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Opinião

Armas de fogo: mais violência e gastos na saúde pública

Publicado

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 14 Jan de 2019 do YacoNews

Em 2002, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou o primeiro “Relatório Mundial sobre violência e saúde”, com a intenção de apresentar uma resposta global à violência e tentar tornar o mundo um lugar mais seguro e saudável. Naquela época, mais de 1,6 milhão de vidas eram perdidas por ano em razão desse problema. Esse trágico estado exigia um esforço urgente das nações para o enfrentamento e compreensão do tema.

 O Relatório Mundial é parte importante da resposta da OMS à Resolução de 1996, da Assembleia Mundial de Saúde, que considerou a violência como um problema importante, e crescente, de saúde pública no mundo. Em 2002, o Ministério da Saúde estruturou a “Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências”, estabelecendo diretrizes e responsabilidades institucionais com medidas inerentes à promoção da saúde e à prevenção desses eventos, articulando diversos segmentos sociais.

 Vê-se, assim, que a relação direta e impactante entre a ocorrência de eventos violentos, como acidentes com veículos automotores, ferimentos ocasionados por armas de fogo, entre outros, a saúde pública tem sido objeto de preocupação de países e órgãos públicos há algum tempo. Dessa forma, para estruturação de uma política pública de saúde é preciso não apenas se atentar para as causas dessas ocorrências como atuar na prevenção desses eventos em total sintonia com outros órgãos e instituições públicas.

 Segundo o “Atlas da Violência 2018”, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e IPEA, em 2016, o Brasil alcançou a marca histórica de 62.517 homicídios, segundo informações do Ministério da Saúde. Isso equivale a uma taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes, que corresponde a 30 vezes a taxa da Europa. Apenas nos últimos dez anos, 553 mil pessoas perderam suas vidas devido à violência intencional no Brasil.

 De 2006 para 2016, a taxa de homicídio por arma de fogo cresceu 15,4% no país, número próximo aos 14% de crescimento na taxa de homicídio em geral. A maioria das vítimas são jovens pobres e negros.

 Vale salientar que mais da metade das mortes por homicídios são de jovens e que a maioria é negra e pobre. Em 2012, quando era ministro da Saúde, ajudei a implementar o “Juventude Viva”, programa que conta com ações interministeriais, a fim de ampliar o acesso às políticas públicas, a prevenção para reduzir a vulnerabilidade e violência de jovens negros e o racismo institucional nos municípios. Em 2017, o “Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência”, trouxe que o risco de uma jovem negra ser vítima de homicídio no Brasil é 2,19 vezes maior do que uma branca.

 Outro estudo recente, publicado no Global Burden Disease, órgão da OMS coloca o Brasil como o país onde mais se mata com armas de fogo no mundo. O estudo revela, ainda que “Os padrões documentados na África do Sul e no Brasil também apoiam uma ligação entre restrições regulatórias ao acesso de armas de fogo e subsequentes reduções nas taxas de mortes por elas”.

 É o que dizem especialistas: sem a política do desarmamento esses números seriam ainda maiores e mais alta e profunda seria a tragédia para a saúde pública. Feita toda essa contextualização, não há como não expressar, como médico e ex-ministro da Saúde, uma profunda e latente preocupação com o que o novo governo, pelo seu presidente e ministro da Justiça, anunciou como uma das prioridades: a flexibilização e liberalização do porte e posse de armas no Brasil.

 A medida vem na contramão de todos os estudos realizados durante as últimas décadas, documentos e recomendações da OMS e esforços do Estado desde, inclusive, governos anteriores aos do PT.

 É um completo e inexplicável contrassenso de consequências terríveis para a população brasileira e para a saúde pública. Uma completa irresponsabilidade.

 O projeto do governo, anunciado sem qualquer estudo prévio de impacto, sendo que uma das inovações seria a utilização do critério de residência “em áreas urbanas com elevados índices de violência” e com índice anual de mais de dez homicídios por cem mil habitantes.

