Após quatro dias presos em bloqueio na BR-364 em RO, estudantes de psicologia da Ufac chegam em Rio Branco

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Um grupo de estudantes do curso de psicologia da Universidade Federal do Acre (Ufac) conseguiu voltar para Rio Branco após ficar quatro dias preso no bloqueio ilegal na BR-364, em Rondônia. Os estudantes saíram do estado acreano de ônibus, no último dia 6, para participar do 6º Congresso Brasileiro de Psicologia em São Paulo.

Quarenta e um alunos e um professor estiveram no congresso e apresentaram 31 trabalhos. Na quarta (16), o ônibus saiu de São Paulo com o grupo para voltar para o estado acreano. Ao chegar no estado de Rondônia na sexta (18), os alunos foram surpreendidos com os bloqueios ilegais na cidade de Cacoal (RO).

Os bloqueios feitos por bolsonaristas em trechos da rodovia federal começaram ainda no dia 30 de outubro após o resultado das eleições presidenciais. A BR-364 é a única que liga o Acre ao restante do país.

“Na volta descemos no ônibus, fomos conversar com os organizadores para explicar que a gente estava há muitos dias longe de casa, que não tinha mais dinheiro para ficar na estrada. Muitas vezes foram agressivos, vinham com violência verbal. O motorista ficou responsável por tentar fazer esse diálogo, mas não deixaram a gente passar na volta. Ameaçaram queimar o ônibus, soltavam fogos de artifício, tinham caminhões de gás, de gasolina e a gente estava entre esses caminhões”, relembrou a estudante Kassia Geovana, de 26 anos.

Estudantes foram resgatados por carros da Ufac e um van do Estado — Foto: Arquivo pessoal

Assistência
Ainda segundo a estudante, foi cedido um auditório em Rondônia após tratativas da Ufac e a universidade rondoniense para o grupo usar banheiros, áreas de serviço e ficar instalado durante dois dias em Cacoal.

No domingo (20), alunos que tomam remédios controlados e prescritos ficaram sem estoque. Kassia destaca que a Secretaria Municipal de Saúde de Cacoal forneceu medicamentos para os alunos diabéticos e hipertensos. “No dia 21, fomos novamente parados no bloqueio da estrada no trecho de Jaci-Paraná, onde manifestantes bloquearam a estrada com tubos de concreto, barro e entulhos”, diz

Kassia recorda que foram ouvidos muitos insultos, assédios contra as mulheres e que alunos LGBTQIA+ ficaram com medo de serem agredidos pelos manifestantes. “Ouvimos eles falar que tinham coquetel molotov, víamos passar armados dentro dos carros. Não deram nenhum suporte durante esses dias que ficamos na estrada”, lamentou a estudante.

Os estudantes foram resgatados em Nova Califórnia (RO) após a universidade enviar três carros e uma van, que, segundo a aluna, foi cedida pelo governo estadual.

“Ficamos muito no sol, a maioria está muito queimada, ficamos desidratados, chegamos com a pressão baixa, durante esse processo teve gente que desmaiou. Foi muito difícil lidar com o emocional. Sofremos muito assédio, ouvimos coisas obcenas o tempo inteiro”, concluiu.

Prejuízos no comércio
Os bloqueios na rodovia causaram o desabastecimento de combustível e cerveja no Acre. Mesmo com o desbloqueio, na tarde dessa terça (22), ainda faltam alguns itens para os moradores, como combustíveis e cerveja nesta quarta (23).

Muitas carretas chegaram ao estado com gasolina e outros materiais, contudo, as cargas ainda não são suficientes para normalizar a situação nos comércios.

O governo do Acre montou um gabinete de crise para discutir e tomar as devidas medidas com relação aos prejuízos causados pelos bloqueios ilegais na BR-364, em Rondônia, que dá acesso ao estado acreano. O decreto com a criação do grupo foi publicado na edição desta quarta (23) do Diário Oficial do Estado (DOE) e tem validade de 15 dias.

Outra medida tomada pelo governo do Acre foi o pedido de reforço da Força Nacional para evitar novos bloqueios ilegais na BR-364 no lado rondoniense e que tem prejudicado o abastecimento no estado.

Na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), o líder do governo, deputado estadual Pedro Longo (PDT), afirmou que o pedido foi feito após o estado já sofrer com desabastecimento de vários itens por conta das manifestações ilegais na estrada federal que liga o Acre ao restante do país. Ele afirmou que outros pedidos já tinham sido feitos anteriormente junto às autoridades federais, como a PRF.

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