bilhões pois “dinheiro não deixa feliz”
Marlene Engelhorn, 29 anos, herdeira do império químico alemão Basf, anunciou que vai renunciar a 90% de sua herança e quer mais impostos sobre fortunas
Marlene Engelhorn, 29 anos, herdeira do império químico alemão Basf (Millionaire for Humanity/Reprodução)
Marlene Engelhorn, 29 anos, herdeira do império químico alemão Basf (Millionaire for Humanity/Reprodução)

Carlo Cauti
Publicado em 08/08/2022 às 16:03.

Última atualização em 09/08/2022 às 15:25.

Quem renunciaria à uma herança de mais de 4,2 bilhões de euros (cerca de R$ 22 bilhões) por achar que o dinheiro “não o deixaria feliz”?
Esse é o caso da alemã Marlene Engelhorn, 29 anos, herdeira do império químico Basf, que anunciou que vai renunciar a 90% de sua herança por achar que “não fez nada para receber o dinheiro, sendo pura sorte, acaso do nascimento”.

Sua decisão despertou uma curiosidade global, com a mídia europeia em particular que dedicou muito espaço para a jovem, e com as redes sociais que registraram uma explosão de comentários.

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Engelhorn receberá o dinheiro após sua avó, Traudl Engelhorn-Vechiatto, 94 anos, falecer.

Há dois anos, a anciã matriarca revelou seu testamento à família. Naquela ocasião, Engelhorn deixou claro que não queria sua parte.

A jovem declarou que não estava feliz e se disse “chateada” com a eventualidade. Portanto, quando receberia o dinheiro se livraria rapidamente dele.

Engelhorn, que por sinal nunca trabalhou na empresa de família, e mesmo chegando na casa dos 30 anos ainda estuda literatura alemã na faculdade de Viena, disse acreditar que as heranças deveriam ser tributadas pesadamente.

Segundo ela, o dinheiro “faz provavelmente poucas pessoas felizes”.

Para a jovem, muito dinheiro corre o risco de se tornar um problema e não uma vantagem, porque a riqueza excessiva pode levar à tensões, problemas e mal-entendidos em vez de soluções.

“Que vantagem eu teria em ser super rica, Uma riqueza só para mim? Vou acabar ficando sozinha”, declarou a jovem, salientando como, segundo ela, faz muito mais sentido compartilhar esse dinheiro com a sociedade.

Herdeira alemã quer aumentar os impostos sobre heranças
A escolha tornou-se um fato público, pois Engelhorn faz parte de uma associação internacional de jovens ricos chamada “Millionaires for Humanity” (Milionários para a Humanidade, na tradução em português), que pede aos governos que aumentem a carga tributária sobre heranças e grandes fortunas.

Em um vídeo no site da associação, ela declara que “os bilionários não deveriam ter o direito de decidir se e como vão contribuir com a sociedade” pois a “justiça social é o maior interesse de todos”.

Ela também é uma das fundadoras do movimento “Tax Me Now” (Me taxa agora, na tradução em português , um grupo de pessoas que se autodenominam “milionários patrióticos” e exigem mais impostos sobre a riqueza.

No Fórum Econômico de Davos, ocorrido em maio passado, Engelhorn manifestou pelas estradas da pequena cidade suíça com uma placa onde estava escrito “In Tax We Trust” (Em impostos nos acreditamos, na tradução em português). Uma referência ao lema dos Estados Unidos que, no entanto, prefere a palavra “Deus” a aquela “impostos” (In God We Trust).

Herdeira desconhece origem da fortuna da sua família
A jovem também disse não saber sobre a origem da fortuna que vai herdar.

Em uma das muitas entrevistas que concedeu recentemente, ela respondeu “não sei a história exata e a origem da fortuna, nem mesmo quanto trabalho deu para acumular. O que posso dizer é que não é meu trabalho”.

O grupo Basf, acrônimo de Badische Anilin & Soda Fabrik (Fábrica de Anilina e Soda de Baden, na tradução em português), foi fundado na cidade de Ludwigshafen am Rhein, no länder do Renânia-Palatinado por Friedrich Engelhorn, tataravó da herdeira, em 1865.

A empresa é um dos grandes exemplos da capacidade científica e empresarial alemã, assim como de determinação e falta de limites.

Ligação entre Basf e regime nazista
Em 1925 a empresa se tornou monopolista após a fusão com outros grupos químicos, formando a Ig Farben. Esse conglomerado ficou famoso por ter construído a fábrica de Auschwitz na qual era produzido o Zyklon-B, usado nas câmaras de gás.

Não foi, no entanto, uma escolha ou uma decisão deliberada da empresa: durante o regime nazista o grupo químico e seus executivos não tiveram a possibilidade de contestar as decisões de Adolf Hitler.

Após a guerra, em 1952, a Basf foi refundada com o nome original, cresceu enormemente e hoje tem mais de 200 filiais, joint ventures e unidades de produção em 50 países espalhados pela Europa, Ásia, América do Norte e do Sul.

Só no ano passado, a empresa, faturou 7,8 bilhões de euros (cerca de R$ 41 bilhões).

Provavelmente, Marlene sabe dessa parte da história, que deve ter marcado a vida de toda a família no pós-guerra.

A avó Traudl, por exemplo, é uma grande filantropa e sua fundação financia inúmeras iniciativas de pesquisa médica.

Curiosamente, também salvou do fechamento uma pesquisa do centro Max Plank Gesellschaft que estuda os sistemas jurídicos islâmicos que regem a família e a herança.

A herança sempre volta, para os Engelhorn: a do dinheiro e a da história.

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