 Para se ter uma ideia do impacto dessa decisão, a medida atingiria 3.485 das 5.570 cidades, ou 62% dos municípios do País, onde vivem 76% da população brasileira. Trocando em miúdos, 3 a cada 4 brasileiros poderão ter duas armas em breve. Em Pernambuco, por exemplo, 95,7% dos 185 municípios poderão ter acesso facilitado a armas.

 Quem pagará os custos dessa tragédia anunciada? E como a saúde pública, cujo investimento foi congelado por 20 anos pela PEC dos gastos, absorverá essa mórbida, populista e inconsequente decisão?

 Dessa forma, se faz necessário uma urgente reação de toda a sociedade contra essa iniciativa que visa de maneira irresponsável atender ao lobby da indústria da arma e o fetiche populista dos membros do atual governo. Sem qualquer preocupação com o presente e com as futuras gerações essa gestão um dia vai passar, mas deixará um legado de aumento da violência com impactos profundos e imensuráveis na vida de milhões de famílias brasileiras e na saúde da pública do país se não formos capazes de denunciar e organizar agora a resistência.

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DESTAQUE

PONTO DE VISTA: Ultrajante! Salários atrasados e a prefeitura de Sena pode gastar R$ 4 milhões em tinta, papel e carimbo!

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“Bom dia, boa tarde, boa noite:”

INÍCIO COMPLICADO EM BRASÍLIA

É sabido por todos que 2023 começou quente no Brasil, ações inéditas nas jurisprudências e na política brasileira. É fato que a economia não quer lua de mel com o novo presidente, mas pudera, até agora houve várias falas que assombrou a “todos”. Muita gente reclamando sem razão pelas decisões tomadas pelo governo federal, sem motivos é claro, pois ele falou em discurso tudo que pretendia só se enganou quem quis.
Nossos representantes federais estão loucos por uma sinalização do governo para angariarem alguns cargos para seus apadrinhados mesmo que para isso sejam sacrificadas suas dignidades, que coisa deprimente.

CAPITAL

O parlamento em Rio Branco estava ansioso pela posse, só não sei se o cobertor de Gladson será grande o suficiente, tem deputado que deseja duas secretárias, a coisa tá concorrida, enquanto isso, vendem suas almas e são obrigados a aprovar todos os projetos do executivo estadual, prova disso foi o ICMS. Já disse, precisamos aprender a votar!
Se os deputados de Sena Madureira já achavam poucos os cargos que tinham, imagina agora que terão que dividir com mais dois novos da regional e um eleito praticamente só com os votos da referida regional. Não adianta dizer que são Deputados Federais, pois o que realmente interessa para Gladson são os estaduais e ponto.

SENA MADUREIRA

A saga dos pagamentos atrasados em Sena continua, os funcionários estão possessos com o chefe do executivo, o mesmo anda com as orelhas quentes já que só não é chamado de santo pelo funcionalismo. Ao cobrir um santo descobre outro, o único, ou melhor, os únicos que foram cobertos estarão indo para Brasília e o outro para capital acreana dia primeiro de fevereiro e o restante que chore. Triste situação.

ARRECADAÇÃO

Essa semana foi exposto que o município não teve perca de arrecadação ao contrário, aumentou em mais de 8 milhões de reais derrubando a falácia da viúva (prefeitura). E agora, como fica após serem desmascarados?

EDUCAÇÃO

Todos sabemos que as duas secretarias mais desejadas pelos vereadores são a de Educação e a de Saúde, pois as mesmas são movidas a recursos federais diretos, quer dizer, não atrasa e vem muito dinheiro. Segundo um vereador, a educação recebeu seu último repasse do ano em 29 de dezembro de 2022 e ainda não pagou seu funcionalismo, o que será que está aconteceu com dinheiro? A final “se não roubar dá”.
Em conversa com um professor da rede municipal que na ocasião me confidenciou que procurou seu vereador em busca de resposta pelo não pagamento de seu provento e percebeu que os parlamentares se pelam de medo de Serafim. Talvez o mesmo esteja pagando pelo voto errado.

SAÚDE

A secretaria de saúde é umas das mais ricas, não sei o motivo de tanta degradação, seria má gestão com inchaço da folha de pagamento? Não sei! O que sei é que vários atendimentos deixaram de ser oferecidos por falta de pagamento dos profissionais que já recebem uma merreca.

