Qualidade do ar no Acre está 4 vezes abaixo do recomendado pela OMS

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Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), publicados nesta quarta-feira (31), o estado do Acre registrou 3.088 focos de queimadas, um número 16% abaixo do ano passado, que contou com 3.713 incidências no mesmo período. Mas não há motivos para grandes comemorações.

No mês de agosto, o Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC) foi acionado para atender pelo menos 728 ocorrências de casos de incêndios na capital. Feijó está entre os 10 municípios que mais queimaram no país, e tornou-se o líder do estado em queimadas, com 904 focos, enquanto a Amazônia como um todo registrou mais de 31.513 incêndios no mês, batendo um recorde de 12 anos.

Além disso, comparando com a média histórica, que é de 26.000 focos aproximadamente em agosto, a Amazônia está queimando agora mesmo em 20% acima da média, com intensificação nos últimos dois meses.

Recorde de Desmatamento

Como se não bastassem as queimadas no período mais seco do ano, a Amazônia também bate recorde de desmatamento, com 8.590 km² derrubados, de acordo com o Deter, do Inpe. Um relatório do MapBiomas também aponta que o desmatamento no Brasil cresceu 20,1% em 2021, com perda de área verde comparável ao Estado do Rio de Janeiro (16,5 mil km²) em todos os biomas.

No Acre, atualmente, a qualidade do ar está 4 vezes abaixo da recomendada como saudável pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Em algumas localidades como Santa Rosa do Purus, por exemplo, o registro saiu bem acima da média: 107 ug/m³, quando o considerado aceitável não pode passar de 25 ug/m³.

Existem motivos

Muito é dito para justificar as tradicionais queimadas no estado entre julho e setembro: cultura local, período muito seco, mas o principal motivo atualmente apontado por especialistas têm sido as brechas legais aprovadas recentemente no Congresso, que coíbem a ação dos órgãos fiscalizadores.

Segundo Queylson Souza de Lima, Engenheiro Florestal e Coordenador Técnico da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e das Políticas Indígenas (SEMAPI), cedido pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre (IMAC) à Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SEMA), as queimadas urbanas estão crescendo desproporcionalmente em relação à maior parte realizada em áreas rurais. Revelou que não são os grandes proprietários rurais os maiores responsáveis, mas sim os pequenos, por falta de mecanização e acompanhamento técnico.

O especialista citou algumas situações que podem ser causadoras dos incêndios registrados neste período em 2022, como o uso de métodos de desmate e queima para produção e principalmente em projetos de assentamentos, mesmo com as missões integradas no combate aos desmatamentos e incêndios. Além do grande número de incêndios urbanos e perimetral as cidades que também contribuem muito para agravamento da situação.

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