PREFEITO

O prefeito está sendo esculachado nos grupos de WhatsApp pela falta de pagamento dos salários do funcionalismo, uma coisa é certa, Mazinho perdeu a única coisa que podia se vangloriar, o pagamento em dia apesar de ser sua obrigação.
O que acredito ser mais triste é assistir alguém sendo prejudicado e ainda aplaudir as atitudes da administração municipal.

CMSM

Apesar de haver alguns vereadores de oposição, quando acontece algo de errado na cidade todos levam a culpa, injustamente é claro, apesar de a maioria dos parlamentares se pelarem de medo do atual prefeito existe vários que o confrontam.

CARIMBAÇO

Existe coisas que aconteceram em nosso passado que ao refletirmos e lembrarmos ficamos com vergonha e se pudéssemos voltar ao passado, mudaríamos, a mesma coisa o prefeito Mazinho deveria fazer tendo em vista que não há explicação para tal exagero, coisa triste publicar previsão de gastos com carimbos, tintas, papeis… de mais de 4 milhões de reais com o caos que a cidade se encontra. Dessa vez a coisa foi tão absurda que fiquei com vergonha.
O fato é que o povo Sena Madureira é sofredor, mas também é muito forte pois aguentar essa quantidade de desmandos e ainda conseguir sobreviver só sendo surreal, é bem verdade que administração pública está em apuros pelo simples fato de não se importar com a coisa pública.
Acredito que as coisas só começarão a mudar quando aprendermos a VOTAR.

Deus nos ajude!
AGUARDEMOS OS PRÓXIMOS CAPÍTULOS.

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Editorial: Que bom seria Márcio Bittar candidato ao governo do Acre!

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Por J R Braña B.

Que bom?!

Para todo mundo ver o tamanho da sua empáfia ser reduzida pelos eleitores em outubro próximo….

Vai, MBittar, vira candidato ao Palácio Rio Branco!

Para ver se o presidente das armas, do orçamento secreto, dos milhões gastos com o cartão corporativo e do custo de vida mais caro da história do Brasil – vai conseguir te transformar em governador do Acre…

Ainda há tempo…registra tua candidatura e começa pedir votos…

Tu já tens um cabo eleitoral seguro, né não, Lewis Calixto?

MBittar tem horror (a inveja dele é mais antiga) à ascensão política de Jorge Viana…

Porque o JV, com todo o seu narcisismo político criticável, e eu critico, é sim, um grande gestor e político que mudou a percepção do que seja um governo de verdade no Acre e ainda pode ajudar muito o nosso estado….E MBittar, que sequer mora aqui, o que fez?!

Em tempo: Alan, ainda não deu keno!!!

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Artigo: A imprensa sem amarras incomoda o prefeito Mazinho Serafim

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Há um ditado popular que diz: “O costume do cachimbo deixa a boca torta”. Essa frase proferida há milhas e milhas de anos se encaixa, em alguma medida, com o prefeito de Sena Madureira, Mazinho Serafim (UB). Acostumado com tapinhas nas costas e elogios de seus apoiadores e bajuladores, o gestor ainda não se adaptou às críticas que são feitas à sua administração, mesmo estando há quase 6 anos no poder.

Sempre que pode, ele tenta desqualificar o trabalho da imprensa que não tem amarras com a sua administração. Como gestor público, deveria saber que precisa prestar contas com a sociedade, especialmente sobre os recursos que são injetados na conta da Prefeitura, e olhe que não são poucos.

Mazinho também deveria saber que nem todos irão dizer amém para o que acontece de errado ou pelo que não foi feito até agora por sua administração. Um exemplo: Na primeira campanha, ele prometeu realizar concurso público em Sena Madureira, visando dar oportunidade para os jovens. Até agora não cumpriu. Mas, se alguém cobra isso já é taxado de perseguidor.

Em uma democracia, é preciso saber lidar com o contraditório e responder as críticas com trabalho, não com arrogância ou qualquer tipo de intimidação, bem típico de Serafim e seu grupo.